Notícias da Argentina

 

INDEFINIÇÃO SOBRE AS RETENÇÕES

Logo que chegou à Casa Rosada, o presidente Mauricio Macri cumpriu com a promessa feita ao campo e reduziu de 35% a 30% os direitos de exportação da soja, enquanto eliminava as mesmas taxas para o restante dos cultivos. Essa foi só a primeira parte, já que o presidente havia antecipado que reduziria paulatinamente as retenções à soja na razão de cinco pontos por ano, até erradicar totalmente o imposto. Agora, existem negociações para analisar se é melhor cumprir essa parte do acordo ou se é melhor alterar as regras. Inclusive há representantes do setor que sugerem que esses recursos sejam direcionados a outras frentes, em especial às economias regionais. A ideia é encontrar um consenso entre o setor para que uma nova proposta sobre o assunto seja apresentada. O que está em jogo é se o Estado vai reduzir as retenções da soja para 25%. Sabe-se que o custo fiscal dessa medida é elevado, sobretudo logo depois que foi postergada a alta das tarifas da energia elétrica no país. Por essa razão, existem setores do Governo que enxergam com bons olhos uma postergação da medida.


TRIGO

Com adequada umidade e sanidade, os lotes implantados com trigo seguem em bom desenvolvimento nas etapas críticas do ciclo fenológico. As condições mantêm-se estáveis graças às precipitações registradas no começo de setembro. Até o final do mês passado, em torno da metade dos 4,3 milhões de hectares cultivados encontravam-se na etapa de perfilhamento.

SOJA

As vendas de soja da última safra estão em ritmo lento devido à incerteza sobre a redução das retenções. A indústria está começando a reclamar da indefinição do Governo a respeito da promessa de baixar 5% os direitos de exportação da oleaginosa. Dessa forma, os produtores estão retendo o grão, e as vendas estão 10% menores em relação a 2015, o que afeta a operação das empresas de processamento.

LEITE

Representantes do setor alegam que a crise provoca o fechamento de três tambos por dia. Entre as propostas dos produtores para estancar os problemas estão a criação de um fundo anticíclico, o estabelecimento de preços de referência e o cumprimento de contratos confiáveis para a compra e venda de leite cru. Entre 1995 e 2015, a estimativa é de que mais de 19 mil propriedades encerraram as atividades no país.

CARNE

O Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina (IPCVA) e o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) firmaram um convênio com o objetivo de planejar ações e projetos para elevar a produtividade da pecuária no país. A iniciativa inclui a realização de dias de campo e seminários regionais em que é realizada a troca de experiência entre técnicos e produtores.


PROTESTO DE FRUTICULTORES

Um protesto de produtores de peras e maçãs do Sul argentino que chegaram a Buenos Aires levando frutas para a frente da sede do Governo alcançou grande repercussão. A cena ultrapassou o debate econômico e produtivo e confundiu-se com os problemas de pobreza e poder aquisitivo em uma situação de crise. Os organizadores da manifestação alegaram que em torno de 2 mil produtores estão praticamente quebrados. “A produção frutícola está em extinção”, dizia um produtor enquanto distribuía frutas entre a população. José García, presidente da Câmara de Produtores de General Roca, advertiu que a quantidade de postos de trabalho caiu de 90 mil para 30 mil nos últimos anos. Dias depois do protesto dos fruticultores, houve manifestação dos produtores de verduras, quando foram discutidos assuntos como o uso de defensivos e a diferença de preços que existe entre produtores e consumidores. O ministro da Agroindústria, Ricardo Buryaile, falou aos manifestantes: “A Argentina é um país que tem 90% da produção cultivada com organismos geneticamente modificados. Nossa agricultura utiliza agroquímicos e fertilizantes de uma forma responsável e, por isso, podemos vender para todo o mundo”. Sobre as reclamações dos produtores, o ministro anunciou a abertura de 62 espaços de comercialização em diferentes municípios do país para estimular a venda nas feiras.