Ciência

 

Os efeitos dos INDUTORES de resistência das plantas

Algumas substâncias químicas podem induzir respostas de defesa nas plantas às doenças. Tratadas com esses produtos, as plantas respondem rapidamente à infecção do patógeno, impedindo a colonização dos tecidos

Eng. Agr. Luís Antônio Siqueira de Azevedo, mestre em Fitopatologia, doutor em Agronomia e pós-doutor em Dinâmica de Adjuvantes em Superfícies Foliares, Universidade de Bonn, Alemanha, e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

À esquerda, a cultura do tomate sem nenhum tratamento; à direita, área que recebeu o indutor de resistência Bacillus subitilis QST

A resistência sistêmica adquirida (SAR) consiste em um importante mecanismo de defesa das plantas contra doenças, que pode ocorrer naturalmente ou ser induzida por meio de tratamento químico. A indução de resistência consiste na ativação de mecanismos naturais de defesa das plantas contra patógenos, por meio de indutores bióticos e abióticos. Essa tecnologia vem sendo utilizada cada vez mais no manejo de doenças de plantas e pode, em alguns casos, reduzir o uso de fungicidas convencionais. (Metraux, 2001; Pascholati, 2003; Bonaldo et al., 2005). Diversos produtos químicos estão sendo atualmente utilizados como indutores de resistência. Dentre eles, podem ser citados: o Acibenzolar-S-metil (ASM) e o Bacillus subtilis QST 713. Os fosfitos de diferentes fontes minerais são também bastante utilizados como indutores de resistência de plantas a fitopatógenos.

Desde o início do século XIX, sabese que plantas podem responder à infecção de patógenos por meio da ativação de mecanismos de defesa. Esses mecanismos são ativados a partir de sinais percebidos no ponto de infecção e transmitidos de forma sistêmica para outras partes da planta. Esse fenômeno é denominado resistência sistêmica adquirida – (Kessman et al., 1994; Kuc, 2001). Algumas substâncias químicas podem induzir respostas de defesa nas plantas.

Tratadas com esses produtos, as plantas respondem rapidamente à infecção do patógeno, impedindo a colonização dos tecidos. Além da sistemicidade, esse tipo de resistência tem como vantagens o fato de ser duradoura e de amplo espectro. A partir da década de 1980, tiveram início programas de triagem de moléculas, com o objetivo de encontrar substâncias capazes de ativar SAR em culturas de importância econômica.

Em meados de 1980, foi descoberto o acibenzolar-S-metil (ASM), um análogo do ácido salicílico, com potencial de induzir SAR em plantas. Os primeiros trabalhos foram realizados com trigo, sendo rapidamente avaliado o seu emprego em outras culturas contra os mais variados fitopatógenos (Kessman et al, 1994). Entre os indutores, encontram- se o Acibenzolar-SMetil (ASM), o Bacillus subtilis QST 713 e o silício (Amaral et al., 2008; Pereira et al., 2008; Silva et al., 2010). O ASM é um indutor de resistência que não possui ação antimicrobiana direta, que interfere nos processos fisiológicos e/ou bioquímicos das plantas, como a produção de fenóis, ativando a resistência sistêmica (Debona et al., 2009; Furtado et al., 2010).

Bacillus subtilis — O biofungicida à base de Bacillus subtilis (cepa QST 713) é um produto biológico de última geração, com características inovadoras no manejo de fungos e bactérias. Possui ação preventiva e de contato, amplo espectro de ação, atua na germinação dos esporos e causa rupturas nas hifas devido à produção de lipopeptídeos, além de não ter período de carência por se tratar de um produto biológico. A utilização de indutores de resistência para o manejo de doenças de plantas está longe do ideal. Apesar da existência e registros de alguns produtos para essa finalidade, esses têm sido preteridos por fungicidas convencionais.

No Brasil, outros produtos tidos como indutores de resistência também têm sido constantemente avaliados para o controle de doenças, como alguns fosfitos e silicatos. O uso de indutores de resistência apresenta-se como interessante ferramenta de controle de doenças nas culturas de tomate, uva, citros, café, feijão, melão, morango, alface, batata, cenoura, pimentão e abobrinha, tendo em vista o seu efeito sistêmico, a compatibilidade com outros produtos e o amplo espectro de ação, o que acaba auxiliando no manejo de outras doenças. Entretanto, novas pesquisas, principalmente em campo, devem ser realizadas a fim de se potencializar os efeitos dos produtos já utilizados, encontrar novas opções de indutores de resistência, bem como avaliar o efeito na produtividade final das culturas.

Importância do MIP — O manejo integrado de doenças de plantas é uma prática que vem sendo recomendada há alguns anos no Brasil. Faz parte de uma série de estratégias agronômicas indispensáveis para preservar o potencial produtivo das culturas e manter a sustentabilidade do agronegócio. A utilização de indutores de resistência na agricultura faz parte dessas estratégias de manejo. Toda a tecnologia inovadora, como é o caso do uso de indutores de resistência no controle integrado de doenças, demora um pouco a ser adotada pelo agricultor. Soma-se a isso o fato de as recomendações para a utilização desses produtos no campo serem extremamente técnicas e demandam muito conhecimento e prática do assunto.