Consorcios

 

A alternativa prática do CONSÓRCIO

O sistema de consórcios, que é um mecanismo de autofinanciamento, não depende de linhas de crédito públicas ou privadas, e assim está sempre disponível ao produtor. Em um ano, a adesão em veículos pesados, incluindo os agrícolas, aumentou 16,5%

Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac)

As safras agrícolas brasileiras vêm batendo recordes, ano após ano, em razão do bom planejamento agrícola colocado em prática pelos produtores e empresários rurais. O ponto comum a todos está, entre outras modalidades disponíveis de crédito rural, no uso dos consórcios de equipamentos e máquinas como parte do planejamento para obter melhores resultados. Por se tratar de ações de médio e longo prazos, o mecanismo tem levado os responsáveis pelos diversos setores do agronegócio a buscarem sua integração na estratégia global da atividade. Com custos finais menores, torna-os capazes de gerarem resultados competitivos com vista às participações no mercado interno e nas exportações.

Em levantamento realizado no início do ano, a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) constatou que, dos das administradoras que atuam no setor, especialmente em máquinas e implementos agrícolas, houve crescimento nas adesões e nos valores dos bens para as atividades. Alternativa genuinamente brasileira, o sistema de consórcios, por ser um mecanismo de autofinanciamento, não depende de linhas de crédito governamentais ou privadas, razão pela qual está sempre disponível e, por consequência, tem crescido bastante junto ao agronegócio.

Em março último, por exemplo, do universo de quase 280 mil participantes do setor de veículos pesados, no qual os bens destinados a esse setor estão incluídos, quase um terço pertencia à área rural, com destaque para contratação de créditos entre R$ 90 mil e R$ 370 mil.

Rossi: “Com objetivo de ampliar a lucratividade no agronegócio, os consórcios deverão fazer parte do dia a dia de pessoas físicas e jurídicas”

Ao utilizarem o produto como forma econômica e principalmente planejada, agricultores e pecuaristas consorciados procuraram adquirir equipamentos modernos e com mais alta tecnologia embarcada, por consequência, de maior valor, chegando até a R$ 1 milhão.

A análise dessa evolução mostrou aumento de 16,5% no total de participantes ativos consolidados, na relação entre março deste ano e o de 2015. Enquanto há um ano eram cerca de 70 mil consorciados, em 2016 registrou- se pouco mais de 80 mil. Esse crescimento, apesar da crise político-econômica instalada no período, mostrou que os consórcios estão cada vez mais presentes no segmento do agronegócio.

Do tradicional trator até os mais sofisticados equipamentos, incluindo ainda instalações para armazenamento, transporte interno e externo à propriedade, há ainda os consórcios de serviços como apoio para, por exemplo, projetos ambientais, de aquecimento ou refrigeração, instalações, irrigação, pulverização, estudos de comportamento climático, entre outros.

Ao analisar os contemplados nos diversos grupos de consórcios, observa-se que a maioria dos bens comprados foi de implementos agrícolas e rodoviários com 39,9%. Os demais foram para colheitadeiras (22%) e para cultivadores motorizados (11,3%). Os tratores de roda e retroescavadeiras foram adquiridos por 26,8%.

Com grupos variando de 60 a 150 meses e média de 113, semelhantes aos praticados no ano anterior, a taxa média mensal ficou em 0,119%, inferior ao 0,129% de 12 meses antes (março de 2015). Já o crédito médio esteve próximo aos R$ 230 mil. A sazonalização do agronegócio, seja na agricultura, seja na pecuária de corte e de leite, ou mesmo na avicultura de corte ou de postura, com suas diversas variações, faz com que o consórcio seja indicado para quem deseja manter, crescer e desenvolver seus negócios, bem como renovar, modernizar ou ampliar instalações e equipamentos.

Com objetivo de ampliar a lucratividade no agronegócio, os consórcios deverão fazer parte do dia a dia de pessoas físicas e jurídicas que, ao aprimorarem a atividade, poderão agregar redução de despesas e aumento da rentabilidade.

Um dos fatores positivos dessa modalidade de aquisição está nas formas de pagamento das parcelas, que continuam sendo diferenciadas:

1 - pagamentos mensais normais;

2 - pagamentos por safra/pagamentos anuais;

3 - pagamentos por safra – adiantamentos – pagamento trimestral ou semestral;

4 - meia parcela (reforço trimestral ou semestral).