Agribusiness

TRIGO

NEGÓCIOS PAUTADOS POR OSCILAÇÃO CAMBIAL

Gabriel Nascimento - gabriel.antunes@safras.com.br

A perspectiva de comercialização do trigo brasileiro no mercado interno cresceu no início da última semana. A oscilação do real em relação ao dólar pauta a realização dos negócios com o grão uma vez que, quanto maior a valorização da moeda norte-americana, há mais espaço entre as cotações domésticas e internacionais. Da mesma forma, a valorização da moeda brasileira diminui essa diferença. O quadro de forte valorização do dólar, que tende a possibilitar novas elevações nas cotações internas, estimularia a indústria a se antecipar a esses movimentos.

Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, a alta do real, provocada por fatores políticos no Brasil e econômicos nos Estados Unidos, reduziu essa disparidade. “Tendo em vista esse cenário, a possibilidade de novas elevações nas cotações internas no curto prazo é menor. Com essa instabilidade, os negócios que já eram pontuais foram reduzidos ao longo da semana. A expectativa é de que apenas no início de abril ocorra o aquecimento da comercialização, com a necessidade de a indústria nacional de repor seus estoques”, analisa Pinheiro.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgou no último dia 9 seu relatório mensal, referente a março, de oferta e demanda pelo trigo dos Estados Unidos e do mundo. No documento, o Departamento estimou a safra 2015/16 do cereal nos EUA em 2,052 bilhões de bushels, contra 2,026 bilhões de bushels em 2014/15. Os estoques finais do país em 2015/16 foram projetados em 966 milhões de bushels, mantendo a projeção de fevereiro. A safra mundial 2015/16 está estimada em 732,32 milhões de toneladas, abaixo das 735,77 milhões de toneladas estimadas em fevereiro. Os estoques finais mundiais de trigo em 2015/16 estão estimados em 237,59 milhões de toneladas, abaixo das 238,87 milhões de toneladas em fevereiro.


ARROZ

ENTRADA DA SAFRA PRESSIONA CEREAL GAÚCHO

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

O mercado orizícula gaúcho manteve a tendência de queda ao final da terceira semana de março, reflexo da colheita da safra nova no Rio Grande do Sul. A saca de 50 quilos era comercializada a uma cotação média de R$ 40,58 no dia 17, contra R$ 41,08 no dia 10. Ante igual período do mês passado, a baixa era de 4,66%, quando a saca valia R$ 42,56. Na comparação com igual momento de 2015, a elevação era de 12,4%, quando a saca custava R$ 36,10. O sexto levantamento da Conab para a safra brasileira 2015/ 16 indica produção de 11,215 milhões de toneladas, o que representa um decréscimo de 9,8% sobre as 12,436 milhões de toneladas de 2014/15. No levantamento anterior, eram esperadas 11,475 milhões de toneladas.

A área plantada na temporada 2015/ 16 foi estimada em 2,029 milhões de hectares, queda de 11,6% ante os 2,295 milhões da safra 2014/15. A produtividade foi estimada em 5,526 mil quilos por hectare, superior em 2% aos 5,419 mil quilos por hectare na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 7,844 milhões de toneladas, equivalendo a recuo de 9,1%. A área prevista é de 1,083 milhão de hectares, queda de 3,3% ante os 1,120 milhão de hectares de 2014/15, com rendimento esperado de 7.243 quilos por hectare, contra 7.700 quilos da anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá reduzir 1,5%, totalizando 1,041 milhão de toneladas. Para o Mato Grosso, a Conab está estimando uma safra de 497,4 mil toneladas, ante 612,6 mil toneladas calculadas para 2014/15.


SOJA

SAFRAS ELEVA ESTIMATIVA DE PRODUÇÃO DO BRASIL

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

A produção brasileira de soja em 2015/16 deverá totalizar 100,661 milhões de toneladas, com aumento de 5,2% sobre a safra da temporada anterior, que ficou em 95,711 milhões de toneladas, segundo previsão de Safras & Mercado. Na comparação com o relatório anterior, houve uma elevação de 814 mil toneladas, ou 0,82%. Em janeiro, a estimativa era de 99,847 milhões de toneladas. Com a colheita passando da metade, Safras indica aumento de 3,9% na área, que ficaria em 32,827 milhões de hectares. Em 2014/15, o plantio ocupou 31,636 milhões de hectares. O levantamento indica que a produtividade média deverá passar de 3.025 quilos por hectare para 3.066 quilos. “A estiagem deve prejudicar a produção dos estados que formam o Mapitoba. Nas demais regiões, as lavouras se desenvolveram bem e as safras deverão ser cheias”, explica o analista de Safras & Mercado Luiz Fernando Roque.

O relatório de março do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) reduziu a sua estimativa de safra, mas elevou a projeção para os estoques finais. A safra norte- americana está estimada em 3,929 bilhões de bushels; em fevereiro, a previsão era de 3,930 bilhões. Os estoques foram elevados de 450 milhões para 460 milhões de bushels, enquanto o mercado esperava 457 milhões. Segundo o Usda, as exportações americanas tiveram a projeção mantida em 1,69 bilhão de bushels. Os esmagamentos tiveram projeção reduzida de 1,88 bilhão para 1,87 bilhão de bushels. A estimativa de produtividade permaneceu em 48 bushels por acre.

O relatório projetou safra mundial em 2015/16 de 320,21 milhões de toneladas. No relatório anterior, o número era de 320,51 milhões. Os estoques finais foram reduzidos de 80,42 milhões de toneladas para 78,87 milhões. O mercado apostava em estoque de 81 milhões de toneladas. A projeção do Usda aposta em safra americana de 106,93 milhões de toneladas, contra 106,95 milhões do levantamento anterior. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 100 milhões de toneladas, enquanto a safra argentina deverá ficar em 58,5 milhões de toneladas, repetindo as projeções de fevereiro. A China deverá importar 82 milhões de toneladas, contra 80,5 milhões do relatório anterior.


ALGODÃO

OSCILAÇÃO DO DÓLAR ESVAZIA NEGÓCIOS NO BRASIL

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

O mercado brasileiro de algodão encerrou a terceira semana de março com poucos negócios, reflexo da grande oscilação na cotação do dólar frente ao real. Com tal movimento, os agentes ficaram avessos a tomar posições. No Cif de São Paulo, a pluma era cotada a R$ 2,41 por libra-peso no dia 17, ante R$ 2,44 registrado na semana anterior. Em relação ao mesmo período do mês passado, quando valia R$ 2,55, a queda acumulada era de 5,49%. Contudo, apresentava alta de 27,51% quando comparado ao ano anterior. As exportações somaram 36,1 mil toneladas até a segunda semana de março, com média diária de 4 mil toneladas. A receita com as vendas ao exterior totalizou US$ 53,2 milhões, com média de US$ 5,9 milhões. O preço médio é de US$ 1.475,30 por tonelada. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio.

Na comparação com fevereiro, houve recuo de 15,4% na média diária de receita e baixa de 14,9% no volume. O preço recuou 0,6%. Se for comparado o mesmo mês do ano passado, há elevação de 62,4% na receita, avanço de 68,8% no volume e perda de 3,8% no preço. No cenário internacional, destaque para a produção de algodão da Índia, que deverá ficar em 34,5 milhões de fardos na temporada 2015/2016, que inicia no dia 1º de outubro, informou o Cotton Association of India (Associação de Algodão da India) a agências internacionais. Se confirmada, será uma queda de 3,8 milhões de fardos frente à temporada anterior, quando somou 38,3 milhões de fardos. Os motivos para a queda, segundo a Associação, foram ataques de pragas e chuvas insuficientes que cortaram a produtividade das lavouras.


MILHO

PREÇO NÃO CEDE, MESMO COM PLENO ANDAMENTO DA COLHEITA

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

A produção brasileira de milho deverá totalizar 88,913 milhões de toneladas na temporada 2015/16, com elevação de 1,7% sobre a safra anterior, de 88,397 milhões de toneladas. A projeção faz parte de levantamento divulgado em março por Safras & Mercado. O relatório anterior indicava safra de 89,986 milhões de toneladas. Safras projeta uma elevação de 0,6% na área a ser plantada, que ocuparia 15,786 milhões de hectares. No ano anterior, a semeadura ocupou 15,685 milhões de hectares. O levantamento projeta rendimento médio de 5.696 quilos por hectare, superando a produtividade da temporada anterior, que foi de 5.636 quilos.

A safra de verão da região Centro- Sul deverá cair de 25,116 milhões de toneladas para 22,219 milhões de toneladas. A área deverá cair 15,9%, totalizando 3,815 milhões de hectares, com rendimento de 5.824 quilos por hectare. O levantamento indica plantio de 10,395 milhões de hectares na segunda safra, ou safrinha, subindo 10,3% sobre o ano anterior. Com rendimento de 5.895 quilos por hectare, a produção da safrinha no Centro-Sul está estimada em 61,276 milhões de toneladas, acima do projetado para a temporada 2014/15, de 56,277 milhões de toneladas.

A configuração da safra brasileira de milho segue o seu ritmo de cortes no verão com recordes na safrinha. Vários fatores definem esse perfil, mas o principal revela a oportunidade para o produtor em várias regiões em realizar duas safras por ano de forma mais segura e com oportunidades de comercialização para o primeiro e o segundo semestre. Mas esse movimento de troca de verão pelo inverno na safra de milho parece ter encontrado o seu limite.


CAFÉ

COMERCIALIZAÇÃO DA SAFRA BRASILEIRA 2015/16 ATINGE 88%

Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br

A comercialização da safra de café do Brasil 2015/16 (julho/junho) está em 88% da produção total estimada, relativa ao final de fevereiro, mas com dados reunidos até 14 de março. Os dados fazem parte de levantamento de Safras & Mercado. Com isso, já foram comercializados pelos produtores 43,53 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a projeção de Safras & Mercado, de uma safra de 49,3 milhões de sacas. A comercialização está adiantada contra a média dos últimos cinco anos para este período, que é de 81%. Em 2015, o mês de fevereiro terminou com 83% da safra comercializada. Houve, ainda, avanço de 5 pontos percentuais na comercialização da safra 2015/16 em relação ao final do mês de janeiro (83%).

Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, a comercialização teve um mês de fevereiro errático. “O produtor se manteve em boa parte do tempo na defensiva, esperando repiques para se posicionar. Já o comprador se manteve seletivo e sem agressividade, o que trouxe pouca fluidez aos negócios”. O resultado, segundo Barabach, é que os negócios andaram pouco. A queda no dólar frente ao real derrubou o preço no mercado físico e ajudou a esvaziar ainda mais as negociações, especialmente com o sumiço do vendedor.

"A comercialização só foi reagir na última semana, quando o mercado inverteu para o lado do vendedor e os preços subiram no físico interno”, observou. Segundo levantamento de Safras & Mercado, os produtores brasileiros já comprometeram antecipadamente em negócios até meados de março em torno de 18% da produção esperada. No caso do arábica, as vendas alcançam 18%. E, no conilon, algo como 12% já foi comprometido pelo produtor. Em algumas regiões, onde a comercialização antecipada é mais dinâmica, esse percentual alcança de 25% a 28% da produção esperada, diz Gil Barabach.

O relatório de janeiro da Organização Internacional do Café (último divulgado pela OIC) indica um arrefecimento no ritmo das exportações mundiais. O mundo embarcou 8,964 milhões de sacas de 60 kg, o que corresponde a uma queda de 0,8% em relação a janeiro do ano passado, quando embarcou 9,041 milhões de sacas. E quem puxou para baixo o ritmo de embarque foi o Brasil, que exportou em janeiro 2,699 milhões de sacas, queda de 5,3% na comparação com igual período do ano anterior. A safra menor e os pesados embarques durante 2015, quando o País bateu pelo segundo ano seguido o recorde de embarques, levaram a esse arrefecimento no escoamento externo. E o Brasil foi substituído por outras origens, que elevaram o volume embarcado ao longo de janeiro.