Noticías da Argentina

EXPECTATIVAS POSITIVAS PARA A PRÓXIMA SAFRA

 

O clima entre os produtores rurais vem melhorando no país. Ainda que estejam longe das épocas de ouro, as contas do agronegócio claramente são outras. “É possível definir fatos positivos que ajudaram a melhorar os preços dos produtos, como o fim das retenções aos cereais e a redução das mesmas à soja, as mudanças no câmbio e a liberação das cotas de exportação”, destaca o consultor Teo Zorraquín. A soja disponível, por exemplo, passou de 1,9 mil pesos para 3 mil pesos a tonelada. Aos acontecimentos internos, soma-se o cenário em Chicago, que ajudou a elevar a oleaginosa a 4 mil pesos. Os preços remuneradores levaram à mudança de expectativas entre os produtores. O primeiro sintoma é uma pressão sobre o valor dos arrendamentos dos campos.

É importante lembrar que 70% da agricultura local é produzida sobre campos arrendados e, nas últimas semanas, os proprietários vêm aproveitando o aumento da procura por terras para cultivo. Tudo indica que a próxima safra será marcada por um avanço na área plantada, especialmente na soja e no milho. O preço dos insumos é outro componente favorável ao produtor. “O fertilizante, uma ferramenta chave principalmente para o trigo e para o milho, ficou mais barato e hoje revela uma das melhores relações insumo/ produto dos últimos anos. Esse é claramente um estímulo a mais”, diz Zorraquín. O restante das variáveis, segundo o consultor, com exceção da semente de milho, está dentro da média. “É provável que os preços altos dos produtos levem as plantações a regiões em que os ambientes agrícolas não se mostram tão favoráveis. Também é preciso considerar a previsão de La Niña, que mesmo que seja de intensidade amena, poderá causar prejuízos”, alerta.


RECEITAS MAIORES

O técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (Inta) Carlos Ghida Daza faz uma comparação das contas nas duas primeiras semanas de junho de 2016 em relação à safra 2016/2017 e do cenário que existia em novembro de 2015, utilizando rendimentos médios no Sudeste de Córdoba com manejo de plantio direto. A conclusão é que o importante incremento das receitas da agricultura deve-se à significativas mudanças na política econômica e setorial no período analisado. Mesmo que os custos apresentem alta em alguns cultivos, a estimativa é de que a margem obtida com a soja tenha elevação de 117%. Para o milho, a alta deve ser de 385%. Trigo e girassol podem ter melhoria de 364% e de 338%, respectivamente. A situação de cultivos complementares para zonas de menor qualidade (girassol e sorgo granífero) também mostra melhoras importantes. O cenário atual é positivo para a rotação de culturas e para a melhoria da sustentabilidade agronômica que será complementada por um adequado resultado econômico.


TRIGO

O plantio do trigo avança mais lentamente em relação a anos anteriores devido aos efeitos das inundações que complicaram a logística das máquinas nas lavouras. No entanto, a área já supera o implantado no ano passado, de 3,3 milhões de hectares, e espera-se um agregado de cerca de 25% no cultivo. No Sul das províncias de Córdoba, Santa Fé e Entre Ríos, o salto poderá ser de 50%.


SOJA

As chuvas intensas do outono provocaram perdas na colheita da soja, que caiu em cinco milhões de toneladas, em um total de 55 milhões de toneladas na safra. Agora a preocupação é com a qualidade das sementes que serão utilizadas no próximo ciclo. O alto grau de umidade pode prejudicar a qualidade dos grãos e o potencial de produtividade da lavoura em determinadas regiões.


LEITE

As representações de produtores de leite emitiram um comunicado em que denunciam que continua o abandono da atividade por falta de rentabilidade. As associações do setor solicitaram ao governo a criação de um Fundo de Recuperação Histórica para os produtores para que seja preservada a continuidade da atividade leiteira, que hoje sofre com alta nos custos e preços não remuneradores.


CARNE

A pecuária argentina voltou a competir por terras com a agricultura. Ainda que o milho tenha valores triplicados em relação a 2015, os preços da carne e o mercado para exportação também são positivos. Em julho, o novilho em pé argentino teve cotações próximas a US$ 2,14 o quilo, um valor mais próximo do visto nos Estados Unidos do que no restante da América do Sul.