Agricultura Familiar

EUCALIPTO para agregar renda à propriedade

José Mauro Magalhães Ávila Paz Moreira, pesquisador em Economia e Planejamento Florestal da Embrapa Florestas

Os cultivos florestais apresentam características diferentes dos cultivos agrícolas. Se bem conhecidos, podem auxiliar o produtor a melhorar o uso da sua propriedade e obter uma diversificação das suas fontes de renda ou, pelo menos, um investimento de médio ou longo prazo que permita uma entrada de capital na propriedade, possibilitando a realização de outros investimentos considerados necessários ao bom desenvolvimento da agricultura de pequena escala (familiar). A primeira ação do produtor ao investir em um cultivo florestal é observar em qual mercado ele irá ofertar o seu produto.

É possível destacar dois tipos de destino para a produção de eucalipto em pequena escala: o mercado de madeira propriamente dito e o autoconsumo dentro da propriedade familiar. Várias podem ser as atividades de autoconsumo, tais como fonte de energia (na residência, em aviários, granjas de suínos, entre outros), reposição de cercas ou construções rurais. Quando utilizada dessa forma, não incorre em custos de transporte e tem o seu valor determinado não pelo preço de venda, mas pelo preço que seria pago na sua aquisição.

Caso opte por produzir madeira para atender o mercado, pode-se destinar a sua produção para celulose, energia ou desdobro de madeira (serrarias e laminadoras). Nese caso, deve-se atentar para as condições de colheita e transporte até o cliente final, mesmo que ele comercialize a madeira em pé e não se responsabilize por tais atividades. O preço que o produtor irá receber vai variar de acordo com o mercado, mas será em função dos custos de colheita e transporte, uma vez que o comprador irá definir o valor pago pela madeira em pé após subtrair esses custos do preço pago pelo consumidor final. Possuir condições de escoamento da produção a um custo baixo (proximidade do consumidor final e/ou boa infraestrutura de logística e transporte na região) é uma questão importante que aumenta a competitividade do plantio florestal destinado ao mercado.

A segunda ação importante é a escolha da espécie de eucalipto a ser plantada. O clima da região de plantio interfere bastante no sucesso do cultivo, uma vez que a maioria das espécies de eucalipto não tolera climas frios. Existem, ainda, espécies mais apropriadas de acordo com a finalidade do plantio. Para isso, deve ser consultada a assistência técnica local.

Mais valor — Sistemas de manejo para produtos mais homogêneos, como lenha ou celulose, permitem ciclos produtivos mais curtos (seis a oito anos), são mais simples de serem executados, mas resultam em produtos de madeira de menor valor agregado. Caso o agricultor/ silvicultor queira obter produtos de maior valor agregado (madeira para serraria e/ou laminação), há a necessidade de maiores cuidados com o plantio, com a execução de desbastes (corte dos piores indivíduos do plantio, de maneira distribuída, para permitir que as melhores árvores atinjam maiores diâmetros, com melhores preços) e, em alguns casos, a execução de desramas (se houver mercado para madeira desramada com preço diferenciado na região do agricultor) para obter madeira limpa de nós (clear wood). Há que se ter em mente que a obtenção de produtos de maior valor agregado exige maiores cuidados e investimento, além de acesso a um mercado que pague um preço diferenciado para tais produtos.

A produtividade é outro fator muito importante para determinar a competividade, principalmente na pequena propriedade. A escolha de mudas de qualidade (bom material genético), o uso da recomendação de adubação e do espaçamento correto são fundamentais para se garantir boa produtividade, independentemente da escala de produção. O cuidado com pragas e doenças, principalmente o controle de formigas cortadeiras, execução de capinas e roçadas no primeiro e segundo anos, evitando a competição do plantio com ervas daninhas, são tratos silviculturais que permitirão alcançar a máxima produtividade possível no local selecionado para o plantio.

A demanda de operações dos cultivos florestais é menor que em cultivos agrícolas, ocupando a mão de obra do produtor por menos tempo. Além disso, ela se concentra muito nos dois primeiros anos de cultivos e na colheita, exigindo apenas o controle de formigas e os cuidados para evitar a incidência de fogo nos demais anos da cultura, facilitando a alocação da mão de obra familiar em várias atividades dentro da propriedade, e permitindo o planejamento das operações em janelas em que o produtor esteja com menor demanda de trabalho, reduzindo o seu custo e minimizando a necessidade de contratação de mão de obra terceirizada.

A escolha do local da propriedade onde será inserido o cultivo florestal também terá influência na sua competitividade e capacidade de contribuição para obtenção de renda do pequeno produtor. Caso ele esteja bem localizado em relação ao mercado consumidor e queira obter uma maior renda com a produção florestal, o cultivo pode ser direcionado em terras melhores na propriedade (o que irá possibilitar uma maior produtividade) e de relevo menos acentuado (que permitirá um melhor rendimento das operações de colheita, reduzindo o seu custo). Entretanto o produtor deixará de obter renda com a cultura anteriormente utilizada, devendo o seu ganho ser considerado como um custo de uso da terra, que deve ser remunerado pelo cultivo florestal.

Caso o produtor tenha outros usos mais rentáveis para esses solos, pode realizar o cultivo florestal em terras menos nobres na sua propriedade. Essa estratégia reduz o potencial de ganho uma vez que reduz a produtividade potencial do cultivo florestal, mas também reduz o seu custo devido ao produtor continuar obtendo renda das melhores terras com outros cultivos. Assim, ele tem baixo custo de uso da terra, uma vez que a mesma era destinada a fins pouco produtivos na propriedade.

Como qualquer atividade, o lucro obtido com a produção florestal é a diferença entre receita e despesa. Podese obter lucro ou aumentar a receita com o aumento de investimento (primeiro caso), ou obter uma receita mais baixa, mas então com um custo menor ainda (segundo caso). Tudo depende da estratégia de produção que o agricultor queira adotar.

Outra vantagem dos cultivos florestais é que os mesmos têm uma idade recomendada para colheita, mas essa não é obrigatória. Caso os preços estejam muito baixos no momento da colheita, pode-se adiá-la para um momento em que o mercado apresente uma melhor remuneração, sem custos adicionais expressivos, desde que o produtor possa esperar esse melhor momento.

Importância das orientações — O contato do produtor com as instituições de assistência técnica e extensão rural é fundamental para auxiliá-lo na melhor estratégia de inserção dos cultivos florestais na sua propriedade. Assim, é possível otimizar o uso das suas terras e da mão de obra, obter acesso às tecnologias desenvolvidas pelas instituições de pesquisa e corporações florestais, diversificar suas fontes de renda e agregar valor à sua propriedade. Para saber mais sobre a atividade floresta, acessar www.embrapa.br/florestas/transferencia- de-tecnologia/eucalipto.