Glauber em Campo

 

IMPEACHMENT! O QUE O AGRONEGÓCIO ESPERA?

GLAUBER SILVEIRA

Essa é a verdadeira pergunta. O agronegócio se uniu para pedir mudanças, e uma delas é a mudança de comando do País. Afinal, em 2015, ao invés de vermos mudanças estruturantes e propostas de ajuste, reestruturação de ministérios, redução de cargos, coisa que qualquer empresa do setor privado faria em caso de crise financeira, o que se observou foi apenas o total corte de investimentos fundamentais ao crescimento do País em detrimento da manutenção de programas assistencialistas e a manutenção de cargos desnecessários em troca de apoio político.

O agronegócio, que tem sido o principal contribuinte para o crescimento do Brasil, setor que por um bom período chegou a se afinar com este atual Governo Federal, porém, com todas as mazelas cometidas, foi um dos primeiros a se posicionar pedindo mudanças urgentes. Inclusive o impeachment do atual Governo, tanto que a grande maioria das entidades representantes do setor produtivo, como dizem os líderes partidários, firmaram questão em relação ao impeachment.

Infelizmente, nem todos os elos da cadeia produtiva se sentiram confortáveis a dar apoio ao impeachment. Afinal, existem alguns setores que dependem dos programas de Governo ou precisam de aprovações governamentais. Sendo assim, não se sentiram confortáveis em dar apoio ao impeachment abertamente por receio de retaliações. Porém, apesar do cabresto, pode-se notar a unanimidade da insatisfação com o atual Governo.

A questão crucial é a seguinte: o que o setor produtivo clama é apenas a queda da presidente Dilma ou do atual Governo, que inclui o Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)? O que o setor ou a sua base clama é pelo impeachment da presidente Dilma ou da grande parcela política que se vê envolvida na lama do desvio de dinheiropúblico? A questão que fica é a seguinte: se o setor produtivo apoia a substituição de Dilma por Temer, essa resposta acredito que teremos em breve, ou talvez não, pois o que se observa em muitos líderes classistas é a sensação de que ganhamos, mas não levamos. Afinal, fica para muitos a incerteza de que se fará realmente o que é preciso fazer. Ou continuaremos a ver no comando o descomando da coisa pública.

Durante todo esse processo de impeachment, observamos em diversas declarações de líderes e de políticos que o Brasil precisa de mudanças de atuação, menos assistencialismo e mais políticas estruturantes que gerem emprego. Com a distribuição de peixes ao invés de varas de pescar, o peixe se acabou. Tudo nesta vida tem limites, e apesar de o Brasil ter uma das mais altas cargas tributárias do mundo, se o setor produtivo para de crescer, a lagoa de peixes não cresce.

Com tudo isso, dá para se concluir que o ideal seria a realização de novas eleições, pois o cesto está com a maioria das frutas podres, e é preciso descontaminar o sistema. Ou, infelizmente, o Brasil continuará nesta crise que é política e econômica. Nesse caso, como o sugerido por vários políticos e líderes, uma das iniciativas, apesar de inconstitucional neste momento, seria a realização de novas eleições, não só para Presidente, mas para deputados e senadores. É preciso urgentemente um julgamento criminal e político neste País.

Para se ter novas eleições se precisaria mudar a Constituição. Mas essa sim seria uma resposta justa do Congresso Nacional à Nação que clama nas ruas e nas redes sociais por mudanças. Afinal, tem muitas raposas no galinheiro, e será que o nosso País aguentará esperar dois anos e meio para poder ver a substituição dessas raposas? Essa é a pergunta que acredito que muitos brasileiros se fazem neste momento.

O agronegócio entrou em crise junto com o Brasil, apesar de todos estarem olhando para ele, buscando uma forma de tirar um pouco mais de contribuição. Afinal, a todo momento vem alguém dizendo que o agronegócio, em particular a soja, não contribui. É triste ver um setor que fez e faz uma revolução neste País ser injustiçado por aqueles que só pensam em arrecadar, mesmo que matem sua galinha de ovos de ouro.

Com o atual cenário, com o Brasil parado, os custos de produção altíssimos devido à alta de juros, energia, combustíveis e encargos, fazem com que os custos do setor produtivo e industrial fiquem insuportáveis. Até quando esses setores resistirão à lama que o nosso País está submetido. Precisamos que esse “lava a jato” seja realmente o que quer dizer, não temos mais tanto tempo.

Uma certeza eu tenho: o setor produtivo não quer mudanças, ele precisa de mudanças, pois a nossa competitividade frente aos principais exportadores mundiais aumentou em muito nesses últimos anos. O agronegócio brasileiro está passando por dificuldades que tendem a ficar crônicas e incuráveis para muitos produtores se a retomada do crescimento não for urgente.

Presidente da Câmara Setorial da Soja, diretor da Aprosoja e produtor rural em Campos de Júlio/MT