Agribusiness

 

CAFÉ

EXPORTAÇÕES APRESENTAM BOM DESEMPENHO

Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br

As exportações brasileiras de café em grão obtiveram receita de US$ 405,9 milhões em março, com média diária de US$ 18,5 milhões em 22 dias úteis. O volume embarcado totalizou 2.775.300 sacas de 60 quilos, com média diária de 126,1 mil sacas. O preço médio foi de US$ 146,30 por saca em março. Em fevereiro, o Brasil havia obtido receita de US$ 397,0 milhões - média de US$ 20,9 milhões, através das exportações de 2,668 milhões de sacas de café, com média diária de 140,5 mil sacas. O preço médio ficara em US$ 140,50/saca. Na comparação entre março e fevereiro, as exportações caíram 11,7% no valor médio diário e 10,2% na quantidade média diária e o preço médio caiu 1,7%. O volume total de café verde exportado em março (2.775.300 sacas) subiu 4% contra fevereiro (2.668.800 sacas).

Em março do ano passado, a receita das exportações de café havia somado US$ 519,7 milhões (média diária de US$ 23,6 milhões), e o volume embarcado chegara a 2,860 milhões de sacas (média de 130 mil sacas/dia), com preço médio de US$ 181,70/saca. Houve, portanto, em março de 2016, um declínio de 21,9% em receita média diária e uma baixa de 3% na quantidade média diária embarcada no comparativo com março de 2015. O preço médio diário nas exportações em março de 2016 foi 19,5% menor que o de março de 2015. As exportações em volume total de café verde em março de 2016 (2.775.300 sacas) foram 6,7% menores que o volume de março de 2015 (2.860.400 sacas). A comercialização da safra de café do Brasil 2015/16 (julho/junho) está em 92% da produção total estimada, relativa ao final de março. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado, e conta com números colhidos até 11 de abril.


ARROZ

CEREAL GAÚCHO OSCILA POUCO COM AVANÇO LIMITADO DA COLHEITA

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

As negociações com arroz no Rio Grande do Sul, principal produtor, seguem em ritmo lento e sem grandes alterações nos referenciais de preços. O excesso de chuva em muitas regiões de produção no estado segue limitando o avanço da colheita. Assim, a pressão de oferta reduz e permite que os preços se estabilizem. A saca de 50 quilos era comercializada a uma cotação média de R$ 39,83 no dia 19 de abril. Ante igual período do mês de março, a baixa era de 1,61%, quando valia R$ 40,48. Na comparação com igual momento de 2015, a elevação era de 11,7%, quando a saca custava R$ 35,67. O sétimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2015/16 indica produção de 11,167 milhões de toneladas, o que representa um decréscimo de 10,2% sobre as 12,436 milhões de toneladas de 2014/15. No levantamento anterior, eram esperadas 11,215 milhões.

A área plantada com o cereal na temporada 2015/16 foi estimada em 2,023 milhões de hectares, queda de 11,8% ante os 2,295 milhões semeados na safra 2014/ 15. A produtividade das lavouras foi estimada em 5,518 mil quilos por hectare, superior em 1,8% aos 5,419 mil quilos na temporada passada. O Rio Grande do Sul deve ter uma safra de 7,793 milhões de toneladas, recuo de 9,6%. A área prevista é de 1,076 milhão de hectares, queda de 3,9% ante 1,120 milhão de hectares de 2014/15, com rendimento esperado de 7.243 quilos/hectare, ante 7.700 quilos da anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá reduzir 0,9%, totalizando 1,048 milhão de toneladas. Para o Mato Grosso, a Conab está estimando uma safra de 507,2 mil toneladas, ante 612,6 mil toneladas calculadas para 2014/15.


SOJA

PREÇOS PASSAM DE US$ 10 EM CHICAGO

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

Abril foi marcado pela recuperação surpreendente dos preços futuros da soja no mercado internacional. Após oito meses, as cotações romperam a barreira de US$ 10 por bushel na Bolsa de Chicago, animando também a comercialização no mercado brasileiro. O impulso para os preços foi determinado pelo excesso de chuvas nas regiões produtoras da Argentina, atrasando a colheita e trazendo prejuízos para a safra daquele país. O ritmo dos trabalhos era o mais lento dos últimos 13 anos e obrigou os institutos a refazerem suas estimativas para aquela safra. O jornal La Nación teve acesso a um estudo feito por técnicos do Ministério da Agricultura da Argentina que aponta uma queda de 5,46% na safra 2015/16.

As fortes chuvas deverão causar a perda de 3,33 milhões de toneladas. Em março, o número oficial de produção era de 60,92 milhões de toneladas. Neste momento, em meados de abril, a previsão era de uma safra de 57,58 milhões de toneladas. O estudo alerta que esse número poderá ser revisado, com a perda ficando acima da previsão inicial. Analistas de empresas privadas são mais pessimistas e indicam uma perda entre 5 milhões e 6 milhões de toneladas, em cima de uma safra inicialmente estimada em 60 milhões.

No Brasil, os produtores aproveitaram os momentos de pico em Chicago para negociar. Os preços domésticos reagiram e houve uma melhor movimentação, com a saca superando R$ 80 nos portos. O aumento no ritmo dos negócios também é explicado pelo temor de uma valorização ainda mais acentuada do real frente ao dólar, reflexo da aprovação da abertura do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff, que agradou os investidores. O relatório de abril do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projetou safra mundial em 2015/16 de 320,15 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 320,21 milhões. Os estoques finais foram elevados de 78,87 milhões de toneladas para 79,02 milhões. O mercado apostava em estoque de 79,4 milhões de toneladas. A projeção do Usda aposta em safra americana de 106,93 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 100 milhões, enquanto a safra argentina deverá ficar em 59 milhões de toneladas. Em março, os números eram de 100 milhões e 58,5 milhões. A China deverá importar 83 milhões de toneladas, contra 82 milhões do relatório ant e r i o r.


ALGODÃO

PREÇOS FIRMES, MAS NEGÓCIOS ESCASSOS

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

O mercado brasileiro de algodão iniciou a segunda quinzena de abril com preços mais firmes, mas com fracas negociações. Segundo o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto, a pluma busca suporte na pouca oferta de boa qualidade. “Grande parte dos lotes em posse dos produtores está com alguma avaria”, explica. Já o cenário de incerteza do dólar tem feito com que tanto compradores como vendedores tomem posições com cautela. No Cif de São Paulo, a pluma era cotada a R$ 2,55 por libra-peso no dia 18. Em relação ao mesmo período do mês passado, quando valia R$ 2,41, a elevação acumulada é de 5,81%. Quando comparado ao ano anterior – R$ 2,18 –, o avanço é de 16,97%.

No cenário internacional, destaque para relatório de oferta e demanda de abril do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), que estimou a produção global em 99,8 milhões de fardos, ante os 100,22 milhões de fardos indicados no mês anterior. As exportações mundiais foram estimadas em 34,84 milhões de fardos para 2015/16, ante 34,9 milhões no mês passado. A estimativa para o consumo mundial é de 109,59 milhões de fardos, ante 109,21 milhões de fardos indicados no relatório anterior. Os estoques finais foram projetados em 102,22 milhões, ante 103,34 milhões de fardos projetados no relatório passado.

A expectativa é que a China colha 23,8 milhões de fardos na temporada 2015/16, mesmo patamar do relatório anterior. A produção do Paquistão foi prevista em 7 milhões de fardos, mesmo número do ano anterior. O Brasil tem a safra 2015/16 estimada em 6,6 milhões de fardos, ante 6,7 milhões no mês anterior. A produção indiana de algodão deve chegar a 26,8 milhões de fardos em 2015/16, mesmo patamar do mês passado. Os norte-americanos deverão colher 12,87 milhões de fardos em 2015/16, ante 12,94 milhões de outubro.


MILHO

ESTIAGEM DEVE DETERMINAR REDUÇÃO NOS EMBARQUES

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

A estiagem nas principais regiões produtoras de milho safrinha em abril reduzirá a segunda safra do cereal e vai acarretar em corte também nas exportações. O Extremo-Oeste do Paraná e do Mato Grosso do Sul receberam alguma chuva em abril. As demais localidades tiveram apenas chuvas localizadas e pontuais. Mas a surpresa continua sendo as altas temperaturas de abril. “A situação afeta as lavouras em todos os seus estágios, desde o enchimento de grãos, floração e pendoamento e ainda a fase de desenvolvimento”, diz o analista de Safras Paulo Molinari. De forma geral, a safrinha não terá produtividades próximas às de 2015 e as chuvas precisam ser urgentes, pois a cada semana as perdas aumentam. Há possibilidades de que ocorrerá perda de área plantada em algumas localidades.

O risco maior está nas lavouras em fase de polinização, o que deverá gerar lavouras com desenvolvimento, mas que terão espigas falhadas ou completamente sem grãos para a colheita. Em Goiás, talvez a situação seja mais complicada. Há lavouras em todas as fases, ou seja, desde o enchimento inicial de grãos até o desenvolvimento. Mesmo se as chuvas retornarem imediatamente, as perdas já existem e somente haverá uma paralisação dos efeitos da seca.

A perda no potencial produtivo deve comprometer os embarques. Com uma safra de 61 milhões a 62 milhões de toneladas de safrinha, o Brasil poderia colocar no mercado mais 30 milhões de toneladas. “Até o momento, o País embarcou 3 milhões de toneladas em fevereiro e março, sendo que em abril basicamente não há embarques. Como a produção da safrinha será reavaliada para baixo, também o potencial de exportação terá que ser revisto para este ano”, completa.


TRIGO

MERCADO BRASILEIRO ESPERA VOLTA DA INDÚSTRIA ÀS COMPRAS

Gabriel Nascimento - gabriel.antunes@safras.com.br

Enquanto o mercado brasileiro de trigo segue sem grandes movimentações, devido ao bom abastecimento da indústria, os agentes avaliam os impactos das oscilações cambiais sobre os preços internos. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, a valorização do real frente ao dólar tira competitividade do grão nacional em relação a exportadores do Mercosul. “As cotações internas seguem sem variações significativas, e o volume de negócios é muito pequeno. Os agentes do mercado esperam que em meados de maio a indústria nacional volte a ter necessidade de compra. Contudo, o mercado de farinha, também em ritmo lento com a redução na demanda, pode alongar os estoques dos moinhos ainda mais”. Pinheiro destaca que a expectativa para os preços internos é de alta, dado o baixo volume produzido do cereal de boa qualidade na safra. “Por outro lado, a pressão da ampla oferta mundial, aliada ao câmbio favorável às importações minimiza essa tendência”.

No Rio Grande do Sul, conforme a Emater/RS, os produtores começam os encaminhamentos de custeio e aquisição de insumos para a próxima safra. A expectativa é de redução na área a ser cultivada. Os percentuais especulados variam de 15% a 30%, principalmente entre os agricultores familiares. Produtores médios e grandes, mais estruturados, ainda cultivarão o cereal com intuito de utilizar a cultura como cobertura de inverno e possibilidade de renda. Custos elevados para a implantação das lavouras e preços pouco atrativos para o grão os desestimulam a investirem na atividade, com muitos deles questionando a rentabilidade da mesma.

Já na Argentina, a expectativa é de aumento na área plantada em 2016/17. Triticultores daquele país devem plantar 4,5 milhões de hectares na temporada. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a área deve ser 25% maior em relação aos 3,6 milhões de hectares semeados na safra anterior. E o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgou em seu relatório de abril novos números para a safra mundial 2015/16, estimada em 733,14 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais de trigo em 2015/16 estão previstos em 239,26 milhões de toneladas.