Na Hora H

 

MESMO EM PERÍODO DE TRANSIÇÃO, VEMOS AS COISAS MELHORANDO MUITO

ALYSSON PAOLINELLI

Ainda estando em um período de difícil transição, temos que reconhecer que as coisas no Brasil já estão melhorando, e muito. Há hoje uma equipe econômica de respeito nacional e internacional e que apenas com o anúncio dos seus nomes estão provocando o retorno da confiança no País. As primeiras medidas nesse campo já nos trazem a certeza de que a economia será bem administrada e deixará de ser o “calcanhar de Aquiles” que vinha infelicitando a nação inteira. Nas áreas específicas de agricultura, saúde e educação, podemos ter certeza de que as coisas tomarão seus rumos certos e desejáveis.

Em nossa área, a agrícola, que continua a ser o sustentáculo da economia brasileira, foi escolhido um político de larga e incontestável experiência no setor. Depois das desilusões das perigosas e inesperadas viradas de folhas no setor agrícola, surge agora Blairo Maggi como uma garantia e certeza do rumo que iremos tomar. Suas primeiras afirmações e decisões já restabeleceram a confiança dos produtores brasileiros em sua ação de Governo.

Uma delas foi a iniciativa de levar o presidente da República a ter um diálogo franco, leal e sincero com as principais lideranças do setor, e o que é mais importante: ambos mais ouvindo do que falando e tendo respostas contundentes para sanar, de forma inequívoca, as grandes dúvidas que assolavam a locomotiva econômica do País, a nossa agricultura. Ninguém pode duvidar da sinceridade da clareza e da obstinação que o novo Governo tem em acertar na principal área que sustenta o Brasil. O diálogo foi digno de registro pela confiança que o clima acolheu. E o mais importante foi que o Presidente gostou tanto que se prontificou a repetir esse encontro a cada seis meses. Vejam e imaginem se as coisas estão ou não mudando?

No fato específico do seguro rural, exigido pela Constituição e por leis nunca cumpridas, bastou que se acenasse ao ministro e ao presidente a necessidade e a importância desse instrumento, e imediatamente tomaram as providências para que as coisas possam voltar aos seus lugares, parar-se de fazer tramoias de incompetências. E o que é pior, de demonstração de irresponsabilidade no trato de dinheiro público em apenas dizer que fariam seguro rural e gastar-se tanto recurso para algo distante de um seguro rural sério.

Volto aqui a dizer que a agricultura brasileira necessita ter um marco indelével que não é só o da Embrapa e do desenvolvimento das tecnologias e conhecimentos da agricultura tropical. Mas agora a marca seria antes e depois do seguro rural. Todos são testemunhas da minha permanente pregação nesse instrumento de política agrícola que nos deixa à distância intransponível dos nossos competidores que, já tendo seu seguro rural, inclusive seguro de renda, nos colocam em posição débil diante dos mercados que estamos tentando conquistar.

Se tanto reclamei da ausência de uma política pública séria, que nos permitisse ter um seguro rural que nos garantisse proteção não só às intempéries do clima, mas também das variações traiçoeiras do mercado, acabei sendo, pelo novo Governo, convocado a participar do grupo que tem o objetivo de fazer coisas sérias com instrumentos sérios e valiosos como seguro rural total, inclusive de renda. Sabemos que o Brasil não tem a mesma fortaleza nos tesouros dos países que são concorrentes nossos e que podem bancar com recursos públicos até mesmo catástrofe de clima ou de mercado. Aqui haveremos de ter, através da confiança, seriedade e participação da iniciativa privada em parcerias sérias e objetivas, fórmulas para poder exercer o seguro pleno. Mas para isso é fundamental que se tenha a confiança no próprio Governo. Só esse clima poderá corrigir as mazelas e os erros que se cometeram em nome do seguro rural.

Confesso que vamos precisar de todos aqueles que de forma séria possam trazer as suas sugestões para que a parceria seja uma atitude vitoriosa capaz de vencer o maior obstáculo que é construir um seguro total em um país ainda pobre. Todos estamos abertos e desejosos a que essa participação surja de todos os segmentos do setor. Essa é a chave do seguro com a qual construiremos o tão desejado seguro rural.

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura