Expodireto Cotrijal

 

Tecnologia para agregar VALOR à produção

Mais de 200 mil visitantes conferiram de perto o que há de mais moderno para o campo na feira realizada no mês passado, em Não-Me-Toque/RS

Denise Saueressig
denise@agranja.com

A 17ª Expodireto Cotrijal, feira realizada entre 7 e 11 de março em Não-Me-Toque, no produtivo Noroeste gaúcho, apresentou aos seus 210,8 mil visitantes, tecnologias de ponta para os mais variados perfis de propriedades. Durante os cinco dias de programação, 554 expositores exibiram inovações em insumos, máquinas e serviços voltados ao incremento da produtividade. O evento também teve espaço para demonstrações, palestras e discussões sobre os temas que fazem parte do dia a dia de todos os produtores.

O momento turbulento na política e na economia do Brasil ficou evidente no volume de negócios efetivados na feira. O montante, de R$ 1,58 bilhão, foi 28% inferior em comparação com a exposição do ano passado. Há consenso de que o sentimento de desconfiança em relação aos rumos do País freou investimentos mais significativos, especialmente quando a decisão é pela aquisição de máquinas e equipamentos.

Na avaliação do presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão Bastos, a Expodireto representa um evento de grandes oportunidades, não apenas para a realização de vendas, mas também pelo contato direto com potenciais compradores. O vice-presidente da Cotrijal, Enio Schroeder, concorda, e lembra que muitas prospecções de negócios acabam se concretizando depois da feira. “É natural que a cautela seja maior agora, mas o produtor rural está muito organizado e não depende de um momento específico apenas para tomar suas decisões”, conclui.

Segundo balanço divulgado pela Abimaq a partir de levantamento entre seus associados, as intenções de compras durante a feira tiveram redução de 23% em comparação com a edição de 2015. A queda acompanha a variação já observada no Show Rural Coopavel, em fevereiro, quando a retração foi de 21%.

Investimento que retorna em qualidade — O produtor capitalizado pelos resultados das últimas safras e interessado em investir encontrou, além de tecnologias inéditas no mercado brasileiro, condições e atrações especiais no evento. Com propriedade na região de Passo Fundo/RS, Vilson Terres visita a Expodireto há mais de dez anos para acompanhar de perto a atualização tecnológica do setor. Durante a visita à exposição, o produtor comprou uma plataforma de colheita para trabalhar na lavoura de 500 hectares onde cultiva soja, milho, trigo e aveia. “Estou substituindo uma antiga, convencional de 30 pés, por uma draper, com 35 pés”, detalha. Segundo ele, a troca é justificada porque o equipamento novo proporciona mais qualidade e mais rapidez na colheita. O investimento, de aproximadamente R$ 300 mil, será pago com recursos próprios.

Enquanto se preparava para iniciar a colheita da soja na lavoura, Terres também estava de olho no mercado. Até meados de março, 30% da safra atual havia sido comercializada por preços de R$ 68 e R$ 75 a saca. “Agora estou analisando o movimento do dólar para definir as próximas vendas”, relata. Com investimento voltado para colher em torno de 70 sacas por hectare, o produtor lembra que, durante o desenvolvimento da lavoura enfrentou, inicialmente, um período com excesso de chuva e, mais tarde, um veranico de 18 dias. “Espero não colher menos do que 60 sacas por hectare”, diz Terres, que na última safra registrou rendimento médio de 70 sacas por hectare. A meta daqui para frente é alcançar as 80 sacas por hectare.

Recorde na soja — As boas produtividades obtidas nos campos gaúchos devem fazer com que o Rio Grande do Sul registre uma safra recorde de soja no ciclo 2015/2016. A colheita está em andamento, e a Emater/RS estima o rendimento médio em 2.938 quilos por hectare. Segundo os números divulgados durante a Expodireto, a área plantada no período teve incremento de 3,92%, chegando aos 5,4 milhões de hectares cultivados. A expectativa para a produção é de 16 milhões de toneladas, um pouco acima do volume registrado no ano passado, de 15,7 milhões de toneladas.

Produtor Vilson Terres aproveitou a Expodireto para adquirir uma plataforma de colheita mais moderna para uso na lavoura cultivada na região de Passo Fundo/RS

Parte desse incremento foi provocada pela substituição do milho pela soja. Tanto que a área com o cereal apresentou recuo de 12,94%. A projeção para a colheita é de 4,7 milhões de toneladas, uma redução de 15,89% em comparação com 2014/2015. A produtividade esperada é de 6.302 quilos por hectare, 3,4% inferior ao índice do ciclo anterior. No total, a safra de verão no Rio Grande do Sul é estimada em 28,8 milhões de toneladas, número muito próximo as 28,9 milhões de toneladas do período passado.

A soja e o milho foram os assuntos principais de dois fóruns de discussões realizados durante a feira. O mercado, o consumo e a tecnologia que viabiliza as culturas foram debatidos por especialistas da área. Um dos palestrantes do 8º Fórum Nacional do Milho, o consultor Carlos Cogo, destacou que a antiga “safrinha” foi a responsável pelo Brasil atualmente ocupar o posto de segundo maior exportador do cereal, com cerca de 30% do mercado mundial. “Lembrando que em 2005 o País não vendia milho ao exterior”, assinala. O especialista considera que os preços competitivos do grão neste momento poderão motivar os produtores a ampliar a área plantada no ciclo 2016/ 2017. No Rio Grande do Sul, segundo a Emater, a saca do milho era cotada a R$ 36,50 na terceira semana de março, enquanto na mesma época do ano passado, valia R$ 29,20. A Expodireto 2017 já tem data marcada: será realizada entre os dias 6 e 10 de março.

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