Agribusiness

CAFÉ

Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br

COMERCIALIZAÇÃO EM RITMO LENTO, COM NEGOCIAÇÕES PONTUAIS

A comercialização da safra de café do Brasil 2015/16 (julho/junho) estava em 97% da produção total estimada, número relativo ao final de maio. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado, e conta com números colhidos até 6 de junho. Com isso, já foram comercializados pelos produtores brasileiros 48,58 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a projeção de Safras & Mercado, de uma safra 2015/16 de 50,3 milhões de sacas. A comercialização está adiantada contra a média dos últimos cinco anos para este período, que é de 92%. Em 2015, o mês de maio terminou com 93% da safra comercializada. Houve, ainda, avanço de 2 pontos percentuais na comercialização da safra 2015/16 em relação ao final do mês de abril (95%).

Segundo o analista de Safras Gil Barabach, a comercialização da safra corrente andou pouco ao longo de maio. “Pouca oferta e queda no preço afastaram os vendedores do mercado. O comprador também não mostrou grande interesse, o que ajudou a travar o mercado. Assim, a comercialização fluiu de forma lenta, marcada por negócios pontuais, que invariavelmente seguiam algum repique no dólar ou na ICE”.

O levantamento mensal de Safras indica que até 6 de junho os produtores haviam comprometido 25% da produção da safra nova 2016/17, projetada em 56,40 milhões de sacas. Em abril, as vendas alcançavam 22%. No caso do arábica, as vendas atingiam 26% da safra, projetada em 42,80 milhões de sacas. Já no conilon, o comprometimento chegava a 25% de uma safra estimada em 13,6 milhões de sacas. As vendas andavam um pouco mais, diante do aparecimento de oferta física e do preço mais alto. Em abril, o produtor havia comprometido 16% da safra.


ARROZ

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

PREÇO DO CEREAL GAÚCHO SEGUE EM ESCALADA E BATE RECORDE

Os preços do arroz gaúcho, principal referencial nacional, mantiveram a escalada de alta na primeira quinzena de junho. A saca de 50 quilos era comercializada a uma cotação média de R$ 46,70 no dia 16. Ante igual período do mês passado, alta de 12,9%, quando a saca valia R$ 41,38. Na comparação com igual momento de 2015, a elevação era de 39,9%, quando a saca custava R$ 33,37. Conforme o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, esse patamar recorde reflete o quadro de escassez de oferta. “Os elos da cadeia produtiva vêm buscando um novo ponto de equilíbrio para as cotações”, explica.

“A primeira referência é a paridade de exportação, ponto em que se torna mais atrativa a venda para o mercado interno”, pondera Bento. “A outra é a de importação, ou seja, o ponto em que o produto importado passa a ser atrativo para a substituição do nacional”, acrescenta. Além disso, com o quadro ajustado, os preços ficam sensíveis à eventual pressão de oferta (vencimento de custeio) ou de demanda (para repor estoques). “A tendência segue sendo de preços em recuperação ao longo da temporada”, estima.

No cenário internacional, destaque para o relatório de junho de oferta e demanda do Usda, que estimou a produção mundial de arroz beneficiado em 480,72 milhões de toneladas para 2016/ 17. Para 2014/15, foi estimada safra de 470,89 milhões As exportações mundiais foram estimadas em 40,53 milhões de toneladas para 2016/17. A estimativa para o consumo é de 480,39 milhões de toneladas para 2016/17, ante 480,53 milhões de toneladas indicadas no mês anterior.


SOJA

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

USDA CORTA PROJEÇÃO PARA ESTOQUES DOS EUA

O relatório de junho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) cortou a estimativa para os estoques finais americanos em 2015/16 e também para 2016/17. Os números ficaram abaixo do esperado pelo mercado. Em relação à temporada 2015/16, indicou estoques de 370 milhões de bushels, contra 400 milhões do relatório anterior e contra 387 milhões projetados pelo mercado. A safra ficou estimada em 3,939 bilhões de bushels. As exportações foram elevadas de 1,74 bilhão para 1,76 bilhão de bushels.

O esmagamento foi elevado de 1,88 bilhão para 1,89 bilhão. Para 2016/17, os estoques foram reduzidos de 305 milhões para 260 milhões de bushels. O mercado apostava em 298 milhões. A safra foi mantida em 3,8 bilhões. As exportações foram elevadas de 1,885 bilhão para 1,9 bilhão de bushels. O esmagamento está projetado em 1,915 bilhão, mesmo número do relatório anterior.

O relatório projetou safra mundial em 2015/16 de 313,26 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 315,86 milhões. Os estoques finais foram cortados de 74,25 milhões de toneladas para 72,29 milhões. O mercado apostava em estoque de 73 milhões de toneladas. A projeção do Usda aposta em safra americana de 106,93 milhões de toneladas.

Para 2016/17, o Usda indicou safra mundial de 323,7 milhões de toneladas, contra 324,2 milhões do relatório anterior. Os estoques tiveram projeção reduzida de 68,21 milhões para 66,31 milhões de toneladas. A safra americana foi mantida em 103,42 milhões de toneladas. A Argentina deve produzir 53 milhões e o Brasil, 103 milhões. As importações chinesas estão estimadas em 87 milhões de toneladas. O mercado internacional de soja volta as suas atenções para o clima nos Estados Unidos. O “mercado de clima” ganhou importância diante da perspectiva de uma oferta mundial menor, resultado da quebra da Argentina e da produção menor que o esperado nos Estados Unidos.

No final de junho, as condições favoreciam o desenvolvimento das lavouras, apesar da falta de chuvas em algumas regiões do Meio Oeste. Os preços internacionais oscilavam conforme os boletins meteorológicos. Outro fator que mereceu atenção dos negociadores foi a maior aversão ao risco, principalmente em decorrência da saída do Reino Unido da União Europeia. O dólar subiu e retirou as cotações de níveis próximos de US$ 12 em Chicago.


ALGODÃO

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

MERCADO TEM PREÇOS ESTÁVEIS E BAIXA LIQUIDEZ

O mercado brasileiro de algodão encerrou a primeira quinzena de junho com preços estáveis e negócios escassos. Segundo o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto, houve baixa comercialização para o mercado disponível e para o futuro. “Muitos agentes optaram por não tomar posições em virtude da alta sofrida no mercado internacional, bem como a instabilidade do dólar”, explica. Já a falta de disponibilidade de oferta do algodão de boa qualidade tem diminuído a liquidez.

No Cif de São Paulo, a pluma era cotada a R$ 2,65 por libra-peso no dia 16 de junho, mesmo patamar da semana anterior. Em relação ao mesmo período mês passado, quando valia R$ 2,67, a retração acumulada é de 0,75%. Quando comparado ao ano anterior – R$ 2,10 – , o avanço é de 26,19%.

No cenário internacional, destaque para o relatório de junho de oferta e demanda do Usda, que estimou a produção de algodão daquele país na temporada 2016/17 em 14,8 milhões de fardos, mesmo patamar do relatório passado. Para a safra 2015/16, eram esperados 12,89 milhões de fardos. As exportações deverão ficar em 10,5 milhões de fardos em 2016/17, mesmo número do relatório anterior.

O consumo interno foi previsto em 3,6 milhões de fardos para 2016/17, mesmo patamar do mês anterior. Baseado nas estimativas de produção, exportação e consumo, os estoques finais norte-americanos foram previstos em 4,8 milhões de fardos para a temporada 2016/17, contra 4,7 milhões do relatório anterior.

No quadro mundial, o Usda estimou a produção global em 103,17 milhões de fardos. As exportações mundiais foram estimadas em 33,33 milhões de fardos para 2016/ 17. A estimativa para o consumo mundial é de 110,59 milhões de fardos.


MILHO

Arno Baasch - arno@safras.com.br

PREÇOS CEDEM COM AVANÇO DA COLHEITA DA SAFRINHA

O mercado brasileiro de milho aproximou- se do final de junho com uma nova perspectiva na comercialização. De acordo com o analista de Safras Paulo Molinari, após diversas semanas marcadas por um quadro de escassez de oferta e preços elevados no mercado doméstico, espera-se uma retomada na dinâmica dos negócios, com o avanço mais efetivo da colheita da safrinha. “Ainda que as projeções de colheita da segunda safra tenham recuado por conta das geadas em áreas produtoras, pouco mais de 50 milhões de toneladas devem ingressar no mercado doméstico nos próximos 90 dias, favorecendo a comercialização”, explica.

Molinari ressalta que os efeitos das perdas por geada ainda estão sendo avaliados e eles poderão até aumentar. Mesmo assim, o efeito desse recuo na produção tende a diminuir daqui para frente, uma vez que o interesse de venda por parte dos produtores tende a aumentar, levando em conta o patamar de preços atrativo até o momento, muito acima de qualquer estimativa mais otimista. Por outro lado, o analista informa que talvez os preços internos não venham a cair tanto quanto o esperado pelo setor consumidor.

Apesar de ter perdido um pouco o potencial de desvalorização, o câmbio ao redor de R$ 3,50 ainda segue atrativo para a exportação ou para atender a necessidade de importação continuada para regiões. Além disso, os preços seguem em patamares elevados no mercado internacional, apesar do bom desenvolvimento das lavouras americanas. “As especulações sobre um possível clima quente ao longo do verão americano, o que poderia reduzir o potencial de produtividade das lavouras, segue influenciando os investidores a manter posições compradas, o que inibe uma maior queda dos preços em Chicago”.


TRIGO

Gabriel Nascimento - gabriel.antunes@safras.com.br

REDUÇÃO DA OFERTA DE GRÃOS PRESSIONA PREÇOS

A tendência do mercado brasileiro de trigo, no último mês, reverteu de altista para baixista, acompanhando a oscilação dos preços do milho. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, os dois grãos são substitutos, um do outro, na fabricação de ração. A alta do milho era o principal fator de suporte aos preços do trigo. Os bons volumes de exportação do milho provocaram uma escassez de grão, gerando um déficit no quadro de oferta nacional, que fez do trigo um substituto atrativo as indústrias de ração.

Levando em conta os altos preços do milho, a indústria de ração estava disposta a pagar valores maiores do que os referenciais do momento para o trigo, ganhando a competição com os moinhos, e esgotando um volume considerável do disponível para a comercialização. “O trigo também estava escasso, por causa da quebra nas duas últimas safras do RS e na safra atual do PR, mesmo que em menor intensidade.

Dessa forma, a tendência altista foi potencializada, e permitiu uma alavancada de preços em um curto espaço de tempo”, analisa Pinheiro. Com o início da colheita de milho, que pressionou o trigo, as indústrias de ração retornaram as atenções à sua principal matéria-prima. Dentro desse cenário, a indústria moageira segue com estoques para os próximos 30 dias, e moinhos de menor capacidade seguem comprando em pequenos volumes. “No longo prazo, as importações serão uma alternativa viável para o abastecimento interno, enquanto não começarem os trabalhos de colheita da próxima safra brasileira”.