Glauber em Campo

 

PROJETO +MILHO: UMA INICIATIVA EM BUSCA DE SOLUÇÕES

GLAUBER SILVEIRA

Um grande projeto foi lançado no Brasil, o +Milho, que visa focar no cereal e suas possibilidades no Brasil, ou seja, discutirá e buscará alternativas para que o Brasil ocupe o mercado crescente deste cereal que deve crescer em 70% nos próximos 30 anos. E, então, espera-se que desse crescimento 40% sejam ofertados pela produção brasileira. O projeto é realizado pela Associação Brasileira de Produtores de Milho (Abramilho), Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e Canal Rural.

O +Milho contará com fóruns em seis estados, onde serão discutidas e debatidas as variadas perspectivas de como o milho pode avançar em produtividade, tecnologia, mercado e valorização do produto. O mundo vai precisar cada vez mais de milho. Em Mato Grosso, por exemplo, há superávit. Porém, o objetivo é exatamente discutir como se poderá fazer para se ter mais produção, mais mercado e mais valor. O projeto +Milho buscará discutir os mecanismos de comercialização, com o ponto de vista do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, mas também de quem comercializa o cereal, no caso das tradings, cerealistas e grandes consumidores do milho nacional. O objetivo é discutir políticas públicas a fim de estreitar as relações entre quem compra e quem comercializa o milho. Afinal, apesar do superávit de milho, o Brasil está importando o grão. É preciso criar uma tradição negocial de segurança entre quem produz e quem consome o milho.

Quando analisamos os estados do Sul e do Sudeste, nos casos específicos de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, esses estados juntos produzem 26,91 milhões de toneladas e consomem 30,26 milhões de toneladas. O déficit é de 3,35 milhões de toneladas que precisam ser adquiridas em estados que são superavitários, como é o caso do Mato Grosso, que produziu 18,9 milhões de toneladas em 2015/16, e consumiu apenas 3,48 milhões de toneladas.

Mesmo na safra 2015/16, em que houve uma enorme queda na produção de milho ,o Brasil, segundo a Conab, foram produzidas 70,33 milhões de toneladas, enquanto o consumo foi de 53,39 milhões de toneladas. Sendo assim, o País não deveria importar milho. Porém, o grande problema em questão é que o milho foi vendido para exportação, afinal, o produtor precisa vender para garantir o preço. Não dá para ficar esperando os consumidores do Sul e do Sudeste decidirem comprar. Por isso, o projeto visa estreitar essa relação e estimular a compra antecipada dos consumidores através de contratos de garantia de preço e entrega.

São necessários instrumentos, contratos que dêem segurança de preço ao produtor, seja pelo travamento em bolsa e comercialização futura para exportação e também para o mercado interno. Não só o produtor tem que ter segurança em receber o preço combinado, como o comprador também precisa receber o milho. Para isso, instrumentos de negociação serão discutidos e apresentados aos produtores e consumidores. O Brasil é o terceiro maior produtor de milho do mundo, mas segundo o Ministério da Agricultura, o País pode subir nesse pódio. Para tanto, o +Milho será um divisor de águas.

Um dos objetivos do projeto "Mais Produção – As tecnologias e manejo para a produção de milho" é discutir a tecnologia para aumentar a produtividade. O Brasil precisa ter médias mais altas, e tem potencial para chegar lá. A produtividade média brasileira é de 5.200 quilos/hectare, ou seja, 86 sacas, enquanto que vários produtores já estão com produtividades médias de 8.500 quilos/hectare (140 sacas), produtividade 60% maior que a média nacional. É preciso difundir a tecnologia e o manejo utilizados por esses produtores.

Para o objetivo do projeto sobre agregação de valor, cases de sucesso serão apresentados. Como é o caso do milho em Santa Catarina, que tem uma diversificação enorme, gerando riqueza. Afinal, o milho processado e transformado em carne ou etanol já agrega quatro vezes mais valor que quando apenas exportado. Mas para que isso aconteça, algumas políticas públicas precisam ser implementadas. No mínimo, o Estado precisa ter celeridade em disponibilizar as licenças ambientais de instalação da indústria. Infelizmente, hoje o que vemos é a inércia dos órgãos licenciadores, a burocracia e ineficiência travando o desenvolvimento.

O +Milho deve se tornar um marco para discutir o que o Brasil faz e o que pretende fazer com o milho. E a Aprosoja e a Abramilho estão sendo protagonistas. Protagonistas com um projeto, junto ao Canal Rural, que certamente terá uma contribuição nacional. Assim como o caso da Soja Brasil, e sem dúvida a Revista A Granja irá acompanhar e contribuir como sempre fez para a divulgação de ideias, soluções, desafios e tecnologias voltadas para a produção.

Presidente da Câmara Setorial da Soja, diretor da Aprosoja e produtor rural em Campos de Júlio/MT