Expointer

 

OTIMISMO em meio às incertezas do País

A 39ª edição da tradicional Expointer, de 27 de agosto a quatro de setembro, em Esteio/RS, se realiza em meio a safras produtivas no Rio Grande do Sul e a cotações remuneradoras

Leonardo Gottems

Em meio a um dos períodos de maior incerteza política e crise econômica dos últimos tempos no Brasil, o sentimento é de otimismo entre organizadores e expositores da 39ª Expointer. A edição, de 27 de agosto a 4 de setembro, em Esteio/RS, é esperada como marco de uma virada para o setor rural, após meses de arrefecimento da expansão e dificuldades que foram desde a escassez de crédito até prejuízos causados pelo clima. “O momento é positivo. Estamos vindo de boas safras, falando de modo geral. Sempre tivemos problemas pontuais localizados de algumas perdas de produção ou por excesso ou por falta de chuva. Mas no geral, as safras têm sido positivas aqui no estado, Leonardo Gottems especialmente as últimas com preços bem atrativos, e isso traz um impacto positivo”, avalia o secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Ernani Polo

Polo ressalta que a agropecuária não está imune ao momento econômico conturbado e destaca que a crise traz dificuldades e limitações, mas destaca que a Expointer é uma feira que tem tradição, história e já está consolidada: “A expectativa é que a gente possa novamente fazer acontecer da melhor maneira possível, que possamos ter a presença tanto de produtores, pecuaristas e expositores, assim como um grande número de visitantes, que vão conhecer todo o potencial da nossa agropecuária gaúcha e brasileira”. O secretário informa que a infraestrutura do Parque de Exposições Assis Brasil já foi recuperada após um forte vendaval. Ele adianta que, para esse ano, também foi possível fazer algumas melhorias, especialmente nas questões de segurança e para atender todas as exigências do Corpo de Bombeiro através de um PPCI (Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio).

Estrutura e lançamentos — Também está otimista o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no RS (Simers), Claudio Bier: “As nossas expectativas são as melhores possíveis. Nesta edição, as empresas vão encontrar a área de máquinas agrícolas toda calçada, a rede de água será ampliada e a rede elétrica, toda renovada. Com melhores condições estruturais, a expectativa fica em retomar o crescimento das vendas do setor”, lembra. “A Expointer já tem por tradição sempre apresentar inúmeros lançamentos de máquinas e implementos com tecnologia de ponta, o que atrai os agricultores que buscam investir para agregar mais produtividade na sua propriedade. Esperamos que até a data da feira já tenhamos boas notícias referentes à disponibilidade de recursos para o financiamento das máquinas. Afinal, o nosso setor mantém-se basicamente através dessa modalidade de investimento”.

“As safras têm sido positivas aqui no estado, especialmente as últimas com preços bem atrativos, e isso traz um impacto positivo”, destaca o secretário de Agricultura do RS, Ernani Polo

O dirigente aponta os juros altos praticados pelo sistema financeiro como a maior dificuldade no momento. Bier afirma que a incerteza com relação à existência ou não de recursos disponíveis é o que mais angustia o setor. Ele garante que a entidade está trabalhando nesse sentido, através de agendas realizadas em Brasília nos últimos meses junto aos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Social e Agrário. “O agronegócio, em especial o nosso segmento de máquinas agrícolas, assim como os demais setores, está sofrendo o impacto da crise político-econômica, principalmente com relação à queda do volume de vendas e ao ajustamento que as empresas precisaram realizar nos seus quadros de colaboradores, com um alto índice de demissões para conseguirem se manter e viabilizar o andamento das suas fábricas”, analisa. “No entanto, acreditamos em uma reação para os próximos meses, até pelo papel de importância que o agronegócio tem na sociedade. Afinal, é dele que provém os alimentos que chegam às mesas dos brasileiros diariamente”.

Posição semelhante tem Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Segundo ele, as expectativas para a Expointer 2016 são positivas porque a nova safra de verão tem como prognóstico boa rentabilidade, o Plano Agrícola e Pecuário está em pleno andamento, não há inadimplência no setor e o nível de confiança do agricultor, que estava muito baixo no segundo semestre de 2015 e no primeiro trimestre de 2016, começa a se recuperar.

Para o dirigente da Abimaq, Pedro Estevão Bastos, as expectativas para a Expointer são positivas porque a nova safra de verão tem como prognóstico boa rentabilidade, e o Plano Agrícola e Pecuário está em pleno andamento

Bastos mostra-se mais positivo em relação ao custo do financiamento: “Os juros para custeio em 9,5% ao ano, que em geral são contratados no prazo de um ano, são bastante competitivos se considerarmos a Selic atual em 14,25% ao ano. Os juros para investimento de 8,5% no curto prazo também são razoáveis. Porém, os investimentos têm pagamento de longa duração – de 6 a 10 anos –, e no futuro, os juros de 8,5% poderão ser caros se a inflação convergir para o centro da meta (em torno de 4,5% ao ano). Não há alternativas de juros mais baratos que os programas governamentais”.

“As nossas expectativas são as melhores possíveis. Nesta edição, as empresas vão encontrar a área de máquinas agrícolas toda calçada, a rede de água será ampliada e a rede elétrica toda renovada”, lembra o presidente do Simers, Claudio Bier

Poder Público, indústrias, entidades de classe e agricultores parecem convergir em uma mesma visão de otimismo para o agronegócio, apesar do momento de incertezas político-econômicas no Brasil. O sentimento é de que a Expointer reafirme a atividade rural como o carro- chefe de uma recuperação de médio e longo prazos do País, com a volta da confiança para fazer os investimentos necessários e manter a competitividade brasileira no cenário mundial.