Notícias da Argentina

 

IMPORTAÇÕES DE TRIGO PELA PRIMEIRA VEZ

Preocupados com os problemas de qualidade na última colheita de trigo, os moinhos argentinos decidiram importar cerca de 200 toneladas do cereal. É a primeira importação da história, e não ocorre por falta de mercadoria. Afetada por diversas ocorrências climáticas, a lavoura na última safra sofreu perdas que dificultam a panificação. Os níveis de proteína caíram de 11% para índices entre 8% e 9%. A situação também alterou os preços para o cereal de boa qualidade.

A tonelada passou a valer o mesmo que a soja, ou seja, cerca de 4 mil pesos. Devido à falta de qualidade, a indústria comprou 31% menos trigo este ano em comparação com o mesmo período de 2015 e ainda trabalha com estoques mínimos. Por tudo isso, os moinhos miram o trigo do Uruguai para misturar grãos de qualidade ao cereal local. Segundo uma fonte do setor, caminhões carregados com volumes entre 100 e 200 toneladas do grão ingressem no país em fase de teste.

A estimativa, no entanto, é de que a indústria necessite importar cerca de 200 mil toneladas do Uruguai. Também existe um interesse econômico nessa negociação. O trigo uruguaio chegaria à Argentina por US$ 220 a tonelada, enquanto que no país, o cereal de mesma qualidade vale US$ 260. Atualmente a Argentina consome em torno de 5 milhões de toneladas de trigo.


TRIGO

Segundo as estimavativas, o plantio do trigo na Argentina poderá crescer até os 4,5 milhões de hectares, ou 30% mais do que a safra anterior. Entre as razões para o incremento está o fim das retenções e a melhora do preço pelo efeito cambial. O aumento variou entre 100% e 150%, e houve redução de 30% nos valores necessários para cobrir os custos com o arrendamento dos campos.

SOJA

A safra de soja recuperou o ritmo depois dos problemas com inundações que reduziram os rendimentos em muitos locais. A área colhida alcançava 61% do total até 20 de maio, com um atraso anual de 26,4%. Com produtividade de 3,28 mil quilos por hectare, a projeção final da colheita é de 56 milhões de toneladas.

LEITE

Em um contexto de crise para o setor, em que os produtores enfrentam custos altos e preços baixos, a principal empresa láctea argentina, a cooperativa Sancor, enfrenta preocupações crescentes sobre seu futuro. Hoje, a empresa tem 4,7 mil funcionários, 15 plantas e 1,4 mil produtores associados, e admitiu que deverá reformular suas operações.

CARNE

A pecuária segue vativas lorizada no país. Segundo o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), um estabelecimento que se dedica apenas ao engorde do gado, com suplementação estratégica, incrementou em 122% sua margem em seis meses, enquanto aqueles que fazem o ciclo completo tiveram melhora de 28% no mesmo período. Isso é reflexo da alta no preço dos novilhos, que está 44% acima das médias dos últimos cinco anos.


IRRIGAÇÃO PARA UM MILHÃO DE HECTARES

O Governo lançou um programa para levar irrigação a um milhão de hectares agrícolas. Para colocar em prática o projeto, o investimento necessário é estimado em US$ 1,2 bilhão. “Esse programa é de longo prazo, e para que tenham êxito, é necessária a cooperação público-privada”, explica o subsecretário de Recursos Hídricos, Pablo Bericiartua. Segundo estimativas, a Argentina tem potencial para incrementar a irrigação em 6 milhões de hectares. “Há 915 mil hectares que são áreas prioritárias, com as quais vamos iniciar o programa”, diz. “Elegemos o setor agropecuário porque é reconhecido por sua competitividade e inovação”, acrescenta. Segundo ele, há empresas dos Estados Unidos e de países da Ásia dispostos a financiar obras de irrigação na Argentina.