Agribusiness

 

CAFÉ

Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br

SAFRAS ESTIMA PRODUÇÃO DO BRASIL 2016/17 EM 56,4 MILHÕES DE SACAS

A safra brasileira de café 2016/17, que está em começo de colheita, deve ficar em 56,4 milhões de sacas de 60 quilos. É o que aponta a primeira estimativa de Safras & Mercado para a safra, realizada via sondagem junto a cooperativas, produtores, exportadores, comerciantes, armazenadores e secretarias de agricultura. A safra 2015/16, antes indicada em 49,3 milhões de sacas, foi revisada para 50,3 milhões. Assim, Safras estima um aumento de 12% na produção 2016/17 contra 2015/16. Segundo o analista Gil Barabach, responsável pela estimativa, a safra 2016/ 17 deve marcar a recuperação do arábica, porém, deve ser mais um ano de frustração para o conilon.

“Apesar da safra grande, deve ser um ano para recuperação dos estoques apenas. O forte fluxo externo em 2015/16 e as quebras de safras anteriores acabaram esvaziando os armazéns por aqui”, indica. “E, considerando, um consumo interno de 21 milhões e as exportações de 36 milhões dos últimos anos, não deve sobrar muito café mesmo”, adverte.

A produção de arábica 2016/17 foi indicada em 42,8 milhões de sacas, incremento de 16% contra 2015/16 (36,9 milhões). Já a safra 2016/17 de conilon foi colocada em 13,6 milhões, aumento de 1% na comparação com 2015/16 (13,4 milhões). Os estoques finais na temporada 2016/17 deverão ficar em 4,3 milhões de sacas, aumento de 30% no comparativo com 2015/16, em 3,3 milhões. A oferta total do Brasil 2016/17 é projetada em 59,72 milhões de sacas, somando produção e estoques iniciais (-1% no comparativo a 2015/16). Apesar da produção grande, o ano é de recuperação nos estoques. “O forte fluxo externo em 2015/16 e as quebras de safras anteriores acabaram esvaziando os armazéns por aqui”, aponta Barabach.


ARROZ

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

PREÇOS INTERNOS SOBEM COM MENOR OFERTA

O mercado brasileiro de arroz encerrou a terceira semana de maio com valorização nos preços. Segundo o analista de Safras & Mercado Elcio Bento, essa valorização pode ser creditada ao encolhimento da oferta interna e foi potencializada nos últimos dias daquele período pela alta das cotações internacionais e pela valorização do dólar em relação ao real. Na temporada atual, o déficit de produção em relação ao consumo é próximo a 1 milhão de toneladas.

“Como o País já trabalha com estoques enxutos, precisará ser mais agressivo nas aquisições internacionais. Porém, nos primeiros meses da temporada, o que se verifica é que as vendas internacionais superam as compras. Isso porque o arroz brasileiro ainda é acessível no âmbito global”, analisa Bento. Conforme ele, os preços no Rio Grande do Sul estão cerca de 10% abaixo dos norte-americanos. “Assim, para segurar o produto no Brasil e atrair produto estrangeiro as cotações domésticas precisam subir”, finaliza.

Segundo a Equipe de Política Setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o estado tinha 97,1% da área destinada ao cereal na safra 2015/16 colhida até 20 de maio. Foram colhidos 1,023 milhão de hectares. Na semana anterior, o percentual era de 92,3%. A produtividade média está estimada em 7.127 quilos por hectare, ante 7.180 na semana anterior. O Brasil apresentou crescimento em suas exportações do cereal no balanço do primeiro quadrimestre do ano. De janeiro a abril, foram US$ 108,2 milhões comercializados junto ao mercado externo, o que representa uma alta de 11% em relação ao mesmo período de 2015.


SOJA

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

PRODUTOR BUSCA CASA DE R$ 100 A SACA NO BRASIL

Os produtores brasileiros encontraram, até meados de maio, um quadro favorável em termos de preço. A saca beirou a casa de R$ 90 no porto de Paranaguá/ PR. As negociações apresentaram um melhor ritmo, mas o vendedor segue cauteloso e aposta em preços melhores até o final do ano. A meta agora é o patamar de R$ 100. Diante desse sentimento, o produtor, bem capitalizado, se retrai. É bom destacar que os preços praticados em maio foram os melhores da história do País, reflexo de uma combinação de dólar acima de R$ 3,50 e preços futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago beirando os US$ 11 por bushel. Em termos fundamentais, a alta nos preços é reflexo da perspectiva de menor oferta global da oleaginosa. A safra do Brasil está estimada por Safras & Mercado em 98,5 milhões de toneladas. Problemas localizados de clima, principalmente nas Regiões Norte e Nordeste, fizeram com que a produção ficasse abaixo do esperado inicialmente, acima de 100 milhões de toneladas.

Na Argentina, o prejuízo foi ainda mais significativo. O excesso de chuvas durante a colheita causou perdas consistentes no potencial produtivo. O Ministério da Agricultura daquele país projeta safra de 57,6 milhões de toneladas. As expectativas agora se voltam para o desenvolvimento das lavouras americanas. Até 20 de maio, o plantio já tinha passado da metade. As perspectivas até então eram favoráveis. Diante dos preços melhores e da relação de troca favorável com o milho, o sentimento era de aumento na área, com os produtores migrando áreas do milho.

O relatório de maio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) cortou a estimativa para os estoques finais americanos em 2015/16. O número ficou abaixo do esperado pelo mercado. A safra norte-americana está estimada em 3,929 bilhões de bushels, mantendo a estimativa de abril. Os estoques foram reduzidos de 445 milhões para 400 milhões de bushels, enquanto o mercado esperava 428 milhões. As exportações americanas tiveram a projeção elevada de 1,705 bilhão de bushels para 1,740 bilhão. E o Usda também divulgou os primeiros números para a temporada 2016/17. A produção mundial está estimada em 324,2 milhões de toneladas, com estoques finais de 68,21 milhões. A safra americana está projetada em 103,42 milhões. Para o Brasil, a estimativa é de uma produção de 103 milhões de toneladas. E a China importaria 87 milhões de toneladas.


ALGODÃO

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

AUMENTO DAS IMPORTAÇÕES DOS EUA É UM PROCESSO NATURAL

Nas duas primeiras semanas de maio houve um incremento significativo nas importações de algodão norte-americano. O País foi o principal importador nas exportações semanais norte-americanas divulgadas na primeira semana de maio e foi o segundo principal na semana seguinte. “Esse aumento é um processo natural”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Carlos Jacobsen, à Agência Safras, durante a 21ª edição do Clube da Fibra, em Recife, no mês passado. Conforme ele, o incremento reflete o final da entressafra aliado ao aumento dos embarques do Brasil. “E a boa notícia é que nos dá espaço para aumentar a área no País”, pondera, acrescentando que antes estava difícil pensar em tal possibilidade devido ao câmbio e ao preço do algodão.

Jacobsen lembra que o Brasil retomou mercados externos, o que compensou um pouco a queda de 50% nas compras do produtor final nacional em 2015. “Esse aumento nas exportações foi fundamental para a indústria têxtil nacional, que seguiu reinvestindo”, lembra. “Agora, precisamos ajustar o custo de produção e o preço do algodão, que pode ser conseguido com o aumento na produtividade”.

O produtor de algodão deve trabalhar com uma taxa de câmbio de R$ 3,50 por dólar ou mais baixa para os próximos meses. A afirmação foi feita por Alexandre Schwartsman, doutor em economia pela Universidade da Califórnia e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil. “Mas não tenho como precisar em quanto deve ficar”, adverte. Segundo Schwartsman, o dólar deve seguir sendo balizado por fatores externos. “Internamente, porém, a atual conjuntura de saída da presidente Dilma enfraquece o dólar frente ao real”, lembra.


MILHO

Arno Baasch - arno@safras.com.br

CORTE NA SAFRINHA DEVE MANTER PREÇOS SUSTENTADOS

O mercado brasileiro de milho se aproximou do final de maio com uma perspectiva de sustentação para os preços. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, a ausência de oferta disponível para consumo, por conta da menor colheita de milho verão, e a expectativa de uma quebra acentuada na segunda safra, diante dos efeitos da estiagem, fizeram com que os preços disparassem no Brasil nos últimos meses.

“As perspectivas de curto prazo não apontam para uma mudança nesse quadro”, sinaliza. A mais recente estimativa divulgada por Safras & Mercado previu um novo corte na produção da segunda safra de milho, estimada em 52,133 milhões de toneladas, em torno de 15% menor frente às 61,276 milhões projetadas inicialmente.

Conforme Molinari, a colheita da segunda safra iniciou em alguns estados, como o Mato Grosso, mas o volume disponibilizado ainda é limitado. “Com o ingresso de oferta de milho, a tendência normal seria de uma acomodação dos preços. Entretanto, a incerteza quanto ao tamanho final da safra a ser colhida, que ainda pode sofrer novas perdas por conta da seca, deverá continuar trazendo reflexos sobre os preços daqui para frente”, alerta. Em termos de mercado externo, as atenções seguem voltadas à safra dos Estados Unidos.

Molinari afirma que o plantio de milho vem ocorrendo de forma satisfatória até o momento no cinturão produtor. Contudo, os bons preços registrados recentemente pela soja na Bolsa de Chicago elevaram os rumores no mercado quanto a uma possível diminuição na área de plantio do cereal, que passaria a ser ocupada com a oleaginosa. “Esse fator também tem influenciado um aquecimento bem significativo dos preços do milho no mercado internacional”, sinaliza.


TRIGO

Gabriel Nascimento - gabriel.antunes@safras.com.br

AUMENTO NOS PREÇOS E RETRAÇÃO NA COMERCIALIZAÇÃO

O mercado brasileiro de trigo registra um movimento de elevação de preços no Paraná. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, apesar disso, há uma redução da liquidez, graças à menor necessidade de compras dos moinhos – que também vêm importando bem menos – e à redução do spread entre o trigo e o milho, fator que pode desestimular as compras. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, informou que, até dia 17 de maio, o plantio atingira 47% da área estimada de 1,156 milhão de hectares, que deve recuar 14% frente aos 1,346 milhão de hectares plantados na temporada anterior. Conforme o Deral, 100% das lavouras estão em boas condições, divididas entre as fases de germinação (39%) e crescimento vegetativo (61%).

“É importante destacar também a escassez do cereal de boa qualidade, e do trigo em geral, uma vez que o forte aumento da comercialização na semana passada reduziu o volume disponível no âmbito doméstico. No Rio Grande do Sul, a liquidez é inferior, bem como a oferta, considerando que os danos causados pelo clima nas lavouras gaúchas foram superiores aos do Paraná, resultando em uma safra bem menor que a esperada”, analisa Pinheiro.

Segundo a Emater/RS, os produtores gaúchos já começam os trabalhos nas primeiras áreas da região das Missões e Fronteira Noroeste do estado, e devem intensificá-lo assim que as condições de umidade adequada do solo permitirem. Segundo boletim semanal da empresa, a disponibilidade de semente no comércio é bastante limitada devido aos problemas enfrentados na safra passada, que além de afetarem a produtividade também prejudicaram a qualidade do grão.