Aviação

 

Segmento voando ALTO e sem turbulência

O segmento de aviação agrícola brasileira completa 69 anos em 19 de agosto e segue em crescimento, inovando no mundo com iniciativas como o programa Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS)

Júlio Augusto Kämpf, presidente em exercício do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag)

Agosto, 19, Dia Nacional da Aviação Agrícola Brasileira. Nova mente vamos comemorar a data em tudo que começou, naquele 1947, de maneira ainda meio improvisada e inspirada em uma ferramenta que já era realidade nos Estados Unidos. A primeira decolagem foi do Aeroclube de Pelotas, no Rio Grande do Sul, para combater uma nuvem de gafanhotos que estava dizimando a produção rural local. Castor Becker Júnior Sessenta e nove anos depois, o setor aeroagrícola brasileiro é o segundo maior do mundo e um dos melhores do planeta. A frota nacional é de pouco mais de 2 mil aviões e tem um enorme potencial de crescimento, apesar das dificuldades da economia nos últimos dois anos.

O avião faz a diferença quando se busca aumento de produtividade no campo, pela sua alta (e crescente) tecnologia, precisão e eficiência, sem falar na velocidade – características fundamentais para o combate a pragas com menos reaplicações. E pelo fato de eliminar as perdas por amassamento, que podem reduzir em até 5% a colheita. Além disso, é a ferramenta certa em momentos críticos das culturas, como em terrenos lamacentos (épocas de chuva), lavouras altas ou em áreas alagadas (plantações de arroz).

O setor gera cerca de 8 mil empregos diretos, entre pilotos, agrônomos, técnicos agrícolas e auxiliares. A aviação agrícola brasileira voa cerca de 500 mil horas por ano, faturando mais de R$ 1 bilhão e gerando acima de R$ 250 milhões em impostos. Além de importante no campo, é um nicho essencial também para a indústria, como se viu mais uma vez no Congresso Nacional de Aviação Agrícola (Congresso Sindag), que teve sua última edição em junho, em Botucatu/SP. O público de mais de 1,5 mil pessoas superou todas as expectativas para um evento fechado. Aliás, foi um dos maiores públicos da história de nossos congressos.

Havia 52 expositores com estandes na mostra de equipamentos e tecnologias. Isso depois que se conseguiu remanejar a estrutura e conseguir espaço para mais quatro interessados. Mesmo assim, outras seis pretendentes ficaram de fora. O que levou 14 empresas a já reservarem seus espaços para a edição 2017 do Congresso, que será em agosto, em Canela/RS – marcando os 70 anos do setor no Brasil. São fornecedores de bicos e barras de pulverização, dispersores de sólidos, fabricantes de instrumentos e empresas de equipamentos de alta precisão e outros. Este ano, as novidades foram sistemas de visão noturna e os veículos aéreos não-tripulados (os chamados drones).

O congresso é vitrine para a Embraer, que domina mais de 60% do mercado brasileiro e tem como vedete a nova versão do Ipanema. A aeronave já era sucesso por usar etanol como combustível e, agora, no modelo 203, ganhou maior envergadura (e mais largura de faixa de pulverização) entre outras melhorias. O País é importante também para a norte-americana Air Tractor, cujo presidente Jim Hirsch (que todos os anos vem do Texas para a feira do Sindag), disse que pretende trazer para Canela, no ano que vem, o novo AT-502 XP. Uma versão “vitaminada” do modelo mais vendido da companhia no Brasil. Já a Thrush Aircraft, também dos EUA, espera homologar para vendas aqui a versão movida a diesel da aeronave que também está presente nas lavouras brasileiras.

“O avião faz a diferença quando se busca aumento de produtividade no campo, pela sua alta (e crescente) tecnologia, precisão e eficiência, sem falar na velocidade - características fundamentais para o combate a pragas com menos reaplicações”, lembra Kämpf, do Sindag

Outros indicadores de boa perspectiva para os próximos 12 meses vêm da integração com entidades aeroagrícolas de outros países, como, por exemplo, a Associação Nacional de Aviação Agrícola dos Estados Unidos (NAAA, na sigla em inglês), que pela primeira vez enviou representante ao Brasil, no evento de junho. O Sindag deve enviar uma delegação à convenção anual da entidade norte-americana, em dezembro, na Califórnia, e já ficou acertado que as entidades devem se visitar pelos próximos cinco anos. O que se soma ao segundo ponto, que é o fato de o próximo Congresso Sindag ter abrangência de Mercosul e América Latina. Como já foi acertado que a NAAA também estará no evento, essa integração poderá ser uma nova oportunidade

Mercado — A frota aeroagrícola do Brasil cresceu cerca de 40% desde 2008 e se esperava um acréscimo de 5% a 7% em 2015 e 2016. Claro que com a crise econômica e, principalmente, a oscilação do dólar (moeda que rege a compra de aviões e equipamentos), derrubou esse índice. Mas não se chegou à estagnação total. Pelo menos 26 novos aviões entraram no mercado em 2015 e em 2016 deverá se ter entre 1% e 3% de crescimento. No pano de fundo de tudo isso, um setor agrícola que segue respondendo com números positivos na economia e a necessidade cada vez maior de emprego de tecnologias para aumentar produtividade, reduzir custos e proteger o meio ambiente.

Paralelamente, o próprio mercado também vem respondendo à pressão da opinião pública pela responsabilidade ambiental por parte de que está no campo. Apesar da aviação já ser o único meio de pulverização no Brasil com legislação própria e altamente fiscalizado, o Sindag apoiou a criação e adoção do único selo de qualidade ambiental existente no mundo para o setor. Trata-se do programa Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS), coordenado por uma fundação independente e três universidades públicas e que já abrange 56% das 232 empresas de aviação agrícola existentes no País, apesar de ser de adesão voluntária.

Pesquisa — O período 2016/2017 marca também a arrancada final na parceria do Sindag com a Embrapa para a maior pesquisa até hoje realizada no Brasil sobre tecnologias de pulverização. Um trabalho que desde 2013 abrange seis centros de pesquisa da estatal, dez universidades parceiras e uma empresa de tecnologia. E deve resultar em novos equipamentos de precisão e no aperfeiçoamento das técnicas de combate a diversos tipos de pragas. Por tudo isso, é possível dizer que o período de crise econômica serviu, na verdade, como uma pausa de tomada de fôlego para uma nova fase, onde a aviação agrícola deve abrir ainda mais suas asas sobre o campo.