Na Hora H

 

A AGROPECUÁRIA PRECISA DE APOIO PARA AJUDAR O BRASIL

ALYSSON PAOLINELLI

A produção agropecuária no Brasil é a única área onde efetivamente somos competitivos. Temos uma demanda expressiva e onde se pode confiar em uma resposta imediata. Não há razões, portanto, para dúvidas ou protelações para atender as demandas básicas para que o setor realize uma grande safra e cumpra o seu papel importante diante da crise em que vivemos. Estou chamando a atenção para esse fato porque até agora ainda não se definiram bem os recursos para o custeio das safras, e os produtores rurais estão sem condições de realizar todas as tarefas que pretendem diante dos apertos que estão passando. Por outro lado, não podem faltar também os indispensáveis recursos para os investimentos, como ampliação das áreas anteriores e a compra de máquinas e equipamentos que possam atender a expansão e o crescimento da produção.

Se este ano ainda teremos de correr os riscos das perdas por intempéries, entendemos que, pelas características dos mercados, provavelmente pouco risco se terá em relação a preço. Com a precariedade dos recursos existentes para o seguro rural, o nosso ministro da Agricultura, Blairo Maggi, já preveniu que fará ainda neste ano o sistema tradicional que se puder, e que, se tudo correr bem, proximamente ele implantará o novo seguro rural, que nos guardará a todos, tanto das intempéries como dos mercados. Todos estamos confiantes de que Deus é mesmo brasileiro e que neste ano irá nos ajudar para que a nossa safra volte a ser esplendorosa, e que ela venha para ajudar tanto os agricultores como os consumidores. E que ainda sobre muito para exportar e fazer render os US$ 100 bilhões que tanto vem ajudando a nossa economia.

Alertamos, no entanto, que não há mais tempo a se perder e pensar que se possa formar a bela safra que tem de ser colhida com os juros malucos de um mercado totalmente descontrolado, ou esperar que os produtores se sujeitem a vendas antecipadas (barter) será por demais arriscado. A safra está aí. Em algumas regiões já praticamente está plantada e outras ainda esperam a melhoria no “tempo” e nas condições de apoio que recebem.

A oportunidade é agora. E se tiverem cabeça ou visão, vamos todos fazer o nosso esforço para que o Brasil comece de fato a sair deste imbróglio em que se meteu. Os gaúchos têm um ditado que é muito certo: “Não se troca de cavalo no meio do banhado”. Não é hora de titubear ou ter dúvidas sobre o que fazer nesta crise. Vamos produzir o máximo que for possível, nos abastecer corretamente e exportar tudo o que for possível. Sabemos que há muita coisa a se fazer para melhorar as nossas condições de produção e haveremos de ter o bom senso, para, na hora adequada, recolocar tudo que for necessário em seus devidos lugares. Porém, agora, pelo amor de Deus, vamos produzir o máximo possível, e as condições para isso não podem ser negadas.

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura