Reportagem de Capa

 

Produtores UNIDOS são mais fortes

O trabalho em conjunto é a alternativa encontrada por muitos produtores para reduzir os custos e ampliar os ganhos na venda da safra. Reunidos em cooperativas ou condomínios em diferentes regiões do País, eles falam das suas motivações, contam sobre suas experiências e revelam como vêm obtendo sucesso com esse modelo de negócio

Denise Saueressig denise@agranja.com

Um ditado africano fala que “a união do rebanho obriga o leão a dormir com fome”. Considerando que o leão em questão é o mercado, porque não enfrentá-lo em conjunto para permanecer vivo? O pensamento ajuda a ilustrar a experiência de produtores que decidiram trabalhar reunidos para buscar melhores resultados em seus negócios. Com criatividade e visão empreendedora, eles são provas de que a iniciativa faz a diferença quando existem propósitos em comum.

A criação de cooperativas é um exemplo desse tipo de organização. Na prática, a motivação dos últimos anos, quando uma série de novos empreendimentos surgiu no País, é bem semelhante à que estimulou a formação de instituições que hoje têm mais de 50 anos e são referências em agroindustrialização.

No estado que lidera o ranking da produção agrícola, as desconfianças em relação ao cooperativismo acompanharam agricultores que saíram do Sul para colonizar o Centro-Oeste. “Isso ocorreu porque muitos vivenciaram uma época em que as cooperativas enfrentavam sérios problemas financeiros”, recorda o produtor Nelson Piccoli, diretor administrativo e financeiro da Federação da Agricultura do Mato Grosso (Famato).

No entanto, o crescente desenvolvimento da região, assim como a atuação cada vez mais forte do cooperativismo de crédito no estado, despertou entre os produtores o interesse pela atuação conjunta. A Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja/MT) também tem importância fundamental nesse processo, já que incentiva seus associados a trabalharem de maneira unida por meio do Programa de Fomento a Cooperativas (Cooprosoja). “Realizamos encontros pelo interior onde são promovidas palestras com consultores para esclarecer aspectos jurídicos e burocráticos desse tipo de sistema”, explica o gerente de Planejamento da Aprosoja/MT, Cid Sanches. “É importante o produtor conhecer as alternativas que tem para não ser ‘engolido’ pelo mercado”, avalia.

Entre os argumentos utilizados no convencimento dos produtores, a Aprosoja cita números de um levantamento realizado na safra 2010/2011, em que a diferença de rentabilidade entre um produtor isolado e um produtor cooperado chegou a 44%, baseado em custos de sementes, fertilizantes e defensivos, e no preço de venda da saca, que teve variação de 8%.

Outras vantagens e possibilidades da atuação conjunta são a compra de máquinas e implementos, operações administrativas e contábeis, cursos e treinamentos por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e apoio institucional da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Para quem pretende formar uma nova cooperativa, o recomendado é procurar as organizações estaduais vinculadas à OCB. É preciso conhecer todos os aspectos relacionados à legislação, à gestão e aos direitos e deveres dos associados. Importante lembrar que é preciso um número mínimo de 20 pessoas para um novo empreendimento.

“O produtor sozinho é frágil, mas organizado e unido se torna forte”, argumenta Nelson Piccoli, diretor da Famato e integrante de duas cooperativas no Mato Grosso

Desafios ao sistema — O número de produtores cooperados em Mato Grosso envolve apenas 13% do total do estado e, obviamente, existem desafios importantes que precisam ser superados para uma maior difusão do sistema. Algumas questões são comportamentais, como o excesso de individualismo e a desconfiança em relação ao cooperativismo. A visão imediatista também atrapalha, fazendo com que os produtores apenas pensem em se unir quando a situação está desfavorável. Nas pesquisas realizadas entre o setor, a Aprosoja ainda constatou que é preciso incentivar mais treinamentos para cooperados e colaboradores, assim como trabalhar os aspectos fiscal e contábil das organizações.

Associado de duas cooperativas no estado, Nelson Piccoli diz que “o produtor sozinho é frágil, mas organizado e unido se torna forte”. Ele elogia o modelo de trabalho adotado pela Coacen e pela Cooavil, ambas com sede em Sorriso/ MT. “As cooperativas funcionam como instrumentos de gerenciamento para a compra dos insumos, fechando os pacotes de acordo com a demanda apresentada pelos associados”, observa. “No momento da venda, o processo é parecido. O produtor indica o volume que pretende comercializar naquele dia e a cooperativa ajuda a encontrar o melhor preço, sendo que 100% do ganho financeiro são do produtor”, acrescenta.

A Cooavil, no Mato Grosso, fundada há dez anos e integrada por 22 famílias, possui capacidade para 2 milhões de sacas na sua estrutura estática de armazenagem

Fundada em 2005, a Cooperativa Agropecuária e Industrial Celeiro do Norte (Coacen) é formada por 52 grupos familiares que representam 186 associados e uma área de 213 mil hectares. Cada produtor paga uma anuidade que varia entre R$ 17 e R$ 18 por hectare/ano para manter a gestão da organização, que conta com 36 funcionários. Uma estrutura física com vigilância 24 horas também é disponibilizada para armazenar os defensivos dos associados. “O cooperado retira o produto quando quiser e ainda terá mais segurança ao não deixar os químicos na propriedade”, relata Piccoli.

Os benefícios de integrar o sistema cooperativo são percebidos no bolso. A economia na compra de insumos varia de acordo com o momento, mas se mantém entre 15% e 50%. “A cooperativa faz com que produtores que cultivam 15 mil hectares ou 300 hectares tenham as mesmas condições de negociação. Em uma situação individual, dificilmente o produtor com 300 hectares conseguiria ter vantagens desse tipo”, analisa o diretor da Famato.

Classificação e logística — A Cooperativa Agropecuária Terra Viva (Cooavil) foi criada em 2006 e tem 40 associados de 22 famílias. A intenção inicial era realizar a armazenagem de grãos dos cooperados, mas aos poucos o trabalho de intermediação da compra de sementes, fertilizantes e defensivos passou a fazer parte da rotina da organização. Com capacidade para 2 milhões de sacas na estrutura estática, a Cooavil também presta serviços de limpeza, secagem e classificação dos grãos. O custo de armazenagem da soja tem variação entre 2,5% e 4% do total do volume entregue por cada produtor. No milho, esse valor é o equivalente a 6%. A economia na compra de insumos feita em conjunto é estimada em torno de 15% em relação aos preços do mercado. Na hora da venda, o incremento na saca de soja varia entre R$ 2 e R$ 5. No milho, a remuneração acima das médias fica entre R$ 1 e R$ 3 por saca. “As indústrias que recebem a produção querem rapidez e qualidade. Por motivos como esse, os preços de comercialização são melhores”, menciona Piccoli.

Mas o benefício vai além do retorno financeiro, completa o dirigente. “A Cooavil recebe apenas a produção dos seus associados, o que agiliza o processo de descarga. Além disso, as sobras que ficam depois da classificação são divididas entre os cooperados em uma posterior comercialização”, completa. O trabalho na logística de venda da safra é outro diferencial. “Os caminhões são dos associados, mas ficam a serviço da cooperativa, que atua como uma transportadora”, detalha o diretor executivo da Cooavil, Anderson Oro. Segundo ele, entre os projetos para os próximos anos, está a construção de uma unidade logística em Miritituba, no Pará.

Novo empreendimento — Ainda que existam desafios importantes, as novas iniciativas que surgem no Mato Grosso mostram que o terreno é fértil para a expansão das cooperativas. Um dos empreendimentos que deverá iniciar a operação nos próximos meses é a Cooperativa Central de Canarana (Coacec). O grupo fundador é formado por 30 produtores que representam uma área de 23 mil hectares no município. Um deles é Arlindo Cancian, que enfatiza a importância de reunir pessoas que tenham ideias e objetivos parecidos para que o projeto tenha sucesso. “Quando começamos a conversar, a desconfiança ainda estava presente, mas aos poucos, conhecendo outras organizações e conversando com a Aprosoja e a OCB, percebemos que temos muito a ganhar”, conta o produtor, que também é presidente do Sindicato Rural de Canarana.

Ainda que a Coacec não esteja formalizada, os produtores se reuniram para pesquisar preços e adquirir os adubos que serão utilizados na safra 2016/2017. Com as tratativas em conjunto, foi possível negociar valores e prazos mais elásticos para o pagamento. “Nossas margens estão apertadas no campo e acreditamos que unidos podemos nos fortalecer”, conclui Cancian.

Oportunidade na necessidade — No Oeste da Bahia, região onde a agricultura encontrou condições para uma grande expansão nos últimos anos, naturalmente os produtores passaram a sentir a necessidade de lutar juntos pelos seus interesses. O testemunho do presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais da Bahia (Cooperfarms), Luiz Antonio Pradella, revela que a motivação nasceu das dificuldades enfrentadas no momento da compra dos insumos e da venda da safra.

Uma d a s principais atuações da cooperativa é justamente a intermediação nas negociações que envolvem produtores e indústrias. “As vantagens estão na agilidade e no custo”, resume. Outro serviço prestado é a armazenagem de defensivos dos associados, o que gera o benefício da segurança. A Cooperfarms também é acionista do Consórcio Cooperativo.

Agropecuário Brasileiro (CCAB), organização que foi criada para ajudar a balizar os preços dos produtos e facilitar as negociações entre cooperados e empresas fornecedoras.

Fundada em 2008 por 22 produtores, a Cooperfarms atualmente representa 221 associados que respondem por uma área em torno de 500 mil hectares na Bahia, em Goiás, no Tocantins e no Piauí. Conforme Pradella, o sistema funciona como uma economia compartilhada, em que os produtores reunidos buscam utilizar da melhor maneira os recursos disponíveis. Para o dirigente, um dos grandes desafios do modelo de atuação conjunta é respeitar o tempo de amadurecimento necessário para a obtenção de resultados, já que naturalmente as pessoas buscam entrar em negócios que apresentam lucro. “Precisamos pensar que nunca um produtor isolado será mais eficiente do que um grupo unido. Seguidamente presenciamos grandes empresas se fundindo e formando joint ventures, enfim, encontrando formas de crescrescer e abocanhar o mercado. Se não seguirmos esses exemplos estaremos fadados ao insucesso”, salienta.

União pela armazenagem — Assim como os gargalos no transporte da safra, o déficit de armazenagem é reconhecido como um dos principais problemas da infraestrutura de pós- -colheita no Brasil. Pela ineficiência nessa área, o País produz muito mais do que consegue guardar em silos e armazéns. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a capacidade estática é de 153,4 milhões de toneladas, enquanto a produção em 2015/2016 é estimada em 209 milhões de toneladas. A quantidade de estruturas que estão nos limites das propriedades, em torno de 16%, também é pequena em comparação com outros países produtores. Em muitos casos, o produtor até gostaria de contar com um silo próprio, mas acaba postergando o investimento, que envolve altos custos.

“As vantagens estão na agilidade e no custo”, sintetiza Luiz Pradella, da Cooperfarms, mantida por 221 produtores que cultivam 500 mil hectares na Bahia, em Goiás, no Tocantins e no Piauí

No Paraná, agricultores encontraram uma alternativa interessante para

No Paraná, agricultores encontraram uma alternativa interessante para enfrentar o problema. Criando condomínios, decidiram investir em estruturas de armazenagem para guardar a safra de forma conjunta. Em Palotina, no Oeste do estado, existem pelo menos três dessas sociedades em funcionamento. O grupo pioneiro foi o Agro Cinco Mil, formado por 14 produtores que iniciaram o projeto em 2004 depois que ouviram a sugestão do gerente de uma agência bancária para conhecer uma outra experiência no estado. Com a ideia amadurecida, o grupo buscou verbas, entre recursos próprios e financiamentos, para bancar a estrutura. O investimento total, desde a criação do condomínio até hoje, envolve R$ 10 milhões.

A operação iniciou em 2006 e, desde lá, duas ampliações já foram feitas. A capacidade atual é para 430 mil sacas. “Hoje conseguimos atender a demanda, mas não descartamos novas expansões nos próximos anos”, afirma o presidente do Agro Cinco Mil, Adyr Dazzi.

Cada condômino tem uma cota que é proporcional ao tamanho da área cultivada. No total, os 14 produtores respondem por 3,6 mil hectares plantados. As despesas são divididas com o pagamento da taxa de armazenagem, equivalente a 2% do volume recebido. A venda da produção é realizada em conjunto ou de forma individual, respeitando a preferência de cada um. As sobras podem ser divididas ou integrar um fundo de caixa. O empreendimento tem cinco funcionários fixos e contrata temporariamente entre três e cinco empregados em épocas de safra.

Para manter a harmonia no relacionamento do grupo, Dazzi considera que é fundamental seguir os direitos e deveres no estatuto que foi montado para o condomínio. “No primeiro ano ainda existia alguma insegurança, mas depois ficou tranquilo”, declara. Para tratar dos assuntos mais importantes, pelo menos duas reuniões são realizadas a cada safra – uma no início e outra no final do ciclo. “Mas sempre que é necessário, nos encontramos para conversar”, complementa Dazzi.

O diferencial da decisão — O principal benefício desse tipo de associação é a possibilidade de definir o momento de venda da produção, o que impacta nos preços que serão recebidos e no valor que será pago pelo frete. Os produtores que participam dos empreendimentos fazem questão de frisar que ninguém é contra as cooperativas. Pelo contrário. Num estado de forte tradição cooperativista, quase todos também participam das organizações locais. Assim, deixam claro que a reunião em condomínios é mais uma forma de incrementar a rentabilidade.

“Precisamos encontrar maneiras de agregar valor à nossa atividade e ao mesmo tempo ter mais tranquilidade para trabalhar”, argumenta o produtor Antônio Marcos Galli, presidente do AgroParaíso, outro condomínio de Palotina que iniciou a operação em 2013 e é formado por oito sócios que representam uma área plantada de 5 mil hectares. “Não queríamos mais pagar caro pelo frete, enfrentar filas para descarregar a safra e ainda ter problemas com a classificação dos grãos”, justifica.

Produtores como Adyr Dazzi, em Palotina/PR, se uniram em condomínios de armazenagem: “No primeiro ano ainda existia alguma insegurança, mas depois ficou tranquilo”

O investimento de R$ 7,7 milhões foi financiado com recursos bancários e aplicado em uma estrutura completa de armazenagem e classificação para 350 mil sacas. Mais um secador de grãos está na lista de novos equipamentos, assim como um silo, que está sendo orçado para a próxima safra. Na hora de vender a produção, os condôminos vêm conseguindo acréscimos nos preços, que variam de 5% no pico da safra a até 15% em outras épocas.

Segundo Galli, projetos para ampliar a atuação para outros serviços ainda estão sendo analisados pelo grupo. “Nosso trabalho é recente e estamos nos conhecendo aos poucos”, esclarece. Até agora, ele garante que tudo está ocorrendo de forma positiva e com bastante diálogo.

Pequenos no tamanho e grandes na mentalidade — Os exemplos de atuação conjunta são uma prova de que a associação pode dar certo independentemente do porte do produtor. O que importa mesmo é a boa vontade de trabalhar por interesses em comum.

No Nordeste do Rio Grande do Sul, pequenos produtores se reuniram para melhorar as condições de venda da safra de citros da região. Em 2008, quando a Cooperativa de Fruticultores do Alto Taquari (Cooperfat) foi criada, os objetivos principais eram eliminar a figura do atravessador na comercialização, conseguir desconto nos preços com a compra coletiva de insumos e buscar qualificação com treinamentos como os que são oferecidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). “Em média, conseguimos reduzir o preço dos insumos em 15%. Já na venda, nosso incremento é de cerca de 30%”, revela Anoar Mistura, um dos 30 associados da Cooperfat. Com propriedade no município de Arvorezinha, onde trabalha com a família, o produtor investe em diversificação. Além do pomar de laranja, cultiva erva-mate e tem criação de frango e de gado de leite.

A estrutura da Cooperfat permite a limpeza, o polimento e a classificação da laranja que é entregue por meio de dois veículos próprios em fruteiras e em supermercados locais e da capital Porto Alegre. “Sozinhos jamais conseguiríamos vender para o grande varejo”, constata Mistura. Todo processo depois da colheita é realizado em um pavilhão de 200 metros quadrados que também conta com duas câmaras frias com capacidade de 100 toneladas cada uma. Entre os projetos da cooperativa para os próximos anos está a busca de novos associados e o fomento ao plantio de pomares na entressafra para que a demanda possa ser atendida de forma permanente.

Cooperação também envolve maturidade — A C o o p e r f a t é um exemplo da atuação do Programa Juntos para Competir, iniciativa desenvolvida desde 2003 entre a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/RS) e Sebrae/RS. O economista Valmor Mantelli Junior, gestor de Projetos de Agronegócios do Sebrae, trabalha com os produtores do Alto Taquari e sente orgulho ao ver a transformação que ocorreu na vida deles. “Os cooperados fazem a gestão informatizada dos seus negócios, com controle rígido de receitas e despesas. São verdadeiros empresários rurais que hoje inspiram outros produtores da região”, pontua. O gestor ressalva que, além de vontade e necessidade, é preciso maturidade para trabalhar em grupos.

O Juntos para Competir atende diferentes cadeias produtivas do estado por meio de capacitação, integração e organização. “As ações envolvem sensibilização e a apresentação das necessidades que existem. Nos cursos e consultorias, falamos sobre ferramentas de gestão, gerenciamento da propriedade, tecnologias, agregação de valor e posicionamento no mercado”, descreve Mantelli.

Outra abordagem envolve os objetivos específicos de cada grupo. Um dos pontos é a diferenciação entre associação e cooperativa. A primeira é voltada para a organização e representação de um segmento, com a possibilidade de reivindicar em nome dos produtores. Já a cooperativa envolve alguma forma de negociação, ou seja, tem caráter econômico. O atendimento é feito a produtores de uma mesma região ou setor com a identificação de demandas e o estabelecimento de metas para a geração de resultados. A atuação do Juntos para Competir este ano envolve 28 projetos e 161 grupos que reúnem 2.422 produtores.

O Sebrae também disponibiliza, de forma gratuita na Internet, publicações sobre associações e cooperativas na série de títulos chamada “Empreendimentos Coletivos: cooperar para competir”. O conteúdo abrange o conceito de cada tipo de organização, as diferenças entre as duas, legislação, formas de gestão, entre outros assuntos.

Estímulo com a capacitação — O incentivo ao trabalho conjunto entre os produtores também faz parte da estratégia do Senar, que atua em todos os estados do País por meio de cursos gratuitos. Cartilhas e treinamentos específicos envolvem o associativismo e o cooperativismo.

No Mato Grosso do Sul, por exemplo, a capacitação em associativismo envolveu 12 turmas em oito municípios no ano passado. No total, 155 pessoas concluíram o treinamento. O instrutor do Senar/MS Saulo Meneguite, considera a cultura individualista como o grande fator de resistência para a ampliação de formas de atuação conjunta. “Procuramos alertar que essa reunião é um diferencial muito interessante principalmente para pequenos e médios produtores”, assinala.

O engenheiro agrônomo Marcelino Colla, instrutor do Senar/RS, tem o pensamento semelhante. “Eles até reconhecem a importância de atuar em conjunto, mas na prática, têm dificuldades. O que tentamos mostrar é que essa é uma das melhores formas de desenvolvimento social e que o interesse coletivo pode superar grandes barreiras”, sustenta.

“É preciso frisar a importância de trabalhar de forma transparente, democrática e comprometida”, lembra Marcelino Colla, do Senar, instituição que promove cursos para incentivar o trabalho conjunto

Colla diz que durante os cursos, as principais dúvidas de grupos que estão iniciando envolvem aspectos operacionais. Entre os grupos que já existem, os questionamentos se referem à esfera comportamental. “É preciso frisar a importância de trabalhar de forma transparente, democrática e comprometida. Não adianta só pensar ‘o que vou ganhar com isso’?”, reflete. Para o instrutor, é essencial o envolvimento de cada indivíduo para que o projeto coletivo possa ir adiante.