Agrobrasilia

 

Inovações e negócios na feira INTERNACIONAL dos cerrados

A AgroBrasília, realizada no mês passado, recebeu diversas comitivas em missões internacionais em busca de estreitamento com parceiros brasileiros, movimentou R$ 600 milhões em negócios e reuniu 82 mil visitantes

A nona edição da AgroBrasília, no mês passado, em Brasília, atraiu 82 mil visitantes e movimentou R$ 600 milhões em negócios entre os 422 expositores. Os números agradaram a organização e foram consequência das múltiplas atrações e tecnologias disponibilizadas no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci.

Firmando-se como vitrine do agronegócio, a Feira Internacional dos Cerrados sediou inovações em máquinas e equipamentos. Alguns dos destaques foram os equipamentos de irrigação que podem ser controlados à distância por aplicativos, além de produtos de controle climático, máquinas com motores mais potentes e soluções em geração de energia limpa.

Focadas no aumento de produtividade no campo, as empresas de insumos apresentaram produtos voltados para o cultivo e inovações em biotecnologia. Também foram feitos lançamentos de novas cultivares de soja, bem como de insumos que controlam pragas e aplicativos para celular que ajudam o produtor a conciliar diferentes produtos em uma só lavoura. A Embrapa, por exemplo, lançou a cultivar de soja BRS 7780IPRO.

Desenvolvida pela Embrapa Cerrados em parceria com a Fundação Cerrados e a Fundação Bahia, a variedade é uma cultivar transgênica com tecnologia Intacta. Indicada para lavouras de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Distrito Federal, a BRS 7780IPRO apresenta elevado teto produtivo, estabilidade produtiva e flexibilidade na data de plantio.

Tem moderada tolerância ao nematoide de galhas M. incognita e resistência ao herbicida glifosato. Oferece proteção contra as principais lagartas, como lagarta-da-soja, falsa- medideira, lagarta-das-maçãs, brocadas- axilas ou broca-dos-ponteiros, além de supressão às lagartas do tipo elasmo e helicoverpa.

“A AgroBrasília 2016 foi um sucesso acima da nossa expectativa, pois as empresas fizeram bons negócios. Já estamos trabalhando para o próximo ano, que será a data comemorativa de dez anos da Agro- Brasília, e queremos fazer um evento ainda maior”, avaliou Ronaldo Triacca, coordenador geral da feira. Leomar Cenci, presidente da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), que promove o evento, destacou o bom público apesar do momento econômico e político do País.

“Não tenho dúvidas que foi uma ótima feira e nos gratifica muito ver o público elogiando e as empresas satisfeitas, fazendo negócios, que é o grande objetivo da AgroBrasília. Estamos tentando parceiras com o Governo, com as embaixadas e com as empresas, para fazer uma décima edição diferente, com uma estrutura ainda melhor, para mostrar que a AgroBrasília amadureceu e veio para ser uma das maiores feiras do país”, avaliou.

Temas cruciais em discussão — A edição realizou importantes eventos voltados para o mercado agropecuário, que abordaram temas de grande interesse dos produtores, como irrigação sustentável, novas oportunidades de negócios, políticas públicas e economia agrícola. Além disso, o evento ofereceu palestras e oficinas, 13 rotas tecnológicas no Espaço de Valorização da Agricultura Familiar e oportunidades diferenciadas de acesso ao crédito. O Dia de Campo da Integração Lavora- Pecuária-Floresta (ILPF) e a já tradicional Competição de Cultivares também movimentaram a feira.

Outra novidade dessa edição foi o 1º Fórum Brasileiro de Café Irrigado, que trouxe à discussão técnicas de nutrição, conservação, produção e o uso de insumos utilizados no manejo e na cultura do café. O fórum teve participação de produtores e entusiastas da cafeicultura.

Outro importante evento foi o Seminário sobre Irrigação que discutiu as questões relativas ao uso compartilhado de bacias como forma de aumentar a disponibilidade de água para irrigação, sem prejuízo aos mananciais. Pioneiros nessta iniciativa, os irrigantes de Goiás apresentaram o modelo de gestão compartilhada da microbacia do Rio Samambaia. Além desses, foram realizados os eventos Comunicação para o Desenvolvimento do Agronegócio, o terceiro Seminário de Economia Agrícola da Agrobrasília e o Encontro Suinocultura de Baixa Emissão de Carbono.

Além de proporcionar um ambiente propício a negócios, a Agrobrasília promove uma série de eventos que discutem os assuntos mais relevantes à agricultura brasileira

Diversas instituições também estiveram presentes, oferecendo serviços e informações de utilidade pública, como Senar, Sebrae, Emater/DF, Conab e Adasa, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal. A Universidade Federal de Brasília e o Centro de Ciências e Tecnologia de Unaí/MG apresentaram ao público os resultados de seus projetos em agricultura, pecuária e de programas socioculturais. As instituições de pesquisa Embrapa e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) disponibilizaram aos visitantes mais de 30 novas tecnologias, dentre elas novas cultivares de grãos e energias renováveis.

Comitivas internacionais — A Agro- Brasília recebeu comitivas em missões internacionais, que tiveram como objetivo o estreitamento de laços, busca por parceiros comerciais e transferência de conhecimento. Países como Angola, Colômbia, México e Peru apresentaram aos visitantes da feira as potencialidades agrícolas e oportunidades de investimentos em seus países. Foi o caso de Angola, que buscou contato com empresários brasileiros que atuam no segmento da indústria, agricultura e aquicultura para a exploração das potencialidades agrícolas da província angolana do Zaire. Esse foi o assunto da Rodada de Negócios com o governador daquela província, José Joanes André.

De acordo com João de Paula Ventura, primeiro secretário de Assuntos Econômicos da Embaixada de Angola no Brasil, a parceria entre a província do Zaire e o Brasil visa à importação e à exportação de produtos e serviços entre os dois países. “O governo de Angola definiu que a agricultura é a base econômica do país. Esse encontro com os produtores e empresários brasileiros visa unir o potencial agrícola angolano com a experiência da agricultura brasileira”, argumentou Ventura. Banana, batata doce, mandioca e pescados são alguns dos alimentos produzidos em Angola. A intenção do governo de Zaire é realizar um intercâmbio entre os agricultores angolanos e os produtores brasileiros para estimular a importação e exportação de produtos alimentícios.