Manejo

 

ANÁLISE, o raio X do solo

A coleta de amostras de solo e a posterior análise são fundamentais para determinar as recomendações exatas para correção do solo e adubação das culturas

MSc. Maurício Sonda Tonello, Dra. Clarissa Trois Abreu, MSc. Jackson Korchagin, do Laboratório de Uso e Manejo do Território e de Recursos Naturais da Universidade de Passo Fundo/RS

O ano de 2015 foi considerado pela Organização das Nações Unidas o Ano Internacional dos Solos. Com uma importância incontestada para a humanidade, os solos vêm sendo ano após ano degradados pela ação antropogênica. O setor agrícola é o maior interessado em preservar esse recurso, bem como de manejá-lo de maneira correta. A humanidade está emprestando ao setor agrícola o seu maior bem com o objetivo de produzir alimentos. Em 2015 foram entregues ao setor agrícola brasileiro 30.201.993 toneladas de fertilizantes, mas apenas 9.115.260 toneladas correspondem à produção nacional de fertilizantes intermediários.

Em um hectare de área existem cerca de 2 mil toneladas de solo e apenas cerca de 500 gramas de terra vão compor a amostra a ser encaminhada ao laboratório para análise

Essa disparidade entre o consumo e a produção nacional de fertilizantes coloca o agronegócio na dependência do mercado internacional de adubos. Atualmente, a média de troca é de 23 sacas de 60 quilos de soja para uma tonelada de fertilizantes. A variação cambial do dólar influencia diretamente no preço dos insumos agrícolas. Dessa forma, o diagnóstico e o monitoramento da qualidade dos solos agrícolas são fundamentais para se traçar estratégias de rentabilidade, por meio da melhoria dos índices de fertilidade do solo. O valor de uma análise de solo, equivalente ao valor de meia saca de soja, pode ser considerado baixo, ainda mais quando consideramos que uma amostra composta pode representar 20 hectares de uma propriedade.

Vale ressaltar que a fertilidade do solo é atualmente um conceito amplo e engloba o estudo de vários tipos de atributos, tais como físicos, químicos, biológicos e morfológicos do solo. No entanto, consolidouse na agricultura a estimativa de apenas alguns atributos químicos e físicos, que são usados como índices representativos da fertilidade global de um solo. O diagnóstico da fertilidade dos solos é então realizado por meio da coleta de amostras de solo e posterior análise dessas amostras com metodologias tradicionais e comprovadas, em que seus resultados devem estar relacionados aos índices de fertilidade do solo e, claro, à produtividade das culturas.

Nesse sentido, uma amostragem representativa do solo a ser cultivado é a primeira etapa de um correto diagnóstico de fertilidade e, por conseguinte, de uma recomendação de adubação que seja exata! Para se ter uma ideia da necessidade de representatividade em uma amostragem, ressalta- se que em um hectare de área existem cerca de 2 mil toneladas de solo e apenas uma fração desse solo, cerca de 500 gramas, comporá a amostra a ser encaminhada ao laboratório para análise. Ainda, como o solo não é um corpo homogêneo, a vaNessa tela você irá informar o medicamento, e algumas outras informações como CID. Existe um campo chamado código, este campo deverá ser preenchido obrigatóriamente, caso não exista um código para o medicamento preencha com 0000.

Isso porque a variabilidade dos solos depende de fatores ligados aos processos naturais de formação do solo – material de origem, relevo ou ainda àqueles gerados pelo homem, que são ligados ao sistema de manejo e adubação adotados, como também às culturas implantadas (monocultivo, sucessão e rotação de culturas). Para uma correta representatividade das análises realizadas no laboratório, é imprescindível que todo o processo tenha sido realizado sob a responsabilidade de um profissional habilitado, agindo com precisão e exatidão, principalmente na parte inicial de coleta das amostras de solo.

Dessa forma, algumas precauções devem ser tomadas a fim de assegurar que os resultados obtidos em uma análise de solo reflitam a realidade da lavoura, dentre elas:

1. assegurar que a amostragem de solo seja representativa de toda a área (dividir em glebas mais homogêneas em relação ao relevo, tipo de solo e histórico de uso, entre outros cuidados);

2. quantidade de subamostras (a formar uma amostra composta) compatível com o tamanho da área, 10 a 20 subamostras por gleba considerada homogênea;

3. identificar as amostras em mapa da propriedade para que a área correspondente possa ser localizada no campo;

4. realizar uma boa homogeneização das amostras;

5. ter um rápido encaminhamento das amostras ao laboratório de análise de solo (a fim de evitar alterações nas amostras como, por exemplo, no teor de matéria orgânica);

6. dar preferência para coletas estratificadas em profundidade (0-10 cm ou 10-20 cm) para conhecer a variabilidade no perfil do solo;

7. coletar as amostras na linha e entrelinha de plantio, conforme as especificações de cada cultura;

8. interpretação dos resultados da análise e recomendação de adubação e calagem feita por profissional habilitado.

Responsabilidade no uso de insumos — Os resultados obtidos com as análises laboratoriais devem então representar a fertilidade atual de uma gleba de terras amostrada e devem servir como orientadores para o uso responsável de insumos, principalmente o adubo químico, hoje representando grande parte dos custos de produção e responsável por grande parte da poluição das águas por nutrientes (nitrogênio e fósforo, entre outros).

Para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, toda a recomendação de adubação e calagem para as principais culturas existentes nesses estados está compilada no Manual de Adubação e Calagem para o RS e SC produzido pela Comissão de Química e Fertilidade do Solo (CQFS). Nesses estados, os laboratórios de análise de solo e plantas integram a Rede Oficial de Laboratórios de Análise de Solo e de Tecido Vegetal do RS e de SC (Rolas), a qual padroniza métodos e verifica a precisão de resultados de análises dos atributos.

No quadro nesta página são mostrados alguns atributos de solo avaliados nas análises de solo de rotina no Sul do Brasil, descrevendo o atributo, o que este determina e qual método de análise é utilizado.

Tipos de análise — Existem dois tipos de análise de solo, a básica e a completa, sendo a última acrescida dos teores de enxofre e de micronutrientes (boro, molibdênio, manganês, cobre e zinco). A disponibilidade dos nutrientes às plantas é estimada por métodos de análises químicas aplicados sobre as amostras de solos.

Novas metodologias para análise podem surgir a todo o momento e desde que exista correlação entre eles e a produção vegetal, o método poderá ser usado como parâmetro de recomendação de fertilizante. Para ser utilizado, o método precisa também ser aprovado por comissão científica específica.

Atualmente tanto exigências ambientais como econômicas pressionam o setor agrícola a implementar otimizações quanto ao uso de fertilizantes e corretivos. Nesse contexto, na agricultura de precisão estão inserida, especialmente, as coletas sistematizadas de solo, nas quais é observada a variabilidade espacial dos atributos do solo.

A partir dessa diagnose georreferenciada são gerados diversos mapas temáticos (mapas de concentração de nutrientes, teor de argila e inclusive de produtividade, entre outros), a partir dos quais pode ser possível a aplicação de fertilizantes e corretivos em taxas variáveis conforme a variabilidade do solo, evitando, assim, o uso excessivo ou mesmo a subaplicação de insumos.

A adesão à coleta de solo georreferenciada pelos produtores tem sido significativa nas últimas safras. Ano após ano as cooperativas agrícolas e demais empresas do setor tem oferecido o serviço aos produtores como uma ferramenta para diagnosticar a fertilidade dos solos das áreas produtivas.

De posse dos laudos e do conhecimento técnico necessário para sua interpretação, são realizadas as recomendações de correção do solo e adubação das culturas. É importante destacar que o diagnóstico da fertilidade do solo (amostragem sistematizada), deve vir com uma interpretação dos resultados e uma recomendação compatível com a precisão e exatidão técnica desejada. Essa combinação gerará resultados satisfatórios e alta eficiência técnica e econômica dessa ferramenta.

Diagnosticar adequadamente o solo, preservar esse recurso natural e rentabilizar os ganhos no cultivo de espécies comerciais é o grande desafio da agricultura mundial. Portanto, analisar adequadamente o solo quanto a sua fertilidade é o primeiro passo na busca da sustentabilidade do agronegócio.