Internacional

 

Compromissos da BAYER com a agricultura mundial

O evento Future of Farming Dialog – Perspectives on Sustainable Agriculture reuniu em setembro, em Leverkusen, Alemanha, a cúpula da Bayer Crop Science e 150 jornalistas dos cinco continentes, incluindo profissional d’A Granja

Leandro Mariani Mittmann*
leandro@agranja.com.br

O futuro da agricultura e seus desafios, sobretudo em relação à sustentabilidade ambiental, e as metas da empresa alemã Bayer Crop Science para a agricultura mundial – e brasileira – foram alguns dos temas abordados na 26ª edição do Future of Farming Dialog – Perspectives on Sustainable Agriculture, grande evento global promovido pela companhia na sede da Bayer AG, em Leverkusen, Alemanha, na segunda semana de setembro, encontro que teve a participação de 150 jornalistas da imprensa mundial, incluindo A Granja. O evento ocorreu uma semana antes de a Bayer anunciar a aquisição da americana Monsanto, por US$ 66 bilhões. Desde que aprovadas pelos organismos reguladores, a Bayer será responsável por 25% do mercado mundial de sementes e defensivos, e a maior do segmento no Brasil.

Muitas foram as atividades promovidas para os visitantes. Como a entrevista coletiva da cúpula da empresa. Em sua explanação, o presidente da Divisão Agrícola da Bayer, Liam Condon, lembrou a evolução histórica da agricultura, desde o extrativismo até os anos mais recentes, em que a população urbana superou a que trabalha no campo. Portanto, cabe às pessoas que permanecem na agricultura gerar alimentos em quantidade suficiente para suprir também as que não podem produzir. Em meio a essa mudança de conjuntura, a população mundial saltou de 2,5 bilhões de pessoas em 1950 para mais de 7 bilhões atualmente, e deverá atingir 10 bilhões em 2050. “Isso vai botar muita pressão no nosso planeta”, lembrou Condon. “Alimentar o maior número de pessoas com terras aráveis reduzidas”, mencionou um dos desafios.

Liam Condon falou para 150 jornalistas de todo o mundo: Bayer vai investir 2,5 bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento entre 2017 e 2020

A obrigação em aumentar a produção de comida vai se dar, também, em um contexto de aquecimento global, secas e enchentes e pressões fitossanitárias. E, mais do que produzir em situações adversas, impõe-se a obrigação de gerar alimentos de maneira sustentável. “Não é só produzir. Produzir o suficiente de forma sustentável. Aumentar a produção e preservar os recursos naturais”, acrescentou. O dirigente destacou que são 500 milhões de agricultores no mundo, a maioria em condições de pobreza, subsistência e à mercê diretamente do clima, além da falta de tecnologias, de mercados e de crédito, em países como Índia e Quênia, exemplificou. “É importante, é um desafio cobrir os problemas desses agricultores”, disse. “Os problemas são muito complexos”.

É nesse contexto desafiador que entram as tecnologias e as iniciativas de âmbito social e ambiental da Bayer Crop Science. Desde a geração de produtos e serviços para o controle fitossanitário das lavouras, até a chamada agricultura digital, que, a partir de aplicativos de celulares, a pulverização torna-se mais precisa e menos danosa à natureza. Pela ferramenta desenvolvida pela empresa chamada Digital Farming, a partir do apoio de imagens de satélite será possível “pulverizar o lugar da praga”, define o dirigente. “O produto correto no tratamento correto no momento correto”, resumiu a inovação ainda em teste e que poderá ser realidade para o produtor em três a cinco anos. “A solução ideal para o caso específico”, resumiu Condon. “Você protege o cultivo, mas com um tratamento mínimo”. A tecnologia foi considerada por Condon como um “novo patamar” na agricultura.

Investimentos até 2020 — Condon destacou que, apesar das sucessivas crises do setor agrícola e/ou da economia mundial ou de países específicos, a Bayer sempre aumentou os investimentos em pesquisa & desenvolvimento. “Isso é o que nos traz desenvolvimento”, justificou. “É o último setor em que vamos poupar gastos”. E anunciou que no quadriênio 2017-2020 serão destinados 2,5 bilhões de euros a essas áreas, ou 10% das vendas previstas. “São cifras notáveis”, avaliou. Os valores serão aplicados em produtos e serviços, e, inclusive, em projetos implementados juntos de parceiros de vários países. Entre esses, citou um trabalho com abelhas polinizadoras em soja em parceria com a Embrapa.

Jovens do Youth Ag-Summit — Outro dos projetos da Bayer envolve jovens agricultores, o Youth Ag-Summit, composto por 124 produtores de 33 países (incluindo uma brasileira), que abrem as portas de suas propriedades à empresa, assim como eles participam de discussões e de outros eventos da Bayer pelo mundo. Como o uruguaio Rodrigo Suzac Acevedo, 26 anos, que esteve no evento em Leverkusen. Acevedo é engenheiro agrônomo e produz soja e pecuária em uma área arrendada de 300 hectares. “Os integrantes discutem diferente soluções para os seus países que podem ser usados em outros países”, descreve uma das funções práticas do programa, que ele integra desde o ano passado. O Youth Ag-Summit teve uma grande conferência mundial no ano passado, na Austrália, e terá mais uma edição em 2017, na Bélgica.

Uruguaio Rodrigo Acevedo, integrante do programa Youth Ag-Summit: troca de experiências sobre agricultura entre jovens de diferentes países

*O jornalista esteve no evento a convite da Bayer Crop Science


BRASIL É “IMPORTANTÍSSIMO” PARA A BAYER

Marc Reichardt (foto), líder global para as Operações Comerciais da empresa, ressaltou no Future of Farming Dialog – Perspectives on Sustainable Agriculture a importância da agricultura brasileira, tanto para a Bayer Crop Science como para prover alimentos em nível global no futuro. Segundo ele, a América Latina é um “mercado em expansão”, e o Brasil “tem papel preponderante”. “O Brasil continua sendo um mercado importantíssimo para nós”, avaliou. “Sempre que estamos falando de Brasil, falamos de alta tecnologia.

O produtor é muito profissional com nível de tecnologia muito alto”, disse. “O futuro da agricultura está no Brasil”. Para ele, o Brasil vai ter “papel fundamental para solucionar o problema” de alimentar 10 bilhões de pessoas em 2050. E apesar de o momento ser considerado pelo dirigente difícil para muitos produtores do Brasil visto a quebra de safra em razão do clima em regiões do Centro- Oeste e Matopiba, além do aumento das taxas de juros de custeio e financiamento, Reichardt entende que o produtor brasileiro não vai deixar de investir em tecnologias. “A área não vai aumentar, mas, conhecendo o produtor brasileiro, ele vai continuar investindo”.