Fitossanidade

 Aplicação PRECISA: eficiência e economia

A ferramenta da agricultura de precisão utilizada na aplicação de defensivos promove melhorias significativas no aproveitamento dos defensivos, o que gera, inclusive, redução de custos

Susi Meire Maximino Leite, docente da Fatec Shunji Nishimura, Tecnologia na Aplicação de Insumos do curso de Tecnologia em Mecanização em Agricultura de Precisão, e Walter Wagner Mosquini, especialista em Tecnologia de Aplicação da Jacto

Ainda tem quem pense que o uso de tecnologia de pulverização se resume necessariamente à geração e aplicação de mapas georreferenciados, controles eletrônicos e técnicas de gerenciamento de operações, como telemetria, sendo fácil se esquecer da importância dos princípios básicos para uma pulverização com maior precisão. O uso de máquinas equipadas com piloto automático, corte de seção ou mesmo fechamento bico a bico na barra, se usados corretamente, pode representar economia de produto e melhoria geral da eficiência da pulverização, pois essas ferramentas podem evitar falhas e/ou sobreposições excessivas.

Segundo pesquisas, o uso de piloto automático pode melhorar a qualidade das operações que exigem paralelismo, como é o caso de plantio e pulverização, por exemplo. No caso de pulverização, o uso dessa ferramenta pode reduzir de 7% a 11% as sobreposições desnecessárias. Se for utilizado também o corte de seção na barra dos pulverizadores, podese obter uma redução do percentual de sobreposição de 14% no controle manual para 8% da área com o uso de corte de seção, levando à redução de 42,9% da área sobreposta. Essa significativa redução da sobreposição apresenta dois importantes aspectos: redução da mesma ordem dos defensivos agrícolas e, consequentemente, das áreas que recebem sobredoses, podendo também auxiliar na redução de pragas resistentes.

O avanço dessa técnica para o fechamento bico a bico, patenteado pela Jacto Máquinas Agrícolas S.A., reduzirá ainda mais o percentual de economia de produto e as consequências decorrentes do seu uso desnecessário por possibilitar ainda maior redução de sobreposição de áreas, podendo chegar a apenas 4,9% da área pulverizada.

Outra ferramenta utilizada atualmente, e de extrema importância, é o controlador eletrônico de pulverização, que tem como principal função manter a taxa de aplicação mesmo que exista variações de velocidade. Esse equipamento, por sua vez, vem evoluindo ao longo limitante para essa tecnologia era o tempo de resposta, ou seja, o tempo necessário para o equipamento ajustar a taxa desejada perante as variações de velocidade.

Essa evolução deu-se por novos desenhos dos circuitos de pulverização que, por trabalharem com sistemas recirculantes, que variam a rotação da bomba de pulverização, o ajuste da pressão dá-se de forma bastante locidade para esses controladores não deve ser muito grande, pois uma vez que o ajuste da taxa de aplicação ocorre pela pressão de trabalho, isso pode afetar diretamente o tamanho da gota pré-determinada, alterando a proposta técnica para o tratamento fitossanitário utilizado e, dessa forma, comprometendo a eficiência da pulverização.

Economia de 80% em herbicidas — A maior precisão na determinação da área a ser pulverizada pode também vir a ser obtida com o uso de sensores óticos que permitem aplicação localizada de herbicidas. No caso de controle de plantas daninhas, trabalhos têm apontado economia de até 80% no uso de herbicidas na catação química, reduzindo custo, trabalho e tempo, além de minimizar os impactos ambientais.

Já para outras pragas, como doenças e insetos, a utilização de mapas de aplicação baseados em dados obtidos por monitoramento presencial ou remoto também pode levar ao uso mais racional dos defensivos, evitando a aplicação desnecessária em áreas não infestadas ou com baixo índice de infestação. No monitoramento remoto de pragas, têm surgido novidades como o caso das armadilhas munidas de sensores e câmeras que permitem a identificação e a quantificação de insetos que visitam a lavoura em tempo real, possibilitando o acompanhamento da sua flutuação populacional e permitindo a intervenção com o controle químico de forma mais adequada. Testes desse sistema de monitoramento já estão sendo realizados para uma espécie de vespa-da-fruta (Bactrocera dorsalis) que causa grandes danos em pomares de frutas em Taiwan e tem permitido maior previsibilidade da necessidade de pulverização (JIANG et al., 2013).

Portanto, várias são as ferramentas que já podem ser empregadas na pulverização de precisão, mas é importante ressaltar que erros básicos e desconsiderações das obrigações primárias de quem realiza essa operação fazem com que ela seja a operação mais imprecisa realizada na agricultura. Segundo Miller (2004), mais de 98% dos inseticidas pulverizados e 95% de herbicidas chegam a um destino diferente de suas espéciesalvo, de maneira que o restante acaba atuando como contaminante do ar, água e solo, e a principal causa dessa perda é a deriva.

Os recursos tecnológicos em máquinas e a geração de informações são importantes para decisões mais acertadas e auxiliam a obtenção de bons resultados, mas os cuidados básicos não devem ser menosprezados

A maior deriva geralmente é resultado da interação de fatores climáticos, no caso o vento, e técnica inadequada de aplicação. Atualmente, existem pulverizadores equipados com sensores para medição instantânea das variáveis climáticas que interferem na qualidade da pulverização, como variações de temperatura, umidade relativa e o vento. Nesses equipamentos, caso essas variáveis excedam limites aceitáveis para o tamanho de gota utilizado, alertas aparecem no controlador informando as condições atuais. A decisão posterior fica a cargo do responsável técnico pela aplicação, podendo mudar a técnica atual Os recursos tecnológicos em máquinas e a geração de informações são importantes para decisões mais acertadas e auxiliam a obtenção de bons resultados, mas os cuidados básicos não devem ser menosprezados para evitar perdas ou até mesmo cessar momentaneamente a aplicação.

Além das condições climáticas, a própria manutenção dos equipamentos tem deixado a desejar, segundo resultados de Inspeções Periódicas de Pulverizadores (IPP). Não são poucos os relatos de equipamentos com filtros entupidos ou danificados, vazamentos de diferentes tipos, pontas desgastadas, além do emprego equivocado do modelo de ponta para o tipo de pulverização que está sendo realizada, falta de conhecimento das características dos defensivos e do alvo a ser controlado fazem com que o maior problema ainda seja a falta de precisão na pulverização. Portanto, a receita para uma pulverização de qualidade e eficiente envolve vários ingredientes.

Os recursos tecnológicos mais modernos, tanto no tocante às máquinas quanto na geração de informações importantes para decisões mais acertadas, vêm auxiliar na obtenção de bons resultados, mas os cuidados básicos não devem ser menosprezados. É importante lembrar que esses novos recursos associados à pulverização de precisão têm por objetivo, principalmente, facilitar a tomada de decisão, aumentando a probabilidade de obter maior precisão na pulverização.