Notícias da Argentina

 

PROPOSTAS DE MUDANÇA PARA A LEI DE SEMENTES

O Congresso argentino começou finalmente a tratar da reforma da lei de sementes. A atual legislação é de 1973, quando a soja e a biotecnologia tinham uma representação bem inferior em comparação com a atualidade. No final de 2012, quando a Monsanto anunciou o lançamento da sua soja Intacta, o Governo nacional de então, encabeçado pela presidente Cristina Kirchner, anunciou pela primeira vez sua intenção de modificar a Lei nº 20.247. Desde então, foram realizadas incontáveis reuniões com diferentes representantes do mercado de sementes. Na Câmara dos Deputados existem nove projetos, entre eles, os que modificam apenas alguns artigos e os que mudam completamente as atuais regras. Na Comissão de Agricultura e Pecuária houve debates por semanas consecutivas, somando a apresentação de quase 30 oradores, entre representantes do Governo, Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), entidades associativas e técnicas do campo, empresas sementeiras e ONGs ambientalistas. Os encontros deixaram em evidência as diferentes opiniões, muitas delas antagônicas. A expectativa é de uma definição até fevereiro, com possibilidade de um acordo antes do plantio da lavoura de trigo. Alguns dizem que o que está em jogo é o modelo agrícola para o qual se direciona a Argentina. Outros acreditam que o interesse maior é arrecadar mais dinheiro dos produtores.


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Em relação à propriedade intelectual, a norma vigente reconhece a quem obtém uma nova variedade de semente (o obtentor), o direito exclusivo para sua exploração comercial por um determinado período. Não obstante, segundo a mesma lei, é concedido o direito ao “uso próprio”, que autoriza o agricultor a replantar as sementes obtidas em cada colheita sem precisar de autorização ou pagar por isso ao obtentor da variedade. A estimativa é de que nos últimos anos apenas 15% da área com soja no país tenham sido plantados com sementes certificadas e adquiridas na mesma safra do cultivo.


TRIGO

Impulsionados por fatores financeiros e com uma certa dose de especulação, os produtores argentinos de trigo devem segurar a venda da safra, ao menos até metade do ano que vem. A diferença entre o preço do mercado disponível e o mercado futuro indica que o adiamento da entrega do cereal por seis meses poderá gerar um lucro superior em US$ 20 por tonelada.

SOJA

Depois de um ano de turbulentas negociações, o “rei da soja” argentina, Gustavo Grobocopatel vendeu 75% da sua empresa Los Grobo ao fundo de investimento transnacional Victoria Capital Partners, por US$ 100 milhões. A companhia fatura US$ 550 milhões por ano, tem 700 funcionários e cultiva 50 mil hectares.

LEITE

A produção láctea argentina deverá encerrar o ano com o nível mais baixo desde 2010, o que significa uma queda de 11%. O total até o final de 2016 deverá somar pouco mais que 10 bilhões de litros, 1,2 bilhão a menos que em 2015. A redução deve-se ao excesso de chuvas, aos baixos preços pagos ao produtor e à perda de competitividade em toda a cadeia.

CARNE

O abate de matrizes para a produção de carne bovina acumula 20 meses de retenção na Argentina. As estatísticas indicam que a participação das fêmeas no abate total foi de 41,7% do total do mês de outubro. Ao considerar o período janeiro-outubro, o total de abates no país foi de 9,61 milhões de cabeças, uma queda de 6,1% em comparação com o mesmo período do ano passado.