Glauber em Campo

 

NOVO GOVERNO: MESMO PROVISÓRIO, UMA ESPERANÇA

GLAUBER SILVEIRA

O agronegócio em peso apoiou o impeachment da presidente Dilma, mesmo que até este momento apenas tenha sido afastada por 180 dias pelo Senado Federal. Um governo provisório se formou para o presidente interino Michel Temer. Por mais que as pesquisas apontem que o povo brasileiro desejava mesmo novas eleições, uma onda de esperança se espalha pelo Brasil após a feliz entrevista que Temer deu ao Fantástico e também pelas medidas adotadas de imediato.

O brasileiro clamava por iniciativas, e este novo Governo está sendo feliz, ao menos é o que se sente inicialmente na formação dos novos comandos dos ministérios. Claro que muitas escolhas foram políticas e, sem dúvida, existiam nomes bem mais qualificados para alguns ministérios. Porém, como mesmo disse o Presidente interino Michel Temer, é preciso compor e ceder um pouco para se conseguir governar. Iniciativas como reduzir ministérios sem dúvidas deram sinais positivos à população.

A equipe econômica com o comando do ministro Henrique Meireles foi muito comemorada. O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), tendo o senador Blairo Maggi à frente, também agradou à maioria das lideranças nacionais. Mas, por outro lado, a nomeação de Sarney Filho para o Ministério do Meio Ambiente deixou os produtores de cabelo em pé. Afinal, ele tem sido nosso inimigo declarado a muitos anos em todos os fóruns ambientais.

Felizmente as declarações do ministro Blairo Maggi sobre seu entendimento com o ministro Sarney Filho trouxe um pouco de tranquilidade ao setor produtivo. Posso dizer que fiquei bastante otimista ao entrevistar o ministro Blairo Maggi no programa Direto ao Ponto. Pude ver a expectativa do ministro em acertar. Ele se mostrou confiante e sincero em buscar entender o que não tem tanto conhecimento.

O ministro Maggi foi enfático em dizer que este Governo tem seis meses para mostrar resultados positivos, o que é um grande desafio. Mas a exemplo da Argentina, sabemos que não se consegue resolver tudo imediatamente. Porém, se pode sim colocar o País no rumo certo. E é a isso que, segundo o ministro, este novo governo, mesmo provisório, se propõe. Ainda mais, como mesmo disse Blairo Maggi, se cinco votos mudarem de posicionamento, voltamos a ter a Presidente Dilma no comando do Brasil.

O ministro disse que espera ao final de sua passagem pelo Mapa que o produtor sinta no ministério sua casa. O mesmo eu ouvi no discurso do presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins. Isso seria muito bom, afinal, teríamos duas casas importantes em Brasília, Mapa e CNA, que infelizmente nos últimos anos têm dado muita decepção ao produtor. Principalmente sob o comando da senadora Kátia Abreu, que aos produtores parece representar apenas a si e não a sua base, que tanta esperança nela colocou.

O ministro Blairo Maggi disse também que a redução do custo de produção é uma de suas principais metas, que é preciso acabar com oligopólios, diminuir a burocracia que trava o Brasil que produz riquezas. E que precisamos de fertilizantes mais competitivos, maior agilidade na aprovação de nonovas moléculas de defensivos agrícolas, também diz o ministro. A logística é nosso principal gargalo, e também sofre com toda a burocracia brasileira.

O ministro deixou clara a importância da redução de custos de produção, a importância do apoio aos que foram mal nesta safra, que quebrou em diversas regiões do Brasil, e ressaltou veementemente que se o Governo não agir rápido e com eficiência, correse o risco de termos uma safra ainda menor no próximo ano.

Como também disse o ministro, os frangos do Sul do Brasil não podem esperar 60 dias para receber o milho que está estocado no Centro-Oeste. É um total absurdo que seja preciso a autorização de cinco ministérios para se autorizar a venda de estoques do Governo. Realmente, pude ver o entusiasmo do ministro em deixar sua marca dando agilidade aos processos e respostas às demandas, ou seja, o que for urgente precisa de resposta e solução urgente.

Nos últimos dias antes do afastamento da presidente Dilma, alguns ministérios e órgãos governamentais editaram medidas, normas e decretos que são verdadeiros absurdos, seja na questão fundiária, indígena ou ambiental. Foram verdadeiros atos ideológicos, inconsequentes e que prejudicam o Brasil que produz. Felizmente a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e o ministro Maggi se reuniram com o Presidente Temer na busca de anular as maldades realizadas.

O que realmente desejamos é que nosso país entre nos trilhos, e que este governo provisório consiga realizar ações que façam o Brasil voltar a crescer. Afinal, se isso não acontecer nestes seis meses, corre-se o risco de termos Dilma de volta, e isso, a esta altura, ninguém merece. Sendo assim, vamos rezar, torcer e fazer nossa parte para que este governo provisório mereça ficar até as próximas eleições.

Presidente da Câmara Setorial da Soja, diretor da Aprosoja e produtor rural em Campos de Júlio/MT