Agricultura Familiar

 

FLORICULTURA: ramo promissor para agricultores familiares

George Livramento, extensionista rural da Epagri

A floricultura é a produção de flores e plantas ornamentais a pleno sol ou sob cultivo protegido, praticada por um produtor rural (floricultor) com o objetivo de venda. Está dividida em setores: flores cortadas; vasos de flores; vasos de folhagens; bulbos; produção de sementes; plantas para paisagismo; gramas; caixaria; cultivos especiais como orquídeas, cactus, bromélias e suculentas. Independentemente do ramo, todos lidam com a emoção, o hábito de uso e a necessidade que as pessoas têm de ter perto de si ou de oferecer a quem se gosta algo belo, diferente, que traga experiências e sensações. Esse conceito deve fazer parte do agricultor também, pois a mera necessidade de se alimentar e fornecer matéria-prima que move as outras atividades tradicionais da agricultura não se enquadra na floricultura.

O primeiro passo para se tornar um floricultor, além de entender esse conceito, é definir qual ramo de produção o agricultor quer integrar. Essa definição pode passar pela afinidade dele ou pela localização do mercado e de sua propriedade. Não parece lógico produzir algo difícil e caro longe dos consumidores, mesmo que o local seja o mais indicado. Grandes empresas podem fazer essa escolha, mas os agricultores familiares devem focar naquilo que o alcance de suas possibilidades oferece.

Outra característica desse setor, particularmente nas plantas para paisagismo, é a possibilidade de uma espécie de planta se transformar em diversos produtos. Por exemplo, a espécie Palmeira Phoenix, muito comum e cultivada, oferece vários produtos, desde uma planta com seis folhas, outra com caule de 30 centímetros, suas folhas cortadas também podem ser produtos, etc.

Escolhido o ramo, o agricultor poderá definir as estruturas mínimas de produção, a tecnologia a ser empregada e a assistência técnica necessária. Outra forma de definição é olhar o mercado ao redor e procurar atendê-lo ou oferecer algo ainda não explorado. O clima da região, sua localização geográfica, seu solo, seu relevo e a disponibilidade de água definirão quais espécies, estruturas essenciais de produção, uso e necessidade de mão de obra e os investimentos necessários. Assim, o clima poderá determinar quais espécies serão produzidas ao ar livre e quais necessitarão de abrigos ou de estufas. A localização determinará o acesso ao mercado, a disponibilidade de fornecedores de serviços e insumos e energia elétrica de qualidade.

A água, o recurso mais utilizado na atividade, deve ser abundante, livre de poluição por produtos químicos como herbicidas, sem sais minerais danosos, etc. O relevo determinará a localização exata das estruturas de produção, como abrigos e telados, e o uso da gravidade para distribuição da água. O solo definirá se o sistema de produção será a campo ou todo em vasos e potes, o tipo de substrato e seu custo final.

Depois dessas definições, durante a montagem da atividade, o agricultor deverá tomar cuidados básicos como a ororganização interna da propriedade, de forma a permitir um fluxo de trabalho constante, evitando ao máximo que as diversas operações se cruzem ou se sobreponham, diminuindo o retrabalho e a improvisação. Normalmente recomendamos a concentração em uma unidade a administração, as vendas, o controle do trabalho e ainda a área crítica da produção, como os viveiros sensíveis e que precisam do “olho do dono” para um bom resultado.

O primeiro passo para se tornar um floricultor, além de entender o que significa este conceito, é definir qual ramo de produção o agricultor quer integrar

Quanto aos diversos viveiros, os mais comuns na atividade são os telados, que visam reduzir a incidência da luz do sol e os abrigos, que evitam a entrada da chuva no cultivo. Nas estufas, por outro lado, o floricultor controla todo o ambiente, desde temperatura, luz solar, umidade do ar, etc., de acordo com as exigências da planta cultivada ou do objetivo, como em sementeiras ou berçários. Outros viveiros ao ar livre concentram desde a produção propriamente dita, como também as matrizes de onde se retiram materiais para novos cultivos.

Dentro dessa distribuição de estruturas, há ainda os depósitos de materiais para substratos, os galpões de máquinas e equipamentos de uso rotineiro, os locais de descarte de resíduos. Todos dispostos a permitir o fluxo de trabalho mencionado anteriormente.

Aprendizado e capacitação — Finalizando, lembramos sempre que o floricultor de sucesso separa um tempo para olhar sua propriedade e anotar problemas, determinar prazos e resolvê-los. Além, tem o hábito de recolher o lixo e as plantas mortas, destinando-os para o descarte, e sempre saber quais espécies estão encalhadas e não devem ser mais produzidas. O floricultor deve ser um curioso, ávido por informações e novidades, disposto a participar de cursos e eventos da área. Destacamos a Hortitec, em Holambra/SP, e a Fecaplant, em Corupá/SC, e os cursos do Senar, da Epagri e Ematers A contratação de um responsável técnico também deve resultar na atualização tecnológica e solução dos problemas.

O floricultor é o primeiro elo em uma cadeia produtiva que movimentou no mundo 26,5 bilhões de euros em 2013, tendo a Holanda como centro do comércio mundial. No Brasil, movimentou R$ 6,45 bilhões em 2014 (segundo o Iblafor). A produção catarinense, que está focada em plantas ornamentais para paisagismo e também em cultivos especiais como orquídeas e bromélias, expandiu-se durante as três últimas décadas, atingindo agora quase todos os municípios, com produtores locais de caixaria, de flores em potes e vasos destinados ao comércio local. Essa atividade é uma das portas de entrada de agricultores familiares nessa cadeia produtiva, pois permite retorno rápido, contato com o mercado e fácil adaptação tecnológica.

Particularmente, na Região Norte catarinense, com destaque para o município de Corupá, a expansão entre agricultores familiares se deu também nas plantas para paisagismo produzidas ao ar livre, em um sistema de policultivo – várias espécies ocupam sucessivamente a mesma área, aumentando o rendimento, a variedade de espécies e diminuindo custos de mão de obra por hectare.