Lubrificantes

 

LUBRIFICANTES: a vida útil da máquina depende deles

A verificação periódica do nível e da concentração dos lubrificantes, a reposição quando necessário e a escolha do produto adequado à situação são atitudes fundamentais para a boa execução das operações – além de reduzir custos

Gilvan Moisés Bertollo, Marcelo Silveira de Farias, Gustavo Oliveira dos Santos, Eduardo Londero Druzian, do Núcleo de Ensaio de Máquinas Agrícolas (Nema), da Universidade Federal de Santa Maria/RS

Os lubrificantes estão presentes em praticamente todas as máquinas agrícolas, visto que são essenciais para o seu bom funcionamento, sendo encontrados no motor, na transmissão, no sistema hidráulico e nos demais componentes móveis das máquinas, na forma líquida, pastosa e/ou sólida. Dentre suas principais funções, destacam-se a diminuição da resistência provocada pelo atrito entre componentes, proteção contra a corrosão e o desgaste, a facilidade em dar partida nos motores, o auxílio na vedação, serve ainda como agente de limpeza, por meio da eliminação de resíduos indesejáveis, e auxilia no arrefecimento.

Ao mesmo tempo em que o uso de lubrificantes é indispensável para as máquinas agrícolas, sua utilização requer revisão, reposição e substituição periódicas, de acordo com a intensidade do trabalho realizado, para que o mesmo mantenha suas propriedades físico-químicas e possa desempenhar suas funções.

Para atender as diferentes condições de onde são necessários e permitir a escolha adequada para cada situação ou máquina agrícola, os lubrificantes foram classificados seguindo algumas normas. Uma delas é da Sociedade dos Engenheiros Automotivos (SAE - Society of Automotive Engineers). Esta instituição criou o parâmetro SAE para padronizar e classificar o grau de viscosidade dos lubrificantes.

A principal classificação refere-se à viscosidade do óleo, ou seja, a fluidez que o lubrificante apresenta sob determinada temperatura. Nesse sentido, os óleos mais viscosos são mais grossos, enquanto que os menos viscosos são mais fluidos. Na prática, o óleo necessita ser viscoso o suficiente para criar uma fina película protetora entre os componentes móveis do motor, por exemplo. Porém, não pode ser muito viscoso (grosso) a ponto de oferecer certa resistência ao livre movimento das peças.

Óleos lubrificantes mais viscosos exigem mais energia (força) para serem bombeados para a parte superior do motor e fluem mais lentamente no seu interior. Os lubrificantes menos viscosos circulam com maior facilidade, permitindo assim uma rápida lubrificação. Nesse sentido, um grande avanço dos fabricantes foi desenvolver melhorias na composição dos óleos, criando os lubrificantes multiviscosos. A maioria dos óleos produzidos atualmente são multiviscosos, isto é, são óleos capazes de apresentar fluidez diferente, em função da temperatura de trabalho do motor.

Um exemplo é o óleo lubrificante para motores 15W-30, no qual o 15W representa a viscosidade que esse produto apresenta quando o motor está em temperatura ambiente, ou seja, motor frio. Nessa condição, se comporta como um óleo muito fluido, o que é benéfico para a partida do motor. Esse mesmo óleo funciona com maior viscosidade (30) no momento em que o motor está quente, em funcionamento. Essa característica de maior viscosidade é excelente, pois um óleo pouco viscoso, de elevada fluidez, queimaria muito rápido devido à elevada temperatura em que o motor trabalha, e não conseguiria lubrificar os componentes adequadamente.

Além dos motores, a lubrificação por meio do óleo é necessária em outros componentes da máquina, como no turbocompressor, por exemplo. Os óleos lubrificantes para turbocompressores devem ter viscosidade adequada, resistência à oxidação e à formação de borra, além da prevenção contra ferrugem, resistência à formação de espuma e fácil separação da água. Na maioria dos casos, esse lubrificante é o mesmo utilizado nos motores.

O sistema hidráulico de três pontos presente nos tratores agrícolas utiliza óleo lubrificante, que além de transmitir força e pressão para levantar máquinas e implementos agrícolas, também lubrifica os componentes do sistema. Ainda possuem características antidesgaste, antioxidante, antiferrugem e antiespumante preservando o sistema e mantendo-o em bom estado de funcionamento.

Usos da graxa — Outro lubrificante de grande utilização no setor agrícola é a graxa. São lubrificantes pastosos, constituídos de óleo mineral líquido e um espessante (sabão metálico), que oferece uma consistência semelhante ao gel, para manter o lubrificante líquido no lugar. Por isso, são classificados em função da consistência e do tipo de sabão. A consistência é a resistência oferecida por uma graxa à sua penetração e é classificada pelo Instituto Nacional da Graxa (NGLI) em: 000, 00, 0, 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Quanto maior o número, mais consistente é a graxa. De acordo com o sabão utilizado, as graxas podem ser à base de cálcio, sódio, alumínio, lítio, dentre outros.

Outra propriedade importante da graxa refere-se à medida que serve como orientação quanto à temperatura máxima em que a mesma pode ser submetida durante o trabalho trabalho. Essa característica se dá por meio do ponto de gota, que indica a temperatura em que a graxa passa do estado sólido ou semissólido para o estado líquido. Cabe salientar que a graxa de uso agrícola mais utilizada é a de consistência número 2, de sabão de lítio, que reúne as características mais desejáveis como a resistência à umidade, poeira, variações de temperatura e altas rotações. Porém, sempre se recomenda seguir as orientações de cada fabricante.

A atuação da graxa ocorre através de um agente espessante que age como uma rede de fibras que retém o óleo. Quando em ação, o óleo é expelido realizando a refrigeração e a lubrificação. Dessa maneira, após perder 50% de óleo, significa que é o momento de aplicar a graxa novamente, visto que já perdeu seu poder de lubrificação.

Os pontos de lubrificação com graxa estão localizados em diversas partes das máquinas e, na maioria das vezes, o fabricante os identifica com etiquetas informativas. Existe uma tendência de concentrálos em locais específicos e em menor número para facilitar as operações de manutenção. Em cada ponto de lubrificação está presente um pino graxeiro, que funciona como uma válvula para impedir o retorno da graxa, e serve como um dispositivo de acesso para a introdução da graxa nos mecanismos da máquina.

A localização dos pinos graxeiros e o intervalo de tempo entre uma lubrificação e outra devem seguir rigorosamente as recomendações do fabricante, ou serem consultados no manual do operador, visto que variam com a marca e o modelo de cada máquina disponível no mercado. É importante mencionar que, na utilização da graxa, alguns cuidados devem ser observados como, por exemplo, a retirada do excesso para evitar acúmulo de poeiras e contaminações. Deve-se ainda ter o cuidado com as quantidades recomendas, pois o excesso de graxa nos pontos de lubrificação, além de ser um desperdício, pode provocar o rompimento de retentores.

Dessa forma, verificar periodicamente o nível e a concentração dos lubrificantes repondo quando necessário, bem como seguir as recomendações dos fabricantes quanto ao tipo de lubrificante utilizar e os intervalos de troca são fundamentais para elevar a vida útil das máquinas agrícolas, evitar contratempos indesejáveis durante as operações agrícolas e reduzir os custos com manutenção.