Eduardo Almeida Reis

 

AGRIDOCES

EDUARDO ALMEIDA REIS

Através da família de sistemas operacionais da Microsoft, os tradutores do Windows ressuscitaram o verbo renomear inventado em 1899 no sentido de “dar novo nome a”. Assim, aquilo que, na imprensa, era o texto de mãe, na Internet virou textão. Textos imensos, insuportáveis, que só as mães aguentavam ler e tinham a coragem de elogiar.

Para que o leitor de A Granja faça ideia, esta nossa conversa mensal, há mais de 30 anos, tem 750 palavras, que a lexicologia chama de lexemas e a gente escuta: lexema é a unidade de base do léxico, que pode ser morfema, palavra ou locução.

E assim cheguei à locução “sem governo vai que cola”, em moda no léxico internético, para comentar o fato de a Espanha estar sem governo há meses com repetidos empates nas eleições parlamentares. Só na votação de dezembro, se houver um grupo vencedor, o Reino da Espanha, país de 48 milhões de habitantes situado na Península Ibérica, voltará a ter governo. E lá vai funcionando, PIB crescendo, PIB per capita de US$ 25.864, inflação controlada e IDH 0,876 muito elevado, o 26º do planeta.

Nem se diga que a falta de governo associada ao progresso seja novidade, porque houve precedente aqui mesmo no Ministério da Agricultura do nosso interesse na revista mais antiga em circulação contínua no Brasil.

A história do Ministério da Agricultura começa em 1860, durante o Segundo Império, com a Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, criada pela Assembleia Legislativa para integrar a estrutura formal do gabinete de Dom Pedro II.

Secretaria que foi extinta no início do Regime Republicano. Em 1909 houve a criação do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, sem que o brasileiro, nos períodos em que ficou sem Secretaria e Ministério, deixasse de plantar, colher, vender e comer.

Na introdução do meu livrinho sobre História do Brasil, Abgar Renault escreveu escreveu: “Não esquecer que somos de um país em que já existiu, ou existe ainda, no Ministério da Agricultura, um órgão denominado Comissão Executiva da Mandioca”.

Mandioca que a presidente Dilma Vana Rousseff, a búlgara, louvou em uma cerimônia que reuniu os povos indígenas, ocasião em que inventou a figura da "mulher sapiens". Em sua esplendorosa ignorância, a búlgara nascida em Minas Gerais confundiu Homo com homem, quando é a designação comum aos primatas antropoides do gênero Homo, como o H. sapiens, o H. habilis e o H. erectus, e também significa o ser humano, o indivíduo da espécie humana, que pode ser homem, mulher ou a turma da diversidade.

O Rio Grande do Sul, que percorri de automóvel conduzido pelo grande gaúcho Luiz Fernando Cirne Lima, não merecia a búlgara residindo em Porto Alegre, pedalando pelas ruas da capital depois das pedaladas que aprontou em Brasília/DF, afundando o País. Seus ministros, quase todos, estão na cadeia ou em vias de engaiolamento, com exceção daquele de tamanho pequeno e ao mesmo tempo delicado, que se casou com a Miss Bumbum, de curta e ridícula passagem pelo governo. Consta que o casal foi estudar nos Estados Unidos e um bumbum estudado merece assentar- se naqueles bloquetes sextavados de concreto transformados em bancos pela maluquice dos designers brasileiros.

Pois muito bem, na década de 1960 tive como companheiros de papo e copo Guaraci Lavor e Pinto Lima, técnicos do Ministério da Agricultura, acho que veterinário e agrônomo, ou vice-versa.

Os dois resolveram estudar a história do ministério em que trabalhavam. Como eram ideologizados e acusados de treinamento em Praga, Havana e Moscou, separaram as conquistas, os avanços do Ministério da Agricultura, da relação dos titulares da pasta. Assim, ninguém poderia dizer que um período foi bom por ser dirigido pelo Fulano ou pelo Beltrano.

Terminado o levantamento, separaram separaram alguns períodos em que o M. A. brilhou em uma série de iniciativas úteis para o País. Quando juntaram os tais períodos de sucesso com a lista dos nomes dos ministros e os meses em que ocuparam a pasta, descobriram que o ministério funcionou justamente nos meses em que esteve acéfalo.

Levantamento anterior aos períodos em que a pasta contou com Cirne Lima e Paolinelli, grandes administradores. Por fim, três frases da nova moradora de Porto Alegre, que ajudam a explicar seu governo roaz, isto é, governo que rói, que destrói, devastador: “O meio ambiente é sem dúvida nenhuma uma ameaça ao desenvolvimento sustentável”; “A autossuficiência do Brasil sempre foi insuficiente”; “A mulher abre o negócio, tem seus filhos, cria os filhos e se sustenta, tudo isso abrindo o negócio”.