Glauber em Campo

 

O DESAFIO DA PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL PARA MILHO E SOJA

GLAUBER SILVEIRA

Tenho andado muito pelo Brasil, conversando com produtores, vendo suas produtividades, a forma de produção deles, etc. É interessante como em uma mesma região temos o sucesso e o fracasso, um ao lado do outro, com o mesmo solo, clima, etc. Fica a pergunta: qual o segredo de sucesso de muitos produtores que passam a ser referência na produção de soja e milho no Brasil? É importante pontuar que a produção sustentável se dá pela produção harmoniosa com o meio ambiente, causando o menor impacto possível, pela produtividade e também pela rentabilidade obtida pelo produtor. O uso adequado da biotecnologia, rotação de culturas, manejo de pragas e doenças, boas práticas agrícolas e a dedicação eficiente na atividade com foco são fundamentais para o êxito quando falamos com produtores de sucesso.

Fico impressionado como os custos de produção subiram nos últimos anos. Os inseticidas passam a ser muito importantes na tabela de custos, e chega a ser deprimente quando observamos aplicações de inseticidas calendarizadas, onde o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é totalmente abandonado, quando só se aplica se apareceu a praga. Alguns ainda se utilizam de produtos fisiológicos, mas a calendarização de inseticidas cresceu e, com isso, o custo de produção.

O acompanhamento da lavoura, o conhecimento das pragas, o manejo adequado dos produtos agrícolas, a rotação de princípios ativos, o controle biológico e o nível de incidência das pragas são ferramentas fundamentais para o bom manejo da cultura. Produtos milagrosos têm colocado em risco a biotecnologia, que é uma ferramenta muito positiva, e a tecnologia Bt tem perdido sua eficiência por uso inadequado e falta de refúgio.

O manejo da cultura e o uso de boas práticas agrícolas como o MIP têm sido um diferencial entre produtores de sucesso e os que estão indo por um caminho nada interessante, rumo ao fracasso da atividade. A produção hoje, seja do que for, é altamente cara e competitiva. Sendo assim, apenas a dedicação e o uso de práticas adequadas levam o produtor ao sucesso na atividade.

Outro ponto que tem sido um diferencial aos produtores que têm tido sucesso em produtividade e rentabilidade é o manejo do solo. Produtores têm feito investimento no perfil do solo, adubação de perfil, calagem em profundidade e uso de gesso agrícola. A agricultura de precisão para esses produtores tem sido uma ferramenta muito eficaz.

Alguns produtores têm feito rotação com arroz. E para plantar o arroz e produzir bem, tem que mexer no solo. Sendo assim, aproveitam e fazem a calagem em profundidade e a adubação de perfil. O produtor faz todo um planejamento, investindo na qualidade do solo. O incremento de matéria orgânica tem sido um diferencial no sucesso da produção, plantio de crotalária, estilosantes e mesmo o milheto são fundamentais. Alguns produtores têm relaxado na cobertura do solo com a palhada. Já vimos muito mais a presença do milheto.

As ervas daninhas têm sido um grande desafio, pois o seu manejo não é simples. Temos visto muita recomendação equivocada e manejo errado, muitas ervas têm se tornado resistentes a alguns princípios ativos. Dessa forma, o manejo de herbicidas e também a rotação de culturas são fundamentais. Em alguns casos, a limpeza manual seria uma ferramenta eficiente com a baixa infestação para evitar a proliferação de algumas ervas, como é o caso do fedegoso e o caruru.

É importante lembrar que algumas ervas são problemáticas no caso da exportação da soja, como é o fedegoso. As tradings já deixaram claro que a carga será recusada se estiver com sementes proibidas no mercado internacional. O produtor tem que estar atento a isso. Nesta última safra, muitos produtores foram surpreendidos com cargas recusadas devido à presença de semente de fedegoso. Os chineses já avisaram que não vão receber cargas com a contaminação dessa semente.

Na agricultura não existe milagre, existe dedicação. A fazenda cresce fazendo e fazendo bem feito. Muitas ferramentas estão disponíveis, a informação é farta, e o produtor tem aprendido a comprar muito bem. Porém, estamos apanhando na produtividade e na comercialização, pontos que espero sejam discutidos no setor em 2017 para a sustentabilidade de todos na atividade. Sem dúvida, teremos muitos desafios políticos. Temas como legislação trabalhista, previdenciária, lei de cultivares e tributação estarão na mesa. Vamos produzir bem e apoiar nossos líderes. Feliz 2017!

Presidente da Câmara Setorial da Soja, diretor da Aprosoja e produtor rural em Campos de Júlio/MT