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AGRONEGÓCIO ARGENTINO PERDE MILHÕES POR INUNDAÇÕES, SECAS E INCÊNDIOS

Vários fenômenos climáticos que afetam uma grande região da Argentina comprometeram mais de 4 milhões de hectares produtivos (aproximadamente 10% da área agrícola), e cerca de 100 mil cabeças de gado, especialmente nas províncias do centro de Buenos Aires e Santa Fé, mas também em La Pampa e Rio Negro, envolvendo perdas de mais de US$ 3 bilhões. Em razão das inundações que afetam a província de Santa Fé, o ministro de Produção, Luis Contigiani, relatou que as perdas nos campos da província por causa da tempestade somariam US$ 1 bilhão. “Quase um milhão de hectares são afetados na parte agrícola. Esses danos dependerão de como a crise evolui para se saber se os danos são parciais, totais ou moderados”, disse o ministro.

Na situação oposta, a falta de umidade impede que sejam implantados 300 mil hectares de soja a Sudeste da província de Buenos Aires, segundo anunciou a Bolsa de Grãos portenha, o que implica uma perda média de quase US$ 300 milhões. E na série de “pragas do clima”, “entre 185 mil e 190 mil hectares são atingidos pelos incêndios florestais no Sul da maior província argentina, segundo o ministro de Agroindústria de Buenos Aires, Leonardo Sarquís, o que motivou aportes de 300 milhões de pesos por parte do governo provincial. No entanto, a situação mais dramática ocorreu durante os incêndios em La Pampa e Rio Negro, com 800 mil e 530 mil hectares, respectivamente, consumidos pelo fogo. As perdas ainda não podem ser calculadas com certeza, mas as entidades de produtores dizem que o valor chegará a centenas de milhões de dólares.


TRIGO

Foi concluída a colheita do trigo na Argentina em cerca de 5 milhões de hectares (20% a mais que no ano passado), com um rendimento médio nacional de 3.400 kg/hectares, acumulando um volume de produção de 15 milhões de toneladas para esta safra, o que representa um aumento de 39% (em 2015/16, a produção foi de 10,8 milhões), calculado de acordo com a Bolsa de Cerais de Buenos Aires.

SOJA

O Governo de Mauricio Macri formalizou o programa para reduzir progressivamente as taxas de exportação de soja – tanto do grão como da farinha e/ou do óleo, com redução de 0,5% ao mês a partir de janeiro 2018 até dezembro 2019, quando termina o atual mandato presidencial. Atualmente, de acordo com o produto derivado da oleaginosa, o desconto chega a 30% e, em janeiro de 2020, será de 18%, quase metade da alíquota paga ao governo nacional, quando Macri assumiu a presidência: 35%.

LEITE

As chuvas em Córdoba e Santa Fé complicaram a situação da principal região leiteira da Argentina. O Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta) alertou que mais de mil propriedades leiteiras foram afetadas por inundações e que, por isso, estão produzindo 50% da sua capacidade. O ministro da Produção de Santa Fé, Luis Contigiani, disse que “a situação é desoladora: nos seis departamentos afetados, a estimativa é de perdas de 1,5 milhão de litros de leite/dia

CARNE

O governo argentino voltou a instaurar, em 1º de janeiro, os incentivos para a exportação de carne bovina, que tinham sido cancelados em 2005 pelo presidente Nestor Kirchner. O reembolso será de 3,5% para cortes desossados resfriados e 4% para peças desossadas congeladas, os dois produtos mais exportados. Para quartos dianteiros e traseiros resfriados, a restituição será de 2,5%. Se busca recuperar alguma competitividade em relação ao resto do Mercosul.


ESTIMATIVAS REDUZIDAS PARA MILHO E SOJA

A produção de grãos da Argentina sofrerá reduções significativas na atual safra por causa do grande número de campos que ficaram debaixo d’água no centro da zona produtora (principalmente o Norte de Buenos Aires, o Sudeste de Córdoba e o Centro de Santa Fé), enquanto que no Sul de Buenos Aires e La Pampa uma forte seca atinge as lavouras. Aproximadamente 300 mil hectares de milho não poderão ser recuperados, o que reduzirá a produção potencial para 35,5 milhões de toneladas, mais de um milhão a menos do que se previa no mês passado, estimou a chefe da Direção de Informações e Estudos Econômicos da Bolsa de Comércio de Rosário, a economista Emilce Terré. No caso da soja, o panorama ainda é muito incerto para projeções, mas Terré observou que pelo menos meio milhão de hectares está em risco, o que resultaria em uma queda significativa na produção: 19,4 milhões de hectares plantados com um rendimentos médio que resultaria em uma safra entre 53 milhões e 54 milhões de toneladas, a menor em três anos e 12% abaixo do recorde obtido em 2014/15.