Agribusiness

CAFÉ
PREÇOS INTERNACIONAIS SUSTENTADOS PELA APREENSÃO COM OFERTA

Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br

O mercado internacional de café teve um mês de julho de preços sustentados pela apreensão com a oferta da safra brasileira e mundial, tanto de arábica quanto de robusta/conilon. Para o arábica, o Brasil enfrentou problemas com chuvas na colheita, prejudicando especialmente a qualidade do café retirado das árvores. Para o conilon, houve grande quebra este ano da safra brasileira, com o Espírito Santo e outras regiões duramente prejudicadas pela falta de chuvas. E as precipitações seguem escassas, ameaçando também a safra do próximo ano.

Entretanto, na bolsa de Nova York, que baliza as cotações do arábica, o mercado mostrou dificuldades de romper resistências e permanecer acima da linha de US$ 1,50 a libra-peso, embora tenha por momentos superado esse patamar. No fechamento do dia 20, NY estava a 147 centavos de dólar por libra-peso no contrato setembro, com leve alta no comparativo com o encerramento de junho (145,65 cents). O dólar fraco contra o real deu sustentação às cotações futuras nas bolsas, na medida em que é fator de desestímulo às exportações.

No Brasil, o mercado seguiu lento ao longo do mês de julho. A colheita evoluiu, mas demonstrou os problemas de qualidade para o arábica e a confirmação da quebra no conilon. Os produtores seguem dosando dentro do possível a oferta e as cotações refletiram as oscilações das bolsas e do dólar. O arábica novo no Brasil está acima de R$ 500 a saca, o que é um patamar importante de base para a comercialização e, superando esse nível, os produtores encontram estímulo para negociar na medida em que as bolsas têm suas subidas e afetam o mercado nacional. A comercialização da safra do Brasil 2016/17 (julho/junho) está em 31% da produção total estimada, relativa ao final de junho.


ARROZ
PREÇO GAÚCHO MANTÉM TRAJETÓRIA DE ALTA, MAS MENOS INTENSA

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

Os preços do arroz no Rio Grande do Sul, principal referência nacional, mantêm a trajetória de elevação ao final da primeira quinzena de julho, mas de forma menos intensa. A saca de 50 quilos era comercializada a uma cotação média de R$ 50,75 no dia 14, ante R$ 50,50 na semana anterior. Ante igual período do mês anterior, a alta era de 22,50%, quando a saca valia R$ 41,43. Na comparação com igual momento de 2015, a elevação era de 52,43%, quando a saca custava R$ 33,29. Depois de ter se elevado em quase R$ 6 por saca durante o mês de junho, na primeira quinzena de julho o avanço acumulado era de apenas R$ 0,40 por saca.

Conforme o analista de Safras Élcio Bento, o mercado doméstico parece ter encontrado uma referência de preços dentro de uma realidade de escassez de oferta interna e necessidade de um grande volume de importações. “Nesta nova conjuntura, as negociações realizadas no âmbito doméstico tomam como referência os valores que o produto estrangeiro chega ao País”, explica. Essa recente lateralização das cotações do Brasil sugere que elas se aproximaram do ponto de paridade com as do importado. “Os preços atuais seguem sendo interessantes para a realização de negócios”, frisa.

No cenário internacional, destaque para o relatório de julho de oferta e demanda do Usda, que estimou a produção mundial em 481,23 milhões de toneladas do beneficiado para 2016/17. As exportações mundiais foram estimadas em 40,53 milhões de toneladas para 2016/ 17, mesmo patamar no mês passado. A estimativa para o consumo é de 480,63 milhões de toneladas de beneficiado para 2016/17.


SOJA
USDA CORTA PROJEÇÃO PARA ESTOQUES DOS EUA

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

O relatório de julho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) cortou a estimativa para os estoques finais americanos em 2015/16, mas elevou a previsão para 2016/17. Em relação à temporada 2015/16, indicou estoques de 350 milhões de bushels, contra 370 milhões do relatório anterior e contra 354 milhões projetados pelo mercado. A safra ficou estimada em 3,929 bilhões de bushels. As exportações foram elevadas de 1,76 bilhão para 1,795 bilhão de bushels. O esmagamento permaneceu em 1,89 bilhão. Para 2016/17, os estoques foram elevados de 260 milhões para 290 milhões. O mercado apostava em 290 milhões. A safra foi elevada de 3,8 bilhões para 3,88 bilhões. As exportações foram elevadas de 1,9 bilhão para 1,92 bilhão de bushels. O esmagamento está projetado em 1,925 bilhão, contra 1,915 bilhão do relatório anterior.

O Usda projetou safra mundial em 2015/16 de 312,36 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 313,26 milhões. Os estoques finais foram cortados de 72,29 milhões de toneladas para 72,17 milhões. O mercado apostava em estoque de 71,7 milhões de toneladas. A projeção do Usda aposta em safra americana de 106,93 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 96,5 milhões de toneladas, enquanto a safra argentina deverá ficar em 56,5 milhões de toneladas. Em junho, os números eram de 97 milhões e 56,5 milhões, respectivamente. A China deverá importar 83 milhões de toneladas, mesmo número estimado no ano anterior. Para 2016/17, o Usda indicou safra mundial de 325,95 milhões de toneladas, contra 323,7 milhões do relatório anterior. Os estoques tiveram projeção elevada de 66,31 milhões para 67,1 milhões de toneladas. A safra americana foi elevada de 103,42 milhões para 105,6 milhões de toneladas. A Argentina deve produzir 57 milhões e o Brasil, 103 milhões. As importações chinesas estão estimadas em 87 milhões de toneladas.

A área plantada com soja nos Estados Unidos em 2016 deverá totalizar 83,7 milhões de acres, conforme o relatório de área do Usda. Se confirmada, essa será a maior área plantada da história daquele país, crescendo 1% sobre o ano anterior. No ano passado, a área foi de 82,65 milhões de acres. O número ficou abaixo da estimativa do mercado, de 83,97 milhões de acres. A área recorde de soja é esperada nos estados de Michigan, Minnesota, Nova York, Dakota do Norte, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin.


ALGODÃO
MERCADO DE ALGODÃO, DE OLHO EM NY, TEM MOROSIDADE NOS NEGÓCIOS

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

O mercado brasileiro de algodão fechou a primeira quinzena de julho com morosidade nos negócios e preços praticamente estáveis, pois a entrada da safra no Brasil foi compensada pela forte alta de cerca de 8% em Nova York, na terceira semana do mês. Segundo o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto, a forte alta sofrida no mercado internacional diminuiu a liquidez do âmbito interno, pois os preços que eram praticados abaixo dos indicadores de referência já não o são.

“Há uma insegurança tanto em compradores como em vendedores para tomarem maiores posições, em consequência de o preço na terceira semana de julho ser o maior desde julho de 2014 na Bolsa de Nova York”, explica. “Essa alta em Nova York foi muito fundamentada nos dados altistas divulgados pelo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda)”, lembra o analista. As vendas de produtores para tradings estão sendo baseadas no contrato de dezembro mais 300 pontos. “A tendência é de que, se confirmar essa sustentação na bolsa internacional, os preços internos voltem a ter uma forte valorização, invertendo o curso natural do mercado”, pondera.

O relatório de julho de oferta e demanda do Usda, divulgado dia 12, estimou a produção de algodão do país na temporada 2016/17 em 15,8 milhões de fardos, ante 14,8 milhões no relatório passado. Para a safra 2015/16, eram esperados 12,89 milhões de fardos. As exportações deverão ficar em 11,5 milhões de fardos em 2016/17, ante 10,5 milhões no relatório anterior. O consumo interno foi previsto em 3,6 milhões de fardos para 2016/ 17, mesmo patamar do mês anterior. Os estoques finais norte-americanos foram previstos em 4,6 milhões de fardos para a temporada 2016/17, contra 4,8 milhões do relatório anterior.


MILHO
PRODUTOR SEGURA OFERTA DA SAFRINHA E PREÇO VOLTA A SUBIR

Arno Baasch - arno@safras.com.br

O mercado brasileiro de milho chegou à segunda metade de julho com um quadro que foge à tendência natural de recuo nos preços com o avanço da colheita da safrinha. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, os preços chegaram a recuar ao longo de junho, mas notícias indicando novas perdas na produção brasileira fizeram com que os produtores retivessem as ofertas provenientes da safrinha à espera de melhores preços. “Essa condição acabou contribuindo para que as cotações voltassem a subir no mercado interno em julho, dificultando a efetivação de negócios”, comenta.

A mais recente estimativa de Safras & Mercado previu uma produção de 76,265 milhões de toneladas na safra 2015/16, abaixo das 88,397 milhões de toneladas registradas na temporada 2014/15. “A maior queda foi estimada para a safrinha, de 56,277 milhões para 49,389 milhões de toneladas, por conta de efeitos das geadas e da estiagem no desenvolvimento das lavouras. A safra verão também irá recuar, de 25,117 milhões para 22,549 milhões de toneladas”, informa. Para o analista, ainda que a tendência seja de uma retração nas cotações daqui para frente, a tendência agora é de que ela não ocorra de forma tão efetiva quanto à prevista inicialmente pelo mercado, até mesmo pelo fato de que a safra nacional ainda pode sofrer novas perdas até o término da colheita. No mercado internacional, Molinari afirma que a perspectiva de uma boa produção nos Estados Unidos vem contribuindo para uma queda consistente nos preços do cereal, o que pode dificultar também um avanço mais efetivo das exportações brasileiras de milho durante o segundo semestre.


TRIGO
COMERCIALIZAÇÃO DEVE SEGUIR LENTA ATÉ ENTRADA DA SAFRA NOVA

Gabriel Nascimento - gabriel.antunes@safras.com.br

O mercado brasileiro de trigo mantém os referenciais com certa estabilidade. A comercialização segue lenta, cenário que não deve ser alterado no curto prazo. Com a baixa disponibilidade do cereal no âmbito doméstico, o mercado deve ter maior movimentação após a entrada da próxima safra. Segundo o analista de Safras Jonathan Pinheiro, o ritmo dos negócios é lento, porém, a demanda por parte das indústrias de menor porte, que não têm acesso ao mercado externo, segura os preços domésticos em alta. “Assim que as ofertas da safra nova do Paraná e do Paraguai ingressarem no mercado, as cotações domésticas voltarão à realidade de paridade de importação e as oscilações dos preços internacionais e do câmbio devem ser variáveis-chave”.

No RS, o plantio já supera 90% da área estimada e avança com clima favorável e boas conduções das lavouras. No PR, os trabalhos já estão finalizados. No cenário global, depois de quatro anos consecutivos de produções acima do consumo, os estoques do trigo para o final do ciclo 2016/17 estão estimados em 254 milhões de toneladas, os maiores da história. “Esse quadro de sobreoferta exerce forte pressão sobre as cotações que estão nos menores níveis desde 2006”, ressalta. “Diante desse cenário, o prenúncio é de uma próxima safra nova com preços inferiores, o que, com custos em alta, deve estreitar as margens de lucro”, conforme Pinheiro, uma eventual desvalorização do real, a manutenção dos preços do milho em alta e uma eventual quebra de safra podem amenizar essa tendência de baixa no longo prazo.