Notícias da Argentina

ORIENTAÇÃO EXPORTADORA

Do total da produção argentina de soja, 84% é exportado como grão, farelo, óleo e biodiesel. As exportações do complexo encerraram o ciclo 2014/2015 em 50,6 milhões de toneladas, compostas por 11,5 milhões de toneladas de grãos, 31,9 milhões de toneladas de farelo, 6,2 milhões de toneladas de óleo e cerca de 1 milhão de toneladas de biodiesel. No cenário mundial, dos três principais países produtores de soja, o de maior orientação exportadora na campanha 2014/2015 foi a Argentina. O Brasil exportou 69% da produção, e os Estados Unidos, 59%. Essa é uma tendência dos últimos anos, uma vez que os dois países destinam grande parte da sua produção ao mercado interno, principalmente para alimentação animal e geração de biodiesel.


VISITA AO BRASIL

Para estreitar relações com o país vizinho, o ministro de Agroindústria da Província de Buenos Aires, Leonardo Sarquís, desembarcou em São Paulo para explorar oportunidades para vender o trigo produzido no território bonaerense, onde se concentra mais da metade da produção argentina. A visita incluiu a Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo) e a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi). “Nosso objetivo é recuperar o mercado brasileiro, avaliando suas necessidades em relação à qualidade do nosso trigo. O Brasil, que busca qualidade e quantidade, estaria disposto a adquirir em torno de 4 milhões de toneladas, entre farinha e grãos. A Província de Buenos Aires produz mais de 60% do trigo nacional, e a estimativa é de um aumento de 20% na área plantada na próxima safra”, afirmou Sarquís.


TRIGO

As estimativas indicam que o plantio na Argentina poderá ser de 4 milhões de hectares. O número é cerca de 30% superior à safra anterior. A produção poderá passar das 10,3 milhões de toneladas para entre 14 e 15 milhões de toneladas, não apenas pelo aumento da área, mas também pelo maior investimento nas lavouras.

SOJA

A colheita é estimada em 58 milhões de toneladas, o que significa uma redução de 4,6% em relação ao ano passado. As médias de produtividade até agora mostram desuniformidade entre as regiões, sendo que uma parte tem rendimentos acima das médias históricas, e outra parte enfrenta problemas com questões fitossanitárias e com estresse hídrico.

LEITE

Os produtores de diferentes regiões saíram às ruas para protestar contra as perdas que o setor vem sofrendo devido à alta dos custos. Segundo eles, os gastos com um litro de leite ficam em US$ 0,35. A conta não fecha, já que a indústria vem pagando US$ 0,30 pelo litro. Os produtores ainda pedem que o governo intervenha na cadeia de comercialização, já que nas gôndolas o litro do leite vale em torno de US$ 1.

CARNE

Os preços do gado em pé seguem em alta, particularmente entre os novilhos, que têm mais demanda da indústria. Em março, o quilo vivo da categoria ficava em torno de US$ 1,70. O mês é marcado por maior fluidez, depois de uma época de pouca atividade no setor.

TRIGO: NEGOCIAÇÕES ACELERADAS

Com o fim das retenções às exportações, a safra 2015/2016 de trigo argentino acumulou declarações de venda ao exterior de 3,8 milhões de toneladas. Entre os mercados que receberam o cereal estão Egito, Indonésia, Coreia do Sul, Marrocos, África do Sul, Vietnã, Itália, Tailândia e Estados Unidos. O Brasil vai na contramão do renovado interesse externo pelo trigo da Argentina, com preços bastante competitivos, tendo em vista que o País já foi o principal mercado para o cereal argentino. Apenas em janeiro, as compras com origem na Argentina caíram 49% em comparação com o mesmo mês do ano passado, somando 136.876 toneladas. Assim, no primeiro mês de 2016, a participação da Argentina no total de trigo que ingressou no Brasil reduziu de 81% para 36%. Contudo, os argentinos seguem considerando o Brasil como o destino exportador natural do seu trigo.