Empreendedorismo

 

O lugar precioso da MULHER do e no agronegócio

O Núcleo Feminino do Agronegócio, que reúne mulheres para troca de informação, conhecimento e experiências de trabalho – e de vida –, promove o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, em outubro

Teresa Cristina Vendramini, a Teka, socióloga, produtora rural e presidente do NFA – Núcleo Feminino do Agronegócio

Como produtora rural há pouco tempo, enfrento muitos desafios, inclusive a falta de conhecimento no setor. Por isso precisei, em um curto espaço de tempo, familiarizar-me com a diversidade de competências exigidas. Procurei ajuda profissional qualificada e aprendizado através de cursos e seminários.

Hoje já consigo caminhar com mais segurança e propriedade no meu negócio. Nos últimos anos, fui encontrando e conhecendo mulheres com o mesmo perfil e necessidade de adequação no agro. E percebi que não estava só. Acredito que muitas são as mulheres que driblam dificuldades para se tornarem líderes com vontade e superação diária. Exercem coragem e competência, e principalmente, paixão pelo nosso negócio!

Participo de um grupo de mulheres que se encontram mensalmente para aprendizado e troca de experiências, o Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA). O NFA nasceu da vontade das fundadoras de estarem juntas e poderem falar e partilhar o seu trabalho. Atualmente somos 25 pecuaristas, ávidas por troca de informação, conhecimento e experiências de trabalho e de vida. Realizamos normalmente uma primeira reunião anual para escutarmos todas as integrantes e fazermos um planejamento do que será trabalhado nas reuniões.

Discutimos o que é relevante para o ano e, em seguida, pensamos em quem poderemos trazer para nos auxiliar com conhecimento, teoria e prática. Geralmente são palestrantes e profissionais do agronegócio, que falam de assuntos diversos, sempre voltados à fazenda, administração, produção e outros temas. Buscamos também pessoas que queiram estar conosco, que compartilhem dos mesmos ideais, de vida e de profissão.

Recentemente, contamos com a presença dos professores Moacir Corsi e Roberto Rodrigues, e de Mauricio Antônio Lopes, presidente da Embrapa, de Fernando Sampaio, presidente do GTPS, Alcides de Moura Torres Junior (o Scot), da Scot Consultoria, e dos nossos amigos e produtores rurais Mateus Arantes e Rogério Goulart. Estamos presentes nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins.

E somos regidas por um estatuto. Tudo bastante profissional, como aprendemos que deve ser um trabalho levado a sério e com bastante respeito. Normalmente nossas reuniões abordam temas como novas tecnologias, infraestrutura de produção, demandas de mercado, nutrição animal, pastagens, mercado financeiro, gestão de pessoas e por aí afora!

“O setor do agronegócio para a mullher está se tornando cada vez mais profissional. E o perfil dessa mulher batalhadora também está em frequente mudança”, explica Teka

Queremos aprender novas técnicas e tecnologias, mas, principalmente, saber se estamos no caminho certo e altamente produtivo. A administração de uma fazenda é um negócio e deve ser tratado como tal: ser produtiva e dar lucro. Gosto de dizer que o diferencial do NFA é que é composto por mulheres totalmente tomadoras de decisão, gestoras do próprio negócio. Como exemplos, participam do grupo duas integrantes que trabalham com o leite e o fazem com excelência: Maria Antonieta Guazelli, de Minas Gerais, e Eunice Kalder, de São Paulo. Ocupamos nosso espaço e começamos a ser vistas por outros pecuaristas como referência de organização e troca de experiências entre executivos da nova geração do agronegócio.

Representamos apenas uma pequena parcela das mulheres que fazem parte do agronegócio. Muitas de nós estão na terceira geração da agropecuária moderna, que se iniciou nos anos 1950, e transformou o Brasil em um dos maiores produtores mundiais de grãos. Outras dão continuidade à atividade iniciada pelos avós. Temos ainda uma geração que está se preparando para tomar conta das fazendas, como veterinárias, zootecnistas, administradoras e economistas.

Congresso Nacional — O setor do agronegócio para a mulher está se tornando cada vez mais profissional. E o perfil dessa mulher batalhadora também está em frequente mudança. Prova disso é que, nos dias 25 e 26 de outubro, teremos o primeiro Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que será um diferencial para todas nós. Uma oportunidade de encontro e trocas de experiências em um primeiro momento, mas também a oportunidade de ouvir renomados profissionais e cientistas do agronegócio. O congresso acontece no Transamerica Expo Center, em São Paulo, que promove e sedia o evento que conta com o apoio da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), e tem o professor José Luiz Tejon Megido como responsável pela coordenação de conteúdo, juntamente com outros profissionais envolvidos no projeto.

Um dos pontos principais, na minha opinião, é que foi executada uma pesquisa inédita sobre as mulheres do agronegócio, destacando o perfil empresarial, demográfico e social das mulheres do agronegócio. Teremos o primeiro mapeamento de quem somos, quais são nossos maiores desafios e conquistas até agora.

Poderemos olhar com mais propriedade nossos diferenciais, nosso papel no setor e como enxergamos e vivemos nosso negócio. Será uma ótima oportunidade para discutirmos, juntas, quanto ao futuro e às possíveis dificuldades para desenvolver nossos negócios. Como adoro uma boa prosa e um ótimo encontro, aguardo todas as mulheres no nosso Congresso! Tenho certeza que será único e gratificante para todas nós. As inscrições já estão abertas no site www.mulheresdoagro.com.br.