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As CASAS da soja na pátria brasileira

A cultura encontrou em instituições como Embrapa Soja e entidades como Aprosoja e Fundação MT uma aconchegante morada onde pôde crescer, desenvolver-se e sentir-se protegida. Além das descritas, tem muito mais e com a mesma relevância

A vitória da soja na agricultura brasileira tem muitos responsáveis. A começar pelas mãos calejadas dos agricultores, desde os pioneiros da oleaginosa no Rio Grande do Sul aos desbravadores do Centro-Oeste e demais regiões onde o grão se espraiou. Mas o triunfo do grão também teve a guarida de entidades e instituições que se comportam como verdadeiras mães. São inumeráveis as organizações que foram e são decisivas para que a soja se consolidasse. Como a Embrapa Soja, a unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária dedicada à cultura, a Associação dos Produtores da Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja MT) e a Fundação MT são apenas alguns exemplos de um lugar onde a soja se sentiu tão em casa como na China, onde surgiu.

Ninguém, absolutamente ninguém duvida da seguinte afirmação: a soja não teria o tamanho que tem no Brasil não fosse o colosso localizado no distrito de Warta, em Londrina/PR: a Embrapa Soja mantém a estrutura gigantesca de 121 hectares, 38 casas de vegetação, 31 laboratórios e 70 pesquisadores (além de outros profissionais) que vivem a soja o dia inteiro. A unidade, fundada em 16 de abril de 1975, trouxe contribuições históricas para a sojicultura brasileira e também mundial pela sua capacidade de pesquisa e de responder à altura aos desafios de sustentabilidade dos sistemas produtivos. São inumeráveis os exemplos: desde a tropicalização da soja, a adaptação da cultura ao Centro-Oeste, no final da década de 1970, aos sucessivos surgimentos de novas pragas e doenças – como a ferrugem asiática, 15 anos atrás, e a recente lagarta Helicoverpa armigera.

Uma importante contribuição é a manutenção de um dos maiores bancos ativos de germoplasma de soja do mundo, pois a unidade mantém armazenada uma coleção da diversidade da soja com mais de 35 mil acessos catalogados. O acervo está à disposição de empresas públicas e privadas para uso em programas de melhoramento genético. A Embrapa Soja subsidia tecnicamente discussões e participa da definição de políticas públicas relevantes ao sistema produtivo, como vazio sanitário, soja safrinha, insetos polinizadores, defesa fitossanitária, controle da qualidade de sementes, definição de classificação e de padrões comerciais, estudos para regionalização de cultivares, proteína de soja, zoneamento de risco climático, dentre outras demandas. Em síntese, a Embrapa Soja pesquisa, defende e orienta sobre práticas de manejo responsável que vão desde a etapa de semeadura até a fase pós-colheita da cultura.

Em Londrina, no Distrito de Warta, a unidade Embrapa Soja mantém a estrutura gigantesca de 121 hectares, 38 casas de vegetação, 31 laboratórios e 70 pesquisadores, além de outros profissionais

“Desde a nossa fundação, há 40 anos, procuramos trabalhar com tecnologias para superar os desafios. Primeiro, foi viabilizar a produção de soja em regiões de baixa latitude (regiões tropicais), depois veio o desafio do cancro da haste, doença que quase dizimou a produção brasileira e que foi superada com genética e mais recentemente tivemos a ferrugem, a helicoverpa, entre tantos outros”, argumenta José Renato Bouças Farias, chefe-geral da Embrapa Soja. “A cada período tem-se um desafio, pelo qual procuramos agir rapidamente e apresentar soluções sustentáveis, idôneas e livres de comprometimento econômico e financeiro. Esse é o grande diferencial do trabalho da Embrapa. Essa independência é que garante a credibilidade do trabalho e das pesquisas desenvolvidas pela Embrapa”.

Aprosoja: plantio de soja e “de organização” — No Mato Grosso, maior produtor do grão, a Aprosoja cresceu e amadureceu no período de 11 anos (a serem completados no mês que vem) para dar apoio institucional e técnico a 5 mil produtores atualmente. “Nosso associado, que está lá no interior do estado, é o foco da atuação da Aprosoja. Queremos ouvi-lo e atender as demandas sugeridas por ele. Essa é a nossa missão”, argumenta Endrigo Dalcin, presidente da instituição que é a porta-voz do sojicultor em diversas frentes em nível local e nacional. “A associação é o braço direito do produtor rural, existe para nos auxiliar e defender. O agricultor precisa utilizar essa estrutura para seu benefício, pois poucas entidades têm o respaldo e o respeito que a Aprosoja tem atualmente”, define o produtor associado de Canarana Oldair Sangaletti.

Uma das principais lideranças da soja no Brasil, o produtor Glauber Silveira, colunista d’A Granja e presidente da entidade por cinco anos, revela que, em junho de 1990, os agricultores no Encontro Nacional de Produtores de Soja, em Brasília, criaram a Abrasoja (hoje Aprosoja Brasil), que não prosperou em razão da falta de recursos. “Mas essa chama da organização ficou em brasas por mais de 14 anos, quando os produtores de Mato Grosso novamente saíram à frente e, finalmente, conseguiram criar um fundo que iria sustentar a entidade, cuja missão é promover ações que viabilizem a produção sustentada da soja no Mato Grosso”, descreve. Ele conta que no início a entidade funcionou a partir de um pequeno empréstimo realizado pela Federação da Agricultura do Mato Grosso (Famato), além de um futuro apoio financeiro da Associação dos Produtores Mato-Grossenses de Algodão (Ampa).

Fundação MT: o Programa de Monitoramento e Adubação desenvolve pesquisas em 140 hectares de áreas experimentais, por meio de testes no campo, onde são realizados trabalhos em 3.500 parcelas

Fundação MT: soluções para os desafios locais — A Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, mais conhecida por Fundação MT, nasceu em 1993, a partir da proposta de 23 homens que agregaram à instituição o mesmo espírito empreendedor que aplicavam à produção agrícola. “Eles uniram forças para encontrar soluções que viabilizassem a agricultura no cerrado mato-grossense, região desacreditada por muitos, e assim melhorar a vida das pessoas”, destaca texto institucional da fundação e que resume o que foi o início da busca por pesquisar e validar técnicas e tecnologias para a realidade do ambiente do Mato Grosso. “Nesses 23 anos, conseguimos realizar um importante papel no desenvolvimento do agronegócio, servindo de suporte à classe agrícola na nobre missão de mover, alimentar e vestir o mundo. Não foi e ainda não é uma tarefa fácil, mas sabemos que é possível. Prova disso é que hoje Mato Grosso é um dos maiores produtores de grãos do mundo”.

No princípio, a pesquisa buscou soluções para desafios locais, como desenvolver cultivares resistentes ao cancro da haste e ao nematoide de cisto, e com tolerância à chuva na colheita. E assim foram as buscas e conquistas seguintes a partir do desenvolvimento de soluções a muitos problemas e desafios específicos do Mato Grosso. “Hoje possuímos duas grandes áreas exclusivamente dedicadas à Pesquisa Agronômica: Programa de Monitoramento e Adubação (PMA) e à Proteção de Plantas”, ressalta. O PMA desenvolve pesquisas em manejo da adubação e de sistemas de produção em 140 hectares de áreas experimentais, por meio de testes no campo com soja, algodão, milho, braquiária, milheto e crotalária, entre outras culturas. Os experimentos são realizados em 3.500 parcelas, com cerca de 800 tratamentos por ano.