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CRESCE PRODUÇÃO DE ALIMENTOS ORGÂNICOS

A Argentina está aumentando sua produção de alimentos orgânicos. Segundo informações do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa), a área colhida no país apresentou um crescimento de 10% em 2015. O destaque fica por conta dos cultivos de legumes e hortaliças (com aumentos de até 200%) e com 75.472 hectares.

A falta de um mercado interno maduro faz com que a maior parte da produção seja exportada, principalmente aos Estados Unidos. Os preços altos dos produtos representam o principal entrave para a expansão do consumo no próprio país. O presidente do Movimento Argentino para a Produção Orgânica (Mapo), Pedro Landa, destaca que algumas desvantagens no modelo atual estão levando produtores a buscarem formas mais sustentáveis e eficientes de manejo. “Percebemos problemas de perda de fertilidade e pragas, além do aumento dos custos e da necessidade da combinação de agroquímicos para sustentar produtividades”, afirma.

TRIGO

A área plantada com trigo apresenta um incremento de 19,4% na atual safra, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. No final do mês passado, o cultivo estava praticamente finalizado nos 4,3 milhões de hectares. A condição das lavouras em 44% da área era considerada muito boa até o fim de agosto.

SOJA

A safra Argentina de soja encerrou em 56 milhões de toneladas. Foram cultivados 20,1 milhões de hectares, e as perdas foram registradas em 1,65 milhão de hectares, devido às condições do clima. Mesmo assim, algumas regiões registraram produtividades recordes para as últimas 15 temporadas.

LEITE

O momento segue tenso para os produtores de leite. As variações climáticas, a redução dos preços internacionais, as disparidades entre o que recebe o produtor e o que paga o consumidor e o incremento dos custos nas propriedades afetam o desempenho da produção e obrigam muitos a deixarem a atividade.

CARNE

A oferta de boi gordo e os preços em dólares do gado são insuficientes para incrementar significativamente os volumes de carne para exportação em curto e médio prazos. O preço do quilo do novilho vale, em média, US$ 2,15, valor 1,5% acima do registrado no mês passado.


CONTAS QUE NÃO FECHAM

A conta não fecha entre a receita nas propriedades e os preços no varejo. Enquanto os produtores recebiam nos anos de 2014 e 2015 entre 2,10 e 4 pesos pelo litro do leite, os consumidores pagavam entre 18 e 22 pesos. “O preço ideal do litro do leite deveria ser 16 pesos, enquanto o produtor deveria receber cerca de 6,50 pesos. No entanto, para isso acontecer, precisamos de uma cadeia estabilizada e com relações razoáveis entre os diferentes elos, ou seja, produtor, indústria e varejo”, ressalta o analista Eduardo Baravalle, do Departamento de Produção Animal da Faculdade de Ciências Veterinárias da Universidade Nacional do Litoral (UNL). Além dos preços, os produtores vêm sendo afetados pela alta nos custos, especialmente devido às cotações do milho e da soja, que são os principais componentes da ração animal.


A CRISE NA CADEIA LEITEIRA

O clima e a redução do preço internacional ajudam a explicar a crise do setor leiteiro no país. A estimativa é de que entre maio e julho deste ano tenha sido encerrada a atividade em cerca de 500 propriedades em Santa Fé, a principal província produtora. O setor era um dos mais emblemáticos da economia argentina e, sem dúvida, um dos mais modernos, com agregação de valor, diversificação de produtos, muita mão de obra e qualidade reconhecida internacionalmente. Agora, além dos tambos paralisados, há outros em situação crítica, indústrias enfrentando problemas financeiros, rebanhos sendo liquidados e uma grande queda na produção. Para este ano, a projeção de recuo fica entre 20% e 25%, ou seja, ao redor de 2 bilhões de litros. Não há indícios de mudanças em curto prazo, apesar das reivindicações dos produtores.