Na Hora H

 

A REGRA, SE PROVISÓRIA OU NÃO, ESTÁ POSTA. AGORA VAMOS TRABALHAR

ALYSSON PAOLINELLI

As decisões foram tomadas. Temer está na chefia do Governo por 180 dias ou mais. As equipes estão formadas e o Governo começa a trabalhar. As equipes econômicas e nas áreas chaves: agricultura, saúde e educação inspiram a nossa confiança. O que não pode é o Brasil continuar parado na indecisão de que os problemas econômicos, de segurança jurídica e a ideologia estranha voltem a imperar. Isso ninguém deseja.

No setor agrícola, a escolha, parece-nos, agradou a todos. O senador Blairo Maggi, ministro da Agricultura, é o homem do ramo, muito bem sucedido, que sempre contou com equipes excelentes e que tem também uma larga experiência administrativa como governador do seu estado, onde realizou uma excelente gestão, ponteada em um dos gargalos da administração pública brasileira, que é a necessidade da montagem de parcerias com a iniciativa privada, em que ele soube com maestria exercer intensamente a sua liderança e realizar grande parte de sua administração de forma integrada com o setor privado em benefício da eficiência e da consolidação de vários feitos, que só pelo governo não seriam realizados.

Cito entusiasticamente “as caravanas estradeiras”. Pude presenciar uma delas e vi não só o entusiasmo, mas o grau de confiança entre governo e classe produtora que, dessa forma, conseguiram realizar grandes vias de escoamento da sua produção em tempo e à hora. Essa escolha anima-nos a pensar que desta vez o nosso setor agrícola vai ter a oportunidade de influir e realizar algumas reformas indispensáveis na ação do Governo, e que essas reformas venham carregadas de oportunidades, de parcerias com a iniciativa iniciativa privada, desejosa de participar e sempre relegada em situações anteriores.

Acompanhei atentamente os pronunciamentos e a exposição que o novo ministro fez no Senado na semana passada. Animou-nos. É o que realmente esperávamos. Ele conhece de fato o setor, como uma das lideranças que ele sempre foi, mas está tendo a humildade de ouvir os produtores, seus companheiros, e aqueles que poderão participar no esforço que pretende realizar. Já convocou as associações de produtores e organizações do setor agrícola para a proposta de desburocratização que pretende fazer. Ficamos bem impressionados em participar dessa reunião. Parece que desta vez é para valer mesmo.

Estamos em uma fase imprescindível para que o País assuma de fato as oportunidades que estão se abrindo no mercado internacional e no abastecimento interno, onde se espera que volte a crescer com a renda que, espera-se, volte também a ser crescente. O setor agrícola que é capaz de gerar até US$ 100 bilhões em exportações anuais em um futuro próximo. E em não mais que 15 a 20 anos poderá dobrar essa quantia, desde que receba o apoio e a racionalidade nas políticas públicas, que nos coloquem em condições de igualdade com os nossos competidores.

Essa é indiscutivelmente a vez e a hora de a agricultura tropical representar o seu papel na produção em bases sustentáveis dos alimentos e da energia renovável. Que ela dê ao mundo a segurança alimentar e a garantia de clima limpo. Faço, no entanto, uma advertência. Embora o nosso ministro tenha peso e força política e esteja preparado para o cargo que ocupa, ele necessita da participação imprescindível das organizações da classe produtora, que em um clima sadio e de confiança, exerça a participação e o esforço indispensável no embate político econômico que nosso setor terá de realizar para alcançar a igualdade com os nossos competidores.

O mal da classe agrícola brasileira é pensar que o nosso problema está dentro de nossas porteiras. Ali sim, somos imbatíveis. Só que os grandes problemas que nos assolam estão fora de nossos limites e é por eles que temos de lutar com todas as forças que sejam possíveis, pois em termos de políticas públicas estamos longe de nossos competidores. Por melhor que seja o nosso ministro, repito a advertência: uma andorinha só não faz verão.

Lembro insistentemente que já tivemos excelentes ministros da Agricultura, mas que sozinhos nada puderam fazer, embora tivessem capacidade para isso. Insisto: se queremos mudanças, sérias e objetivas, vamos arregaçar as nossas mangas e participar nessa luta para recompor o Brasil nos trilhos do desenvolvimento sustentável que hoje todo mundo espera.

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura