Reportagem de Capa

SEMENTE: o chip da agricultura

A semente é considerada por muitos o insumo mais nobre da agricultura, uma vez que em seu cerne está a base para o desempenho de uma planta e, por consequência, a produtividade da lavoura comercial – e o êxito financeiro do produtor. Porém, a semente é, antes de um ativo econômico, um ser vivo, e por isso precisa de uma atenção digna de sua relevância, desde a sua produção sob normas de certificação, os processos diferenciados de colheita e armazenamento, além de tratamento fitossanitário. Tudo em nome de uma palavra emblemática em relação a sementes: vigor

Leandro Mariani Mittmann
leandro@agranja.com

“Um dispositivo microeletrônico que consiste de muitos transístores e outros componentes interligados capazes de desempenhar muitas funções”: essa é definição para chip no dicionário online inFormal, e refere-se àquela pecinha presente nos mais variados equipamentos eletrônicos. Pois a agricultura também tem o seu chip: a semente. Sim, naquela “pecinha” estão muitos “componentes capazes de desempenhar muitas funções”, ou seja, quando em contato com solo + água + calor = germinar, crescer e gerar frutos – e lucros. Portanto, assim como o chip do celular precisa de muita tecnologia – e cuidados – para funcionar, a semente igualmente é carregada de tecnologias, consequência de décadas de aprimoramentos e empenho da ciência e de cientistas, e exige atenções especiais para cumprir suas funções.

Como bem define um trabalho da Embrapa, uma das empresas que mais investe capital, inclusive humano, em pesquisas e desenvolvimento de sementes, “a semente não é só um grão que germina”. Tem mais, mas muito mais, esclarece a cartilha “A semente de soja como tecnologia e base para altas produtividades”, elaborada pela unidade Embrapa Soja. “Ela possui atributos de qualidades genética, física, fisiológica e sanitária que um grão não tem e que lhe confere a garantia de um desempenho agronômico, que é a base fundamental do sucesso para uma lavoura tecnicamente bem instalada”. E para ser considerada de alta qualidade, a semente deve conter características fisiológicas e sanitárias como altas taxas de vigor, de germinação e de sanidade, assim como garantias de pureza física e varietal. Além, é claro, de não ser poluída por sementes de outras espécies.

Entre os muitos atributos exigidos para uma semente ser considerada de qualidade, o vigor é o termo mais mencionado pelos especialistas do mundo de sementes. “É a capacidade de germinar, emergir e se tornar uma planta produtiva e dar origem à próxima geração de sementes dentro de parâmetros mínimos de qualidade”, define Fernando Henning, pesquisador da Embrapa Soja e primeiro vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), entidade criada em 1970 para impulsionar o desenvolvimento de tecnologias de sementes na agricultura brasileira. A Abrates congrega a expertise brasileira do segmento, e promove uma vasta programação em discussões e capacitações nessa área, como, desde 1979, o Congresso Brasileiro de Sementes.

Henning cita estudo da Embrapa Soja que apurou diferença de produtividade de 25% a 35% entre uma semente de soja de elevado vigor para uma de média a baixa nessa propriedade. A utilização de uma semente de alta qualidade garante a população adequada da lavoura, maior velocidade de emergência e o sucessivo desenvolvimento dessas plantas que, assim, promoverão o fechamento das entrelinhas de maneira mais veloz, o que é providencial no controle das ervas daninhas (via sufocamento das invasoras) – e até para evitar a chegada de pragas de outras áreas. Além disso, a planta mostra-se muito mais resistente para enfrentar o déficit hídrico. E o contrário também: “Se chover muito, a raiz será preservada”, atesta o pesquisador. “Quanto mais vigorosa, melhor o sistema radicular e a parte aérea”, justifica. “A semente (com vigor) é produtiva mesmo sob condições de estresses bióticos e abióticos”.

Henning, da Abrates: “Vigor é capacidade de germinar, emergir e se tornar uma planta produtiva e dar origem à próxima geração de sementes dentro de parâmetros mínimos de qualidade”

A verdade é que a síntese da importância da semente para a agricultura baseia- se no ditado popular “o que começa certo, termina certo” – e, obviamente, sabe-se onde vai dar o que começa errado. “Se vigorosa, a semente melhora todo o manejo da sua lavoura até a colheita”, afirma Henning. Ele adverte, porém, quanto à importância de o produtor investir em sementes certificadas, com origem idônea. “A cadeia de sementes do Brasil é uma das mais tecnificadas do mundo”, garante. Por isso, o especialista considera uma “economia falsa” a empreendida por aquele produtor que não privilegia a aquisição de sementes geradas dentro do sistema oficial, imaginando que estará, assim, reduzindo custos de produção.

Semente certificada sempre — A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass) estima que 30% da semeadura brasileira da oleaginosa é feita com sementes nãocertificadas, ou seja, as chamadas salvas (grão colhido pelo agricultor) ou até mesmo pirateadas. Ao todo, são quase 10 milhões de hectares, portanto, plantio realizado com um produto sem nenhuma garantia das qualidades mencionadas acima. É uma ação absurda cometida pelo produtor, visto que a semente representa menos de 10% do custo de produção de uma lavoura.

“A semente certificada é a garantia que a variedade não tem mistura varietal. E que não tem semente de outras espécies”, argumenta Marco Alexandre Bronson e Sousa, presidente da Abrass. No Brasil, são aproximadamente 300 empresas multiplicadoras de sementes de soja, que produziram em torno 40 milhões de sacas de 40 quilos neste ano, correspondendo a um valor de mercado de R$ 6,3 bilhões. A Abrass representa cerca de 70% do volume de produção de sementes da cultura.

Sousa acrescenta que o insumo idôneo assegura ao produtor a população de plantas da sua lavoura, visto que a empresa tem a obrigação de repor as sementes que não germinarem conforme o prometido. Mais do que isso, o agricultor evita levar ao solo, além da semente da cultura comercial, sementes de invasoras. “O produtor pode colocar em risco a lavoura dele”, alerta. E o prejuízo vai além da fazenda. “Quando o produtor compra semente certificada, ele está contribuindo para a pesquisa”, observa. De 10% a 15% do valor da semente são repassados para os chamados obtentores, as empresas ou instituições que desenvolveram a variedade. “Ao ‘salvar’ a semente, o produtor está deixando de contribuir com a pesquisa”, critica.

“A semente certificada é a garantia que a variedade não tem mistura varietal e que não tem semente de outras espécies”, destaca Marco Alexandre Bronson e Sousa, presidente da Abrass

Pior do que conceber a própria semente, uma irresponsabilidade ainda maior é a aquisição de sementes pirateadas. Ou seja, muitos produzem os grãos, os ensacam e revendem a outros produtores, em sacarias sem identificação. Ou até, por vezes, utilizam-se até de embalagens de marcas do mercado. “É a pirataria profissional”, define Sousa. E o absurdo: “Na maioria dos casos, os produtores sabem o que estão comprando”, lastima o dirigente da Abrass. Sousa compara essa situação à venda de DVDs e CDs de filmes e músicas nos centros urbanos: o comprador sabe que é um produto pirata e, portanto, ilegal, sem garantias de qualidade, e mesmo assim faz a aquisição.

Tratamento com fungicidas: eficiente e barato — A semente, se gerada dentro dos padrões exigidos, chega às mãos do produtor enrobustecida contra as ameaças da natureza. Mas que tal uma blindagem extra, ou seja, submetê-la ao tratamento de sementes para defendê-la dos fungos e dos insetos. “Deve-se ressaltar que o efeito principal do tratamento de sementes de soja com fungicidas é observado na fase inicial do desenvolvimento da cultura (no máximo até 15 dias após a emergência). Nesse período, ocorre uma eficiente proteção, proporcionando a obtenção de populações adequadas de plantas em função da uniformidade na germinação e emergência”, esclarece Augusto César Pereira Goulart, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste. Porém, se as condições climáticas forem favoráveis, após esse período alguns fungos poderão se instalar visto a perda do poder residual dos fungicidas.

O pesquisador aborda aqui o tratamento das sementes de soja, mas lembra que, de uma maneira geral, o procedimento assemelha-se em milho, algodão e feijão. O que varia são os fungos-alvos. O tratamento deve ser realizado em máquinas específicas para a finalidade, seja na indústria (o tratamento de sementes industrial, TSI), seja na propriedade do produtor, trabalho também denominado on farm. Conforme ele, considerando a crescente modernização da agricultura brasileira, o TSI tem muito potencial de crescimento. “Essa prática caracteriza- se basicamente pela utilização de equipamentos especiais que asseguram cobertura, dose e qualidade das sementes, possibilitando a comercialização das mesmas já tratadas dentro de elevados e seguros padrões de qualidade”, descreve.

Na escolha do fungicida, o primeiro aspecto a considerar é o organismo-alvo do tratamento. “Nesse contexto, é sabido que, de forma variável, os fungicidas diferem entre si quanto ao espectro de ação ou especificidade. Assim, a ação combinada de fungicidas sistêmicos com protetores tem sido uma estratégia das mais eficazes no controle de patógenos das sementes e do solo”, orienta. E Goulart lista o portfólio de produtos recomendados pelo Ministério da Agricultura: carbendazim + thiram, carboxin + thiram, fludioxonil + mefenoxan, fipronil + piraclostrobin + tiofanato metílico, fludioxonil + mefenoxan + thiabendazole, tiofanato metílico + fluazinan e clorotalonil + tiofanato metílico. Sempre nas doses indicadas pelos fabricantes.

Pelos cálculos do pesquisador, o tratamento de sementes de soja representa um custo ínfimo, algo como 1,49% de todos os dispêndios para iniciar e terminar uma lavoura. “Atualmente, 98% das sementes de soja são tradadas com inseticidas e fungicidas, seja na indústria ou na propriedade agrícola. Nos últimos seis anos, a adoção do tratamento de sementes no Brasil mais que dobrou”, estima Goulart. Um salto e tanto, já que na safra 1991/92 apenas 5% das lavouras de soja receberam tratamento para sementes.

Inseticidas: oportuna prevenção — O tratamento com inseticidas para as sementes de soja, milho, algodão e feijão tem por meta o controle preventivo de pragas iniciais. E também é um procedimento industrial ou caseiro. “É de suma importância, pois pode prevenir os danos causados por insetos-praga em plantas de diferentes culturas, garantindo um melhor estabelecimento do estande e da uniformidade das plantas, especialmente em seus estádios iniciais de desenvolvimento”, resume Crébio José Ávila, da Embrapa Agropecuária Oeste. Segundo ele, na agricultura brasileira, 90% das sementes de soja são tratadas com inseticidas, algo como mais de 28 milhões de hectares.

Ávila, da Embrapa: “O tratamento de sementes com inseticida é, na verdade, um seguro barato que o produtor faz, que pode trazer bastante benefício no sistema produtivo”

E em relação a milho e algodão, esse índice é de praticamente 100%. “O produtor tem plena consciência da importância dessa prática e ele faz com o objetivo, como fosse um seguro programado, visando garantir um melhor estabelecimento de estande de plantas e de desenvolvimento inicial da sua cultura”.

Tal procedimento protege as sementes e também as plântulas ao provocar a morte dos insetos quando entram em contato. “Esse residual de proteção da planta depende muito do produto utilizado e da cultura em questão, mas dá uma proteção na faixa de 20 a 30 dias após a emergência das plantas”, detalha.

“O tratamento de sementes com inseticida é, na verdade, um seguro barato que o produtor faz, que pode trazer bastante benefício no sistema produtivo, como garantir uma melhor produtividade da cultura e até mesmo reduzir ou eliminar a possibilidade de refazer uma semeadura devido ao ataque inicial de pragas”, acrescenta. “Devemos ter consciência que o tratamento de semente não é um método exclusivo de controle de insetos-pragas, mas sim um método complementar a ser empregado, dependendo das culturas e das pragas que se deseja controlar”.

O procedimento pode ser realizado com máquinas especializadas e automatizadas, ou mesmo em uma betoneira comum utilizada na construção civil. “A principal restrição no tratamento de sementes é com relação à quantidade de água a ser usada no procedimento, nunca devendo ser mais do que 5 mililitros (ml) para cada quilo de semente tratada, pois um excesso de umidade na massa de sementes poderá afetar o seu vigor”, orienta.

Goulart, da Embrapa: o tratamento com fungicidas proporciona uma eficiente proteção, e isso resulta em populações adequadas de plantas visto à uniformidade na germinação e emergência

E, naturalmente, para cada tipo de praga existe um grupo de inseticidas recomendado. Para insetos sugadores como percevejos, mosca-branca, cigarrinhas, pulgões, tripes, etc., os melhores produtos são os neonicotinoides como tiametoxam, clotianidin, imidacloprido, etc. Já para os mastigadores como lagartas, corós e tamanduá-da-soja, os melhores são os fenilpirazóis e carbamatos/fosforados e as diamidas como o Fipronil, Acefato, Tiodicarbe, Clorantaniliprole e Cyantraniliprole.


ATENÇÃO AO ARMAZENAMENTO DO INSUMO

A semente é produzida dentro de todos os padrões técnicos e tecnológicos exigidos. Porém, infelizmente, antes de ir ao solo para dar o seu show, por vezes é condicionada de uma forma completamente inadequada, o que a faz perder suas qualidades originais. “A semente é um organismo vivo e sensível, que precisa de cuidados especiais para que seja mantida a qualidade fisiológica até o momento do plantio.

Umidade e temperatura fora do ideal podem provocar, dentre outros danos, perda de vigor e germinação”, alerta a engenheira agrônoma Adriana Del’Isola, assessora técnica da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass). Da colheita das sementes (realizada em todo o País até o segundo bimestre) até o plantio da próxima safra é um tempo longo, em que o produto precisa estar sob as condições mais convenientes de armazenamento.

Nas empresas certificadas, o processo de armazenamento vai além do controle de umidade e temperatura, descreve o presidente da Abrass, Marco Alexandre Bronson e Sousa. “Não é uma simples estocagem. Durante o tempo em que estão armazenados, os lotes passam por testes constantes de tetrazólio (para saber a viabilidade e o vigor) em laboratório e testes de vigor e de germinação em canteiro, para acompanhamento das condições fisiológicas das sementes.

Equipes monitoram e controlam umidade e temperatura. Investimentos são feitos em infraestrutura, isolamento térmico, resfriamento e equipe, tudo para garantir o melhor resultado possível”, descreve. O local apropriado de armazenamento deve estar limpo e seco, com temperatura que não ultrapasse 25 graus centígrados e umidade até 70%, e sem grandes oscilações.


QUER SER UM SEMENTEIRO? NÃO É TÃO SIMPLES

Agregar valor à produção, fugir da chamada “commoditização” imposta pelo mercado é o sonho de muitos produtores. Entre as possibilidades está a de tornar-se produtor de sementes para uma grande marca. Mas a adesão a esse mundo à parte na agricultura impõe adaptar-se a uma série de condições, afirma Paulo Dejalma Zimmer, coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências e Tecnologia de Sementes da Universidade Federal de Pelotas/RS. “A margem (de ganhos financeiros) não é grande”, alerta. “O produtor não pode ser instigado a ser um sementeiro. Não pode ser incentivado. Tem que ser ao natural”. Segundo ele, no caso de soja, o valor acrescido à cotação de mercado de grãos varia de 8% a 12% sobre a matéria-prima própria e menos de 5% se o produtor trabalhar com a matéria -prima de terceiros. “Tem sementeiro fechando, em crise, e outros muito bem. São os que produzem com altíssima qualidade e conseguem agregar valor ao seu produto”, resume o momento do setor.

Quanto ao milho, a produção de sementes é completamente verticalizada pelas indústrias, que detêm os germoplasmas dos híbridos. Essas empresas geram as sementes em regiões bem específicas, com condições climáticas favoráveis à finalidade e, sobretudo, completamente isoladas – já que a polinização cruzada do cereal possibilita a contaminação genética. Além disso, a produção é 100% irrigada, e a colheita não é feita em grãos, mas sim em espigas. Todo o processo é “extremamente controlado”, sintetiza Zimmer. No Brasil, aproximadamente 90% da semente de milho são de híbridos. Tornar-se um produtor de sementes de híbridos de milho certamente irá esbarrar no acesso ao germoplasma, que depende de muita pesquisa e desenvolvimento, algo caro e demorado.

Já em relação à produção de sementes de soja, realizada por agricultores para empresas que desenvolveram as variedades (sistema licenciado ou verticalizado), Zimmer lista cinco itens fundamentais que o sementeiro precisa incorporar visceralmente para gerar um produto de qualidade. Afinal, ele define bem o trabalho de um sementeiro: “Tem que entregar um ser vivo de elevado desempenho fisiológico para o produtor de grãos ter maior segurança e produtividade”. Os cinco mandamentos são os seguintes:

1 – A produção de sementes não se adapta a qualquer ambiente, pois esse define o comportamento fisiológico do produto. É preciso altitude ou latitudes maiores, ou seja, com temperaturas bem definidas à noite e ao dia, com regimes de precipitação normal e sem extremos ambientais durante a formação da semente. “A chuva ou elevada umidade do ar entre a maturidade e a colheita também comprometem seriamente a qualidade da semente”, explica. “São ilhas”, esclarece.

2 – A tecnologia empregada é bastante cara, incluindo-se máquinas e equipamentos específicos para os processos de colheita, beneficiamento e armazenamento. Para se ter uma ideia da estrutura empregada, os silos precisam ser refrigerados.

3 – O engajamento é fundamental. “O sementeiro tem que ter comprometimento e compromisso com o produto final, não estar tentado a não descartar materiais que suspeita que não funcionem”, esclarece. Ou seja, se observar que as sementes geradas não são de qualidade, precisa de desprendimento para descartá-las, apesar do prejuízo. “Ele precisa ter comprometimento com o produto final e com o resultado do agricultor”.

4 – É preciso ter um controle “muito robusto” de qualidade, define o professor. Para tanto, o sementeiro precisa ter contato facilitado com laboratórios, para as muitas análises exigidas, e com uma boa certificadora.

5 – É indispensável o conhecimento, o know how, visto que a regulagem dos equipamentos, bem como os processos de pós-colheita e armazenamento são distintos se comparados à produção convencional de grãos. Recomenda-se a colheita quando a umidade do grão estiver entre 16% e 18% para a soja e 35% para o milho, enquanto na lavoura tradicional tal operação ocorre entre 10% a 14%. Assim como é bastante rigoroso o controle fitossanitário – afinal, não se admite a semente disseminando patógenos, atacada por insetos ou com semente de invasoras.