Milho

 

O perigo e o enfrentamento das pragas INICIAIS

Lagarta-elasmo, larva-alfinete, larva-arame, corós e percevejos do solo são, pela ordem, as mais importantes pragas mais danosas do milho na sua fase inicial. E para o mais adequado controle é preciso conhecer o histórico da área e saber identificar as espécies

Paulo Afonso Viana e Simone Martins Mendes, pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo

Acultura do milho é hospedeira de vários grupos de insetos polífagos que atacam a fase inicial de desenvolvimento das plantas, danificando as sementes após o plantio, o sistema radicular e a base do colmo. O ataque acarreta falha na lavoura e, na maioria das vezes, as plantas sobreviventes tornam-se improdutivas, reduzindo o potencial produtivo da lavoura. A ocorrência desses insetos é um Fotos: Divulgação dos fatores que acarretam severos prejuízos para a cultura, seja qual for o seu uso – grãos, silagem, sementes. Portanto, antes do plantio da safra ou da safrinha nas principais regiões produtoras, o momento é de alerta com as pragas que podem atacar a cultura após a semeadura.

Entre as principais espécies de insetos- praga da fase inicial da lavoura destacam-se, pela importância econômica, a lagarta-elasmo, a larva-alfinete, a larva-arame, os corós e os percevejos do solo. Entre as pragas relatadas, a lagarta-elasmo é considerada a principal espécie desse grupo, causando prejuízos ao milho e às várias outras culturas das famílias das gramíneas e das leguminosas, principalmente quando ocorre um período de estiagem logo após a emergência das plantas.

Ninfas e os adultos do percevejo barriga-verde: o controle mais utilizado é pelo tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos ou com pulverizações logo após a emergência das plantas

Para realizar o manejo eficiente dessas pragas é necessário conhecer o histórico da área a ser cultivada, identificando os principais problemas fitossanitários apresentados ao longo dos últimos anos. Em seguida, realizar o monitoramento populacional da espéciealvo no campo, conhecendo de antemão as principais características da biologia do inseto, local de ataque na planta (semente, raiz, colmo ou folhas), fase em que a praga é mais vulnerável e a planta é mais suscetível ao ataque, e, finalmente, os métodos disponíveis para o controle.

É importante ressaltar que uma identificação incorreta do inseto pode acarretar insucesso nas medidas a serem tomadas visando ao seu controle. A maioria das espécies desse grupo de pragas é de hábito subterrâneo ou superficial e, invariavelmente, passam despercebidas pelo agricultor, dificultando o emprego de medidas de controle. A importância desses insetos varia de acordo com o local, ano e sistema de cultivo. A seguir, as principais espécies, os sintomas de danos e os métodos de controle disponíveis.

Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus): é uma praga com grande capacidade de destruição em um intervalo curto de tempo. Penetra na região do colo da planta, destruindo a região de crescimento, resultando em seca e morte das plantas. As lagartas recémeclodidas são amarelo-palha com listras vermelhas. À medida que se desenvolvem, tornam-se esverdeadas com anéis e listras vermelho-escuras. A lagarta completamente desenvolvida mede cerca de 16 milímetros de comprimento por 2 milímetros de largura. O ataque está associado à estiagem logo após a emergência das plantas, condição que aumenta a sua suscetibilidade pelo atraso no desenvolvimento e favorece a ocorrência de lagartas na lavoura.

Danos mais severos são observados em solos leves e bem drenados, sendo sua incidência menor sob plantio direto. Existe um conjunto de métodos de controle que podem ser utilizados para o manejo de elasmo atacando a lavoura de milho. O tratamento de sementes, pela sua praticidade, custo e eficiência é o método mais empregado. Os inseticidas disponíveis para o controle dessa praga estão no site do Mapa/Agrofit, em www.agricultura.gov.br/servicos-esistemas/ sistemas/agrofit. Essa espécie é sensível a algumas proteínas expressas em milho Bt, dentre elas a Cry1Ab, Cry 1F e Cry1A105/Cry2Ab2.

Lagarta-elasmo: tem grande capacidade de destruição em um intervalo curto de tempo ao penetrar na região do colo da planta, destruindo a região de crescimento, o que resulta em seca e morte das plantas

Larva-alfinete (Diabrotica speciosa): a larva é a fase que causa dano significativo para a lavoura de milho. Possui coloração branco-leitosa, com as pernas escuras e a extremidade com uma placa quitinizada. Quando bem desenvolvida, mede aproximadamente um centímetro de comprimento. Alimenta-se das raízes do milho, prejudicando a absorção de água e nutrientes e causa o tombamento de plantas. O controle dessa larva é pouco realizado na cultura do milho no Brasil e tem sido baseado quase que exclusivamente no uso de inseticidas aplicados via tratamento de sementes, granulados e pulverização no sulco de plantio. A baixa umidade do solo é desfavorável para a larva.

O método de preparo de solo influencia a população desse inseto. Geralmente, a ocorrência da larva é maior em sistema de plantio direto do que em plantio convencional. Os inimigos naturais Celatoria bosqi, Centistes gasseni, os fungos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae contribuem para o controle dessa praga. Recentemente foi disponibilizado no mercado brasileiro milho Bt expressando a proteína Cry3Bb1 para o controle dessa praga.

Larva-arame: a larva danifica as sementes após a semeadura e o sistema radicular da planta de milho, o que causa falhas nas linhas de plantio, redução do vigor e definhamento das plantas

Corós (Diloboderus abderus, Eutheola humilis, Dyscinetus dubius, Stenocrates sp, Liogenys, sp.): a importância dessa praga é maior para lavoura da safrinha, instalada em semeadura direta sobre a resteva da soja. Em sua fase larval, causa danos ao se alimentar de sementes, plântulas, raízes e folhas da planta. Seu corpo é esbranquiçado, recurvado em formato de “C,” e com extremidade escura. Possui três pares de pernas torácicas e a cabeça é marrom ou castanha. O preparo de solo com implementos de disco é uma alternativa de controle cultural da larva. O controle químico pode ser utilizado via tratamento de sementes com inseticidas ou através de pulverização no sulco de semeadura.

Agentes de controle biológico natural dessas espécies são nematoides, bactérias, fungos, principalmente Metarhizium e Beauveria sp, e parasitoides da ordem Diptera.

Larva-arame (Conoderus spp., Melanotus spp): a larva danifica as sementes após a semeadura e o sistema radicular da planta de milho e de outras gramíneas. O ataque causa falhas nas linhas de plantio, redução do vigor e definhamento das plantas. A larva inicialmente é esbranquiçada e de corpo macio, posteriormente torna-se amarelada ou marrom, com as extremidades escuras e com o corpo rígido, daí o nome de larva-arame. Em áreas que apresentam histórico de ataque da larva- arame, medidas de controle deverão ser utilizadas preventivamente na semeadura. Inseticidas utilizados no controle da larva-alfinete também apresentam bom desempenho para a larva-arame. A umidade do solo é um fator importante no manejo dessa praga. Em sistemas irrigados, a suspensão da irrigação e a drenagem do solo forçam a larva a se aprofundar, reduzindo o dano no sistema radicular.

Percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus e D. melacanthus): as ninfas e os adultos atacam a base do colmo das plantas, causando murcha, seca e perfilhamento. Geralmente ocorrem manchas escuras nos locais das picadas e as folhas centrais ficam deformadas, descoloridas e enroladas, aparentando um charuto. Esses percevejos medem aproximadamente um centímetro de comprimento, sendo o dorso marrom e o abdome verde. No protórax, há um par de espinhos cuja coloração constitui um diferencial entre as duas espécies, sendo bem mais escuros no D. melacanthus. Esses percevejos tornaram-se pragas de importância econômica, principalmente para o milho safrinha sob plantio direto, semeado em sucessão ou em rotação com a cultura da soja. O método de controle mais utilizado é através do tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos ou através de pulverizações logo após a emergência das plantas quando constada a presença dos insetos.

Outras pragas — Existem outras pragas iniciais de ocorrência esporádica que também podem trazer prejuízos para o milho. As principais são a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), atacando a base do colmo da planta, a lagarta-rosca (Agrotis ípsilon), secionando o colmo, os tripes (Frankliniela williamsi), raspando o limbo foliar, e os cupins de hábitos subterrâneos dos gêneros Proconitermes e Syntermes, que atacam as raízes. Em determinadas condições, essas espécies podem demandar medidas de controle antes de atingirem elevados níveis populacionais.