Agribusiness

 

CAFÉ

PREÇOS CAEM NAS BOLSAS, MAS MERCADO BRASILEIRO SEGUE SUSTENTADO

Lessandro Carvalo - lessandro@safras.com.br

As cotações internacionais do café caíram ao longo do mês de novembro (até dia 18) nas bolsas de futuros. A alta do dólar contra o real e outras moedas, especialmente as emergentes (destacadamente pós vitória de Donald Trump na eleição americana), trouxe pressão negativa sobre as cotações do arábica na Bolsa de Nova York e também sobre o robusta em Londres. Além disso, melhoraram as condições climáticas em regiões produtoras de café do Brasil com vistas à safra de 2017, trazendo certo alívio quanto à produção futura, também fator baixista.

No mercado brasileiro, as cotações sustentaram-se pela postura comedida nas vendas dos produtores e justamente pela subida do dólar, o que dá suporte às cotações em reais internamente. Os cafeicultores dosam a oferta e o que se nota é que a escassez de robusta (conilon), especialmente, após uma safra muito prejudicada em 2016, garante suporte de modo geral também no mercado nacional. No balanço de novembro, até o dia 18, os preços do arábica na Bolsa de Nova York caíram 3,2%, passando de 167,55 centavos de dólar por libra-peso para 162,10 centavos. Na Bolsa de Londres, o robusta, caiu no período 1,5%, passando de US$ 2.184 para US$ 2.152 a tonelada. No mercado físico brasileiro, o arábica bebida boa, no Sul de Minas Gerais, no mesmo período comparado, subiu de R$ 520 para R$ 570 a saca. Isso foi reflexo da alta do dólar – que no comercial avançou 6,2% até dia 18 em novembro – e da oferta bem dosada pelos produtores. As exportações obtiveram receita de US$ 512,6 milhões em outubro, com média diária de US$ 25,6 milhões. O volume embarcado totalizou 2.974.800 sacas, com média diária de 148,7 mil sacas. O preço médio foi de US$ 172,30 por saca.


ARROZ

DÓLAR ESTANCA QUEDA DO CEREAL, MAS NÃO CHEGA A IMPULSIONAR PREÇO

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

A recente valorização do dólar em relação ao real conseguiu estancar a tendência baixista do arroz verificada no início de novembro. “Mas, até o final da terceira semana do mês, não foi suficiente para dar um novo impulso para as cotações”, destaca o analista de Safras & Mercado Élcio Bento. No dia 17 de novembro, a média de preços no Rio Grande do Sul ficou em R$ 49,16 pela saca de 60 quilos do grão em casca, queda 0,91% em relação ao mesmo período do mês de outubro. “A paridade de importação continua sendo a referência para a formação de preço interno”, lembra.

Na média, o arroz beneficiado comprado nos países do Mercosul ficou 2,2% inferior à referência interna. “O País precisa acelerar o ritmo das aquisições externas nos últimos meses”, lembra. “Assim, é normal que as opções internacionais estejam atrativas”, pondera. “Porém, qualquer alargamento desse spread em favor do produto importado acabará impactando negativamente as cotações domésticas”, frisa.

Afora isso, os agentes seguem acompanhando a evolução do plantio nas principais regiões de produção. As chuvas acima do esperado e a ocorrência de frio nos próximos dias preocupam. Porém, a partir de dezembro, as precipitações devem reduzir e as temperaturas, elevarse, o que deve favorecer o desenvolvimento das lavouras. Segundo a Equipe de Política Setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o estado tinha 82,71% da área plantada com arroz na safra 2016/17 até o dia 17 de novembro. Foram plantados 902.707 hectares. Na semana anterior, o percentual semeado era de 74,81%. A área total no estado deve ser de 1,091 milhão de hectares.


SOJA

USDA PROJETA MAIOR SAFRA DA HISTÓRIA DOS EUA

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

O relatório de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) elevou as suas estimativas para produção e estoques finais norte- americanos para a temporada 2016/ 17. Para 2016/17, os estoques foram elevados de 395 milhões de bushels ou 10,75 milhões de toneladas para 480 milhões de bushels ou 13,06 milhões de toneladas. O mercado apostava em 420 milhões (11,43 milhões). A safra foi elevada de 4,269 bilhões – 116,2 milhões de toneladas – para 4,361 bilhões, o equivalente a 118,68 milhões de toneladas. O mercado esperava 4,318 bilhões – 117,5 milhões. As exportações foram elevadas de 2,025 bilhões para 2,050 bilhões de bushels. O esmagamento está projetado em 1,930 bilhão, contra 1,950 bilhão do relatório anterior.

O relatório projetou safra mundial em 2016/17 de 336,09 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 333,22 milhões. Os estoques finais foram elevados de 77,36 milhões de toneladas para 81,53 milhões. A projeção do Usda aposta em safra americana de 118,69 milhões de toneladas, contra 116,18 milhões do relatório anterior. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 102 milhões de toneladas, enquanto a safra argentina deverá ficar em 57 milhões de toneladas. A China deverá importar 86 milhões de toneladas, inalterado. A produção brasileira em 2016/17 deverá oscilar entre 101,596 milhões e 103,513 milhões de toneladas, conforme o segundo levantamento da Conab, entre 6,5% e 8,5% sobre a temporada passada, de 95,434 milhões. A Conab indica uma área plantada entre 33,36 milhões e 34,995 milhões de hectares, aumento entre 0,3% e 2,2%.


ALGODÃO

QUEDA EM NOVA YORK DIMINUIU LIQUIDEZ INTERNA

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

O mercado doméstico de algodão mostrou firmeza nos preços na terceira semana de novembro. Em Nova York, a Ice Futures operou acima de US$ 0,71 por librapeso pela primeira vez desde 28 de outubro. “Esse patamar segue sendo a resistência de curto prazo”, relata o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. “O mercado somente ganhará força quando essa resistência for confirmada e, assim, comece a operar em outra banda de preços”, explica.

Confirmada essa ruptura na Ice Futures e com a entressafra do Brasil chegando, é possível, segundo o analista, que os preços no mercado interno tenham espaço para subir ainda mais, já que o fator de comparação será a diferença da cotação interna e o preço para importar. “Hoje, o preço nacional tem espaço para subir cerca de 22%”, pondera. “Com os preços mais altos e câmbio valorizado, os compradores diminuem sua intenção de compra”, frisa. No Cif de São Paulo, a pluma estava sendo indicada a R$ 2,56 centavos por libra-peso no dia 17, ante R$ 2,54 na semana anterior. Quando comparado ao mês anterior, apresentava alta de 2,40%. Em relação ao ano anterior, a alta era de 11,30%.

Destaque para o relatório de novembro do Comitê Internacional do Algodão (Icac), que projetou que a produção mundial da fibra totalizará 22,4 milhões de toneladas na temporada 2016/2017, ante 21,02 milhões na safra 2015/16. Em outubro, eram esperados 22,54 milhões de toneladas. O consumo mundial de algodão deve totalizar 23,75 milhões de toneladas na safra 2016/2017. Para 2015/2016, são esperados 23,81 milhões de toneladas. As exportações para 2016/ 2017 foram projetadas em 7,48 milhões de toneladas, ante 7,52 milhões da temporada 2015/2016. Já os estoques finais para 2016/ 2017 foram previstos em 17,78 milhões de toneladas. Na temporada 2015/16, o número foi de 19,14 milhões de toneladas.


MILHO

PREÇOS PODEM SEGUIR PRESSIONADOS NO CURTO PRAZO

O mercado de milho aproximou-se do último mês do ano configurando um quadro de preços mais baixos se comparados aos meses de julho e agosto, quando os indicativos de quebra na segunda safra brasileira levaram os produtores a reter as ofertas, o que contribuiu para um forte aquecimento nas cotações. Para o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, é possível que os preços do milho assumam baixas um pouco mais acentuadas no curto prazo, até reencontrarem uma liquidez de exportação e/ou uma retração de ofertas, a partir de janeiro.

Ele destaca que o movimento de baixa nos preços do milho, iniciado no final de outubro e que se estende até agora, foi determinado pelas trocas de insumos pelos produtores junto às tradings usando o cereal como moeda de pagamento, redução nos fluxos de exportação e ingresso de maiores ofertas via importação. “Esses fatores fizeram com que os consumidores ficassem mais acomodados em sua postura de garantia de estoques para a virada do ano”, explica. Molinari ressalta que, diante da quebra nos contratos de exportação e os baixos preços do milho no cenário internacional, não existem sinais de compromissos de embarques nos meses de dezembro e janeiro nos portos. “As tradings já estão convertendo a logística para a soja. Com isso, talvez as exportações do cereal no encerramento deste ano comercial sequer cheguem aos 16 milhões de toneladas esperados”, pontua.

O analista volta a frisar que o quadro de baixas nos preços do milho neste final de ano poderá afetar diretamente as decisões de plantio da segunda safra 2017. “Com a baixa liquidez na exportação, os custos altos e os preços muito abaixo das expectativas do produtor, não será surpresa se constatarmos cortes de área da safrinha em todos os estados no próximo ano”, conclui.


TRIGO

COLHEITA SE ENCAMINHA PARA O FIM NO BRASIL E USDA INDICA AMPLA OFERTA

A colheita do trigo nas principais regiões produtoras do Brasil já se encaminha para o final. No Paraná, em novembro, os trabalhos já superaram 92% e, no Rio Grande do Sul, passavam de 70% da área. Conforme o Departamento de Economia Rural (Deral), a área do trigo é estimada em 1,084 milhão de hectares, abaixo dos 1,346 milhão plantados na temporada anterior. De acordo com o Deral, 97% das lavouras estão em boas condições e 3% em situação média, divididas entre as fases de frutificação (4%) e maturação (96%). No Rio Grande do Sul, conforme relatório semanal da Emater/RS, a colheita encaminha- se para o final, com perspectiva de ser concluída nas próximas semanas se as condições climáticas forem de tempo seco. A maioria das lavouras tem superado a expectativa de produtividade esperada inicialmente, mesmo após um período de chuvas fortes na fase de maturação do grão. Para 2016/ 17, a produção de trigo no Brasil está projetada em 6,34 milhões de toneladas, mesmo volume estimado em outubro. As importações estão apontadas em 6,2 milhões de toneladas. Os estoques finais são projetados em 1,84 milhão de toneladas.

O relatório de oferta e demanda para o trigo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) de novembro balançou o mercado internacional. Divulgado no mesmo dia do resultado das eleições presidenciais dos Estados Unidos, o documento ajudou a derrubar os preços das commodities, ao lado da vitória do republicano Donald Trump. A safra mundial 2016/17 está estimada em 744,72 milhões de toneladas, acima das 744,44 milhões de toneladas estimadas em outubro. A safra 2015/16 é indicada em 735,48 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais em 2016/17 estão estimados em 249,23 milhões de toneladas, acima das 248,38 milhões de toneladas em outubro. As reservas globais ao final de 2015/16 são indicadas em 241,03 milhões de toneladas.

A safra 2016/17 do trigo nos EUA foi estimada em 2,31 bilhões de bushels, contra 2,062 bilhões em 2015/16. Os estoques finais em 2016/17 foram projetados em 1,143 bilhão de bushels, acima dos 1,138 estimados em outubro. O número para 2015/16 foi rebaixado para 976 milhões de bushels. A projeção de exportações norte-americanas para 2016/17 é de 975 milhões de bushels.