Notícias da Argentina

 

CHUVAS PROVOCAM PERDAS

As intensas chuvas no mês de abril afetaram diversas localidades, campos e estradas da principal região agropecuária argentina, a chamada zona Centro, que integra as províncias de Córdoba, Santa Fé e Entre Rios. As estimativas são de que as perdas fiquem entre 2 milhões e 3 milhões de toneladas na lavoura de soja, em torno de 5% do total projetado para a colheita. O Ministério da Agroindústria pediu cautela, lembrando que o impacto vai depender do comportamento do clima nas próximas semanas. “No entanto, há produtores que perderam até 100% da safra”, reconheceu o ministro Ricardo Buryaile, que prometeu assistência para os atingidos. Os excessos hídricos também complicaram as lavouras no Chaco e até no Noroeste argentino, onde a soja é a cultura mais afetada. Também são registradas perdas na pecuária de corte e de leite, na criação de suínos, nas áreas de arroz e nos pomares de citros.


TRIGO

A próxima safra será a primeira depois de muitos anos de restrições e impostos à exportação. A tendência é de um incremento de cerca de 30% na área que será cultivada com o cereal. A expectativa é de que a colheita em dezembro possa chegar a 16 milhões de toneladas.

SOJA

A colheita está atrasada devido à instabilidade climática, com fortes chuvas em diversas regiões, o que provoca incertezas sobre a produtividade. Em meados de abril, a colheita chegou a 14% da área plantada, menos da metade do que foi registrado na primeira quinzena de abril nas últimas cinco safras da oleaginosa.

LEITE

A atividade leiteira, que vem sofrendo nos últimos anos uma crise de rentabilidade, também é afetada pelo impacto das chuvas. Há perdas grandes nas pastagens e impossibilidade de plantio de novos pastos. Os animais sofrem com o estresse e há estimativa de perdas na produção entre 15% e 25% em algumas regiões.

CARNE

A pecuária de corte também sofre com o excesso de chuvas. Em algumas regiões, há morte de animais, especialmente terneiros. Em alguns casos, os criadores adiantaram as vendas sem que os animais tivessem o peso adequado. Outros produtores precisaram alugar terras para acomodar o gado. Também existe o temor da falta de alimentação no inverno.


INCERTEZAS QUANTO À PRODUÇÃO

Caso o clima siga instável e as colhedoras não possam entrar no campo, os prejuízos poderão aumentar. Em parte, essa perda poderá ser compensada pelo efeito nos preços. Produtores e criadores de Córdoba dizem que há 280 mil hectares alagados e que não há possibilidade de colher a produção. Na província de Santa Fé, mais da metade das áreas produtivas estão afetadas pelo excesso de chuvas. Produtores de grãos e leite, apicultores, fruticultores, arrozeiros e cotonicultores estão entre os mais prejudicados. Em algumas zonas, o acumulado de chuva alcançou 700 milímetros em poucos dias no mês passado. É grande a incerteza sobre as produtividades e sobre a qualidade final dos produtos.


MUDANÇAS NA ECONOMIA

A reacomodação da economia argentina diante das variáveis do mercado continua sendo tarefa difícil, com impacto inflacionário que afeta muitos setores da sociedade. Sem dúvida, os produtores rurais melhoraram seu “humor”, com a redução a zero da maioria das retenções e a eliminação de muitas restrições quantitativas, como taxas, cotas e registros. Todas essas medidas são bons sinais para o futuro. No entanto, pouco ou nada mudou “o presente”, porque, entre outros motivos, boa parte da produção 2015/2016 já não estava nas mãos dos produtores. As instabilidades do clima, as dívidas acumuladas, a falta de liquidez e, especialmente, o escasso crédito bancário com altas taxas de juros ainda afetam a rentabilidade do setor produtivo.

De qualquer forma, os resultados no campo melhoraram de forma significativa, ainda que o balanço não seja totalmente positivo em locais mais distantes dos portos pela incidência dos altos custos do frete. Os preços pagos aos produtores melhoraram em quase todos os segmentos, com exceção do leite. Mas essa melhora também se choca com outra realidade muito dura, que é a alta permanente dos preços dos alimentos aos consumidores, que pouco ou nada têm a ver com os valores recebidos no campo.