Agribusiness

 

CAFÉ

SAFRAS ESTIMA COMERCIALIZAÇÃO 2016/17 DE CAFÉ DO BRASIL EM 56%

Lessandro Carvalo - lessandro@safras.com.br

A comercialização da safra de café do Brasil 2016/17 (julho/junho) chegou a 56% até 18 de outubro. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado. O avanço em relação ao mês imediatamente anterior foi de 10 pontos percentuais. Os trabalhos estão adiantados em relação ao ano passado, quando 53% da safra 2015/16 estava comercializada. Há avanço em relação à média dos últimos cinco anos, que aponta que 50% da produção normalmente já está negociada no período. Com isso, já foram comercializados 31,01 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2016/17 de 54,9 milhões de sacas.

Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, o fluxo comercial ganhou força diante da melhora no preço. Mesmo que de forma mais cadenciada, o produtor vem aproveitando o bom momento para fazer negócios. “Já é natural a comercialização ganhar mais ritmo a partir do mês de setembro, só que nesse ano o avanço foi mais expressivo por conta da puxada nas cotações e pela maior agressividade do comprador”, afirma. Barabach comenta que o mercado continua favorável ao produtor, diante das preocupações com a safra de café do Brasil de 2017, em função da falta de chuvas em época de floradas. “E, nesse sentido, continua valendo a estratégia de dosar as vendas e rentabilizar diante do bom momento. Mas isso sem afobação, pois as dúvidas produtivas podem trazer novas oportunidades”, observa. Mas, ele diz que é inegável que a Bolsa de Nova York próxima de 160 cents é bastante atrativa ao vendedor, e não só ao brasileiro. E adverte que a “volatilidade do mercado e de clima e os sinais de que o mercado está esticado demais na bolsa de NY podem estimular novas correções”, para baixo, nas cotações.


ARROZ

QUEDA DE DÓLAR FACILITA INGRESSO DE CEREAL IMPORTADO

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

Os preços do arroz em casca seguem oscilando ao redor de R$ 49 por saca na média do Rio Grande do Sul. Os grãos ofertados restringem-se aos produtores com necessidade imediata em fazer caixa para saldar parcelas de custeio. “Aqueles que estão capitalizados voltam as atenções para os trabalhos de plantio e aguardam momentos mais atrativos para negociar no pico da entressafra”, explica o analista de Safras & Mercado Élcio Bento. No lado comprador, a indústria reclama da dificuldade em repassar a alta do grão em casca para o beneficiado. “Com o dólar em baixa, o arroz dos parceiros do Mercosul torna-se competitivo”, lembra Bento. Saindo entre US$ 430 e US$ 440 a tonelada (beneficiado) FOB origem, o produto importado chegaria ao Cif paulistano entre R$ 57 e R$ 59 por fardo de 30 quilos. A indicação nacional na mesma praça está em R$ 62/fardo.

Por tudo isso, no dia 20 de outubro, a saca do grão em casca foi cotada a R$ 49,11 na média do Rio Grande do Sul. Comparado ao mesmo período do mês anterior, apresentava queda de 2,19%. Em comparação ao mesmo período do ano passado, a alta acumulada era de 21,7%. No âmbito internacional, destaque para a produção de arroz em casca do Brasil, estimada em 12,5 milhões de toneladas no ano comercial 2016/2017, ante 10,603 milhões do ano anterior. Tal volume representa 8,5 milhões de toneladas de arroz beneficiado. A área semeada foi prevista em 2,3 milhões de hectares para 2016/17, ante 2 milhões de hectares no ano anterior. As exportações para 2016/17 foram estimadas em 800 mil toneladas beneficiadas, ante 600 mil no ano comercial anterior.


SOJA

SAFRAS INDICA PRODUÇÃO DO BRASIL EM 103,477 MILHÕES DE TONELADAS

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

A produção brasileira de soja em 2016/ 17 deverá ficar em 103,477 milhões de toneladas, com aumento de 6,5% sobre a safra da temporada anterior, que ficou em 97,150 milhões de toneladas. A previsão faz parte do novo levantamento de Safras & Mercado. Na comparação com o relatório anterior, houve um pequeno ajuste para cima. Em julho, a estimativa era de 103,364 milhões de toneladas. Segundo o analista de Safras Luiz Fernando Roque, houve revisão nos números de área do Paraná e do Mato Grosso do Sul. Safras indica uma área plantada de 33,537 milhões de hectares, crescendo 1,1% sobre o total cultivado em 2015/16, de 33,015 milhões de hectares. A produtividade deverá passar de 2.943 quilos para 3.101 quilos por hectare. A produção do Mato Grosso deverá passar de 27,558 milhões para 29,240 milhões de toneladas, aumento de 6%. No Paraná, o aumento será de 4%, de 16,595 milhões para 17,301 milhões de toneladas. A safra gaúcha deverá totalizar 16,098 milhões de toneladas, com queda de 1% sobre o ano anterior.

O relatório de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) elevou as suas estimativas para produção e estoques finais norte-americanos para a temporada 2016/17. Para 2016/17, os estoques foram elevados de 365 milhões para 395 milhões de bushels. O mercado apostava em 415 milhões. A safra foi elevada de 4,201 bilhões para 4,269 bilhões, o equivalente a 116,2 milhões de toneladas. O mercado esperava 4,277 bilhões. As exportações foram elevadas de 1,985 bilhão para 2,025 bilhão de bushels. O esmagamento está projetado em 1,950 bilhão, mesmo número do relatório anterior.

Em relação à temporada 2015/16, o Usda indicou estoques de 197 milhões de bushels, contra 195 milhões do relatório anterior. A safra ficou estimada em 3,929 bilhões de bushels. As exportações foram reduzidas de 1,940 bilhão para 1,936 bilhão. O esmagamento baixou de 1,9 bilhão de bushels para 1,886 bilhão. O relatório de outubro projetou safra mundial em 2016/ 17 de 333,22 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 330,43 milhões. Os estoques finais foram elevados de 72,17 milhões de toneladas para 77,36 milhões. A projeção do Usda aposta em safra americana de 116,18 milhões de toneladas, contra 114,33 milhões do relatório anterior. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 102 milhões de toneladas – 101 milhões do relatório de setembro –, enquanto a safra argentina deverá ficar em 57 milhões de toneladas. A China deverá importar 86 milhões de toneladas, repetindo o número anterior.


ALGODÃO

QUEDA EM NOVA YORK DIMINUIU LIQUIDEZ INTERNA

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

O mercado doméstico de algodão encerrou a terceira semana de outubro “travado” nas diversas praças de negociação do Brasil. “A queda sofrida em Nova York deixou os compradores receosos para tomarem posições”, explica o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. Segundo o analista, seguiram as compras de necessidade imediata, com maiores volumes praticados na Região Sudeste. “É possível que, enquanto o mercado internacional não tomar uma melhor diretriz, os agentes fiquem mais afastados do mercado disponível no Brasil, com medo de errarem a mão na hora da compra”, projeta. Ou seja, poderá predominar negócios de necessidade imediata.

A forte demanda pelo algodão norteamericano, com exportações semanais de 74.063 toneladas, 50% maior que a semana anterior, não foi suficiente para sustentar os preços no mercado internacional. “O que dá a entender que, na leitura do mercado, talvez os preços internacionais estejam esticados e percam força para operar acima dos US$ 0,71 por libra-peso”, pondera. Pela terceira semana consecutiva, o Brasil aparece como importador do algodão norte-americano, segundo o relatório de vendas líquidas dos Estados Unidos, divulgado em 20 de outubro. “O volume foi de 608 toneladas, menor do que o praticado na semana anterior, mas liga o alerta que os estoques de passagem deverão ser curtos e algumas indústrias já estão se antecipando diante de uma possível escassez de oferta”, explica. No Cif de São Paulo, a pluma estava sendo indicada a R$ 2,48 centavos por libra-peso no dia 20 de outubro. Quando comprado ao mês anterior, apresentava queda de 1,59%. Em relação ao ano anterior, a alta era de 5,53%.


MILHO

PREÇOS EM QUEDA NO BRASIL PODEM AFETAR A ÁREA DE SAFRINHA

Arno Baasch - arno@safras.com.br

O mercado de milho chegou aos últimos dias de outubro mantendo um quadro baixista nos preços no Brasil. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, a expectativa era de que esse movimento, observado em agosto e setembro, pudesse ser revertido ao longo do último trimestre, mas novos fatores surgiram e contribuíram para pressionar as cotações do cereal.

O analista destaca que em um momento de ajuste e de escassez no crédito no Brasil, o milho passou a ser utilizado como uma “moeda” por parte dos produtores, que passaram a demandar maiores volumes do cereal para a compra de fertilizantes e outros insumos necessários ao cultivo da soja. “Esse movimento pode ser observado nas tradings, cooperativas, revendas e cerealistas, independentemente do quadro de oferta e demanda nacional”, disse.

Molinari afirma que os baixos preços do milho nos portos têm feito as tradings direcionarem as vendas de forma agressiva no mercado interno. “Além desse indicador, as chuvas em excesso no Rio Grande do Sul já favorecem uma queda nos preços do trigo, o que poderia atrair o interesse de compra por parte das indústrias para demandarem maiores volumes do cereal como um substituto ao milho”, comenta.

O analista ressalta ainda que os baixos preços internos do cereal neste momento têm feito com que os negócios voltados à aquisição de insumos para a safrinha 2017 permaneçam muito lentos. “Caso essa tendência seja mantida, poderia haver um indicativo de uma possível retração na área de milho a ser cultivada no próximo ano”, alerta.


TRIGO

ATRATIVIDADE DO GRÃO IMPORTADO REDUZ LIQUIDEZ DO BRASILEIRO

Gabriel Nascimento - gabriel.antunes@safras.com.br

O mercado brasileiro de trigo mantém cenário de baixa liquidez interna, com produto importado ingressando a preços mais atrativos, principalmente o paraguaio, que deve permanecer com bom fluxo nos próximos 30 dias. Depois disso, é esperada a entrada do cereal argentino no Brasil, também a preços mais atrativos, pressionando as cotações internas pelas paridades de importação. Boa parte do trigo paranaense já foi colhida, atingindo aproximadamente 80% da área plantada, enquanto no Rio Grande do Sul esse percentual deveria chegar a 20% em 28 de outubro.

Nos dois estados, a qualidade do cereal colhido é boa, bem como a produtividade elevada, apesar das chuvas recentes, que não causaram estragos mais significativos as lavouras. A expectativa é de manutenção do cenário de baixa liquidez para as próximas semanas, bem como da pressão baixista aos preços, tanto pela retração da demanda, quanto pela entrada de trigo importado, potencializado pela recente queda do dólar frente o real.

“Analisando uma possível mudança de cenário, somente com a entrada mais agressiva de compradores no mercado para haver uma minimização da tendência de queda, e mesmo assim, não são garantidas recuperações de preços. A expectativa dos agentes é que o Governo atue pelo menos até o próximo mês no mercado (novembro)”, avalia o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro. A produção de trigo Paraná deve ficar em 3,245 milhões de toneladas na safra 2015/16, abaixo das 3,285 milhões de toneladas colhidas na safra 2014/15. O rendimento médio deve ficar em 2.995 quilos por hectare na safra 2015/16, acima dos 2.248 quilos obtidos na safra anterior (2014/15).

No Rio Grande do Sul, a colheita na região de Santa Rosa, no Norte do estado, já avançava sobre mais de um terço da superfície plantada, que, segundo o engenheiro agrônomo da Cotrirosa Taciano Reginatto, fica em torno de 56,7 mil hectares, sendo 9 mil hectares em Santa Rosa. O agrônomo destacou as chuvas expressivas recebidas pela região e disse que os trabalhos devem ser finalizados entre 5 e 10 de novembro. Entre os relatórios mais importantes dos últimos 30 dias, está o relativo aos estoques trimestrais dos Estados Unidos. Em 1º de setembro as reservas totalizaram 2,53 bilhões de bushels – + 21% em relação a 2015.