Na Hora H

 

GRANDES MUDANÇAS VIRÃO. SIM, ELAS JÁ ESTÃO AÍ!

ALYSSON PAOLINELLI

Que a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos já definiu profundas mudanças, ninguém pode negar. Veio para mudar e mudar muito no campo político, econômico e, logicamente, social. Os primeiros atos para o cumprimento das promessas eleitorais já estão sendo usados. É indiscutível que através de Trump os Estados Unidos vão mudar em muito a sua relação com o mundo. Muitos novos atos ainda virão e cada um deles causando, como nos primeiros casos, maiores espantos ainda. Aguardemos.

As relações entre cada país ou cada região de países vão ser afetadas. O povo americano, através de seu novo presidente, está dizendo ao mundo que irá mudar. O que se pode depreender pelos primeiros atos é que o americano quer ser novamente o da década 1950. Trabalhar e produzir para criar riquezas à sua gente. Essa é uma sugestão para que cada povo trate melhor de cuidar de si mesmo. Ninguém quer fazer de graça para o vizinho ou competidor ser feliz. É a tese de que primeiro é para nós, segundo é para nós e terceiro, o que sobrar, é para nós também.

Isso pode ser uma boa lição. Especialmente para países como o Brasil, que começou a descobrir, pela ciência e pelas inovações, que os recursos naturais que recebemos, seja de clima temperado, subtroprical ou tropical, se tratados com a ciência e a tecnologia adequadas, podem e devem ser transformados em riquezas palpáveis e sustentáveis. O que temos de fazer e com prioridade é estar cada dia mais preparados para que essa interlocução de “ciência e natureza” venha a ser em benefício de todos.

O que isso significa? Se já tivemos essa longa caminhada de quase 40 anos na busca de uma agricultura tropical sustentável, não podemos parar aí. O que fizemos nesse período e com muita competência foi comprovar que os biomas brasileiros também podem participar da tarefa de produzir alimentos que o mundo tanto necessita. O desenvolvimento, nesse período, de nossas instituições científicas, as nossas universidades, as nossas instituições públicas ou privadas de pesquisa e, mais do que isso, a nossa competência como produtores, mostrou nesses primeiros lances o que somos capazes de fazer. O que não podemos é pensar que tudo já está pronto e que agora é só usar os nossos conhecimentos e produzir em benefício de todos.

O que não podemos e nem devemos fazer é achar que já somos competitivos e mais capazes que os nossos concorrentes. Ao contrário, apenas começamos. Há muito ainda a se fazer e aprender, porque, na realidade, estamos trabalhando em condições bem diferentes das que antes foram os parâmetros. Temos de compreender que o nosso processo produtivo de fato é bem diferente do que usualmente se tinha. As inovações e os conhecimentos serviram para provar que somos capazes, mas essa demonstração se tornaria um grande equívoco se pensarmos que a “guerra” está ganha. Conseguimos criar novos métodos e novos parâmetros e por isso mesmo temos de reconhecer que estamos apenas no início e muitos novos métodos e novos parâmetros terão de ser buscados no aperfeiçoamento e na evolução da nossa nova agricultura tropical sustentável.

Ainda agora, diante das mudanças já previstas no novo relacionamento entre as grandes potências econômicas, novos espaços deverão se abrir e quanto mais capacidade inovadora e competência tivermos, mais fácil será a nossa posição neste futuro ainda incerto. Se o Brasil, há 40 anos, tinha dificuldades e escassez de recursos humanos nessas áreas científicas, hoje podemos afirmar de que quem forma anualmente mais de 17 mil doutores tem de acreditar que cada vez mais estaremos preparados para a grande batalha do conhecimento. Hoje mais do que nunca necessitamos de projetos integrados de pesquisa para que, junto à natureza, possamos buscar novas fontes de riqueza, sem degradar os recursos naturais que possuímos. Isso é fazer planejamento estratégico. Isso é ter garra. Isso é dizer: "agora também chegou a nossa vez e não será por erros e omissões que iremos recuar."

Engenheiro agrônomo, produtor, presidente-executivo da Abramilho e ex-ministro da Agricultura