Agribusiness

CAFÉ

BRASIL DEVERÁ COLHER 49,64 MILHÕES DE SACAS

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

A terceira estimativa da Safra 2016 de café da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que o Brasil deverá colher 49,64 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiado. O resultado representa um acréscimo de 14,8%, se comparado à produção de 43,24 milhões de sacas obtidas em 2015. Quanto à área plantada, totaliza 2,22 milhões de hectares e é 1,3% menor do que a registrada em 2015.

Desse total, 270 mil hectares (12,2%) estão em formação e 1,95 milhão de hectares (87,8%), em produção.

O café-arábica representa 83,2% da produção total do País e estima-se que sejam colhidas 41,29 milhões de sacas nesta safra, que é de ciclo de bienalidade positiva.

Isso representa um acréscimo de 28,8% em relação à safra passada, resultado, principalmente, do aumento de 45,5 mil hectares da área em produção e às condições climáticas favoráveis.

A produção do conilon, que representa 16,8% do total do País, está estimada em 8,35 milhões de sacas, o que aponta uma redução de 25,3% em relação à safra passada. O resultado deve-se à redução de 4% na área em produção e, sobretudo, à seca e à má distribuição de chuvas por dois anos consecutivos nos estágios de florescimento, formação e enchimento de grãos no Espírito Santo, maior produtor da espécie.

Para a área total plantada, estimada em 463,7 mil hectares, o levantamento indica redução de 3,8%. Desse total, 424,7 mil hectares estão em produção e 39 mil hectares, em formação. No Espírito Santo está a maior área, com 286 mil hectares.


ARROZ

CEREAL GAÚCHO MOSTRA LEVE FRAQUEZA, MAS VOLTA A VALER MAIS DE R$ 50/SACA

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

O mercado brasileiro de arroz mostrou uma leve fraqueza na primeira metade de setembro, chegando a operar abaixo de R$ 50 por saca de 50 quilos. “Porém, retornou rapidamente ao patamar anterior, já que os fatores fundamentais seguem favoráveis aos preços”, explica o analista de Safras & Mercado, Élcio Bento. “Para fechar o quadro de abastecimento, o País ainda precisará comprar um grande volume no mercado internacional”. Sendo assim, pressões de baixas nos próximos meses tendem a ser pontuais, em momentos de maior necessidade de venda. Conforme o analista, o espaço para novas elevações também depende de alterações no mercado internacional e/ou câmbio. “Sendo assim, o momento segue sendo para escalonar vendas e seguir negociando”, frisa.

Na média do Rio Grande do Sul, a saca era cotada a R$ 50,21 no dia 20 de setembro, acumulando perda de 0,59% em relação ao mesmo período do mês anterior e alta de 32,77% frente a igual momento o ano passado. No âmbito internacional, destaque para o relatório de setembro de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), divulgado dia 12, estimou a produção mundial de arroz beneficiado em 481,73 milhões de toneladas para 2016/17, ante 481,08 milhões no mês passado. Para 2014/15, foi estimada safra de 471,69 milhões de toneladas. As exportações mundiais foram estimadas em 40,94 milhões de toneladas para 2016/17, ante 40,65 milhões no mês passado. A estimativa para o consumo é de 478,80 milhões de toneladas para 2016/17, ante 478,83 milhões de toneladas indicadas no mês anterior.


SOJA

USDA PROJETA MAIOR SAFRA DA HISTÓRIA DOS EUA

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

O relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) elevou as suas estimativas para produção e estoques finais norte-americanos para a temporada 2016/17. O Usda cortou a sua previsão para os estoques em 2015/ 16; e para 2016/17, os estoques foram elevados de 330 milhões para 365 milhões de bushels. O mercado apostava em 333 milhões. A safra foi elevada de 4,06 bilhões para 4,201 bilhões, o equivalente a 114,33 milhões de toneladas. O mercado esperava 4,100 bilhões. As exportações foram elevadas de 1,95 bilhão para 1,985 bilhão de bushels. O esmagamento está projetado em 1,950 bilhão, contra 1,940 bilhão do relatório anterior.

Em relação à temporada 2015/16, o Usda indicou estoques de 195 milhões de bushels, contra 255 milhões do relatório anterior e contra 228 milhões projetados pelo mercado. A safra ficou estimada em 3,929 bilhões de bushels. As exportações foram elevadas de 1,880 bilhão para 1,940 bilhão de bushels. O esmagamento seguiu estimada em 1,9 bilhão de bushels. O Usda projetou safra mundial em 2016/17 de 330,43 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 330,41 milhões. Os estoques finais foram elevados de 71,24 milhões de toneladas para 72,17 milhões. A projeção do Usda aposta em safra americana de 114,33 milhões de toneladas, contra 110,5 milhões do relatório anterior. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 101 milhões de toneladas – 103 milhões do relatório de agosto, enquanto a safra argentina deverá ficar em 57 milhões de toneladas.

A China deverá importar 86 milhões de toneladas, contra 87 milhões projetadas em agosto. Para 2015/16, o Usda indicou safra mundial de 312,97 milhões de toneladas. Os estoques tiveram projeção de 72,9 milhões de toneladas. A safra americana está estimada em 106,93 milhões. A safra brasileira tem projeção de 96,5 milhões e a Argentina, de 56,8 milhões de toneladas. A China deverá importar 82,5 milhões de toneladas.

Os produtores brasileiros de soja deverão cultivar 33,488 milhões de hectares em 2016/17, a maior área da história, crescendo 0,9% sobre o total do ano passado, de 33,181 milhões. A projeção faz parte do levantamento de intenção de plantio de Safras & Mercado. Com um possível aumento de produtividade, de 2.943 quilos para 3.101 quilos por hectare, a produção nacional tem chance de superar a casa de 100 milhões de toneladas, sendo estimada inicialmente em 103,364 milhões de toneladas, 6,4% superior à obtida em 2015/16, de 97,150 milhões de toneladas.


ALGODÃO

COTONICULTORES DÃO PREFERÊNCIA AO CUMPRIMENTO DE CONTRATOS

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

O mercado doméstico de algodão encerrou a primeira quinzena de setembro com poucos negócios concretizados no físico. “Com o beneficiamento mais avançado, visto que a colheita vai chegando ao final nos maiores estados produtores do Brasil, muitos cotonicultores estão dando preferência para o cumprimento de contratos previamente acordados, o que diminui a liquidez no spot”, explica o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. No Cif de São Paulo, a pluma estava sendo indicada a R$ 2,52 por librapeso no dia 20 de setembro. Quando comparado ao mês anterior, apresentava queda de 1,56%. Em relação ao ano anterior, a alta era de 8,15%.

No âmbito externo, destaque para o relatório de oferta e demanda de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), divulgado dia 12, que estimou a produção global de algodão em 102,47 milhões de fardos, ante os 101,58 milhões de fardos indicados no mês anterior. As exportações mundiais foram estimadas em 33,91 milhões de fardos para 2016/17, ante 34,02 milhões no mês de agosto. A estimativa para o consumo mundial é de 111,23 milhões de fardos, ante 111,26 milhões de fardos indicados no relatório anterior. Os estoques finais foram projetados em 89,81 milhões de fardos, ante 89,61 milhões de fardos projetados no relatório passado.

A expectativa é que a China colha 21 milhões de fardos na temporada 2016/17, mesmo patamar do relatório anterior. O Brasil tem a safra 2016/17 estimada em 6,65 milhões de fardos, mesmo patamar do mês anterior. A produção indiana de algodão deve chegar a 26,5 milhões de fardos em 2016/17. E os norte-americanos deverão colher 16,14 milhões de fardos em 2016/17.


MILHO

ÁREA DE VERÃO CRESCERÁ MENOS QUE O ESPERADO

Arno Baasch - arno@safras.com.br

O mercado de milho aproximou-se do final de setembro com uma dinâmica de poucos negócios no mercado interno e com as atenções voltadas às expectativas de plantio para a safra verão 2016/17. A mais recente estimativa de Safras & Mercado apontou para uma recuperação de 6,4% na área em relação aos 3,902 milhões de hectares cultivados na safra verão 2015/16, devendo alcançar 4,152 milhões de hectares. O analista de Safras & Mercado Paulo Molinari ressalta, porém, que esse avanço será menor que o esperado anteriormente, por uma série de fatores. “Algumas empresas de insumos apontam escassez de produtos, como sementes, para atender aos produtores e os preços acabaram subindo, até mesmo com a perspectiva de forte aumento na área. Os preços bons do feijão e da soja estão favorecendo o cultivo dessas culturas, que passaram a ter uma maior competição de área com o milho, também aparecendo como um fator inibidor”, explica.

Molinari acrescenta como elementos negativos ao plantio a baixa de preços do cereal nas últimas quatro semanas, a escassez de contratos para comercialização futura do cereal em meio ao aperto de crédito e as incertezas quanto ao clima. “Em muitas localidades, a chegada do fenômeno La Niña ou de um clima neutro assusta e o milho é um alvo fácil de situações climáticas problemáticas, o que pode fazer com que o cultivo de milho ganhe força na segunda safra”, detalha. Molinari estima que o rendimento médio da safra verão 2016/ 17 possa atingir 5.854 quilos por hectare, o que contribuiria para uma colheita de 24,305 milhões de toneladas de milho, acima das 22,701 milhões de toneladas registradas na primeira safra deste ano.


TRIGO

MERCADO BRASILEIRO OBSERVA COLHEITA NO PR E NOTÍCIAS EXTERNAS

Gabriel Nascimento - gabriel.antunes@safras.com.br

O mercado brasileiro de trigo avalia a boa evolução da colheita no Paraná, bem como as boas condições das lavouras do Rio Grande do Sul, o que indica uma safra cheia no País. Segundo o analista de Safras, Jonathan Pinheiro, o efeito imediato disso é a pressão que, “potencializada pela elevação da produção na Argentina, bem como pelos amplos estoques mundiais, pode derrubar os preços internos a patamares abaixo do mínimo estipulado pelo Governo”. Pinheiro destaca que, inicialmente, o baixo volume colhido no âmbito nacional limita o impacto baixista. “Os referenciais de preços futuros para safra nova, tanto no Rio Grande do Sul como no Paraná, indicam sequências de baixas desde o início da ceifa paranaense.

Dessa forma, muitos compradores estão retraídos, observando até onde as cotações irão chegar, para voltar a negociar aos preços mais atrativos possíveis”. Conforme o analista, a colheita no Paraná deve fazer com que os preços domésticos iniciem um ajuste à paridade de importação. “Além disso, assim como ocorreu no final da temporada passada, o preço do milho continuará sendo uma referência para a formação de preço de trigo”. Ele explica que, quando o ingresso da safra ganhar força, as cotações nacionais devem buscar a referência no balizador que estiver mais elevado. “Se o preço do milho estiver acima da paridade de importação, será esse o balizador. Se estiver abaixo, o trigo importado será a referência. Com os preços internacionais em queda e o dólar próximo de R$ 3,20, a tendência ainda é de baixa”.