Expoagro Afubra

 

Feira mobiliza PEQUENOS agricultoresFeira mobiliza PEQUENOS agricultores

Expoagro Afubra, realizada em Rio Pardo/RS, apresentou ideias, técnicas e tecnologias para agricultores familiares e atraiu 80 mil visitantes

A Expoagro Afubra, feira cujos participantes e visitantes são formados essencialmente por agricultores familiares, teve público de 80 mil pessoas provenientes dos três estados da Região Sul, em Rincão Del Rey, distrito de Rio Pardo/RS, no mês passado. O evento, promovido pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), mobilizou mais de 400 expositores entre empresas dos mais diversos segmentos, instituições de pesquisa e entidades. O volume de negócio chegou a R$ 39 milhões. ”Consolidada como a maior feira agrícola do Brasil voltada à agricultura familiar, a Expoagro Afubra 2016 mais uma vez cumpriu seu objetivo de levar aos produtores rurais acesso a tecnologia e informação para melhorar a qualidade de vida e gerar renda para a pequena propriedade”, destacou a organização do evento.

Na avaliação do presidente da Afubra, Benício Werner, o evento deste ano cumpriu plenamente o seu papel de levar conhecimento e inovação ao pequeno produtor rural. “Com uma programação variada e novidades em diversas áreas, todos os nossos objetivos foram alcançados dentro do que foi planejado”, destacou Werner. “Apesar da chuva no primeiro dia, atingimos números muito bons. Toda a programação foi bem planejada e aproveitada pelos visitantes”, acrescentou o coorde- Fotos: Lula Helfer/Afubra nador da feira, Marco Antônio Dorneles.

Prêmio Nimeq/Afubra — Como forma de incentivar empresas e produtores a encontrar soluções para facilitar a vida no campo, a Afubra, em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), realizou a entrega do 3º Prêmio Afubra/Nimeq de Inovação Tecnológica em Máquinas Agrícolas para Agricultura Familiar na categoria Inventor e a segunda edição na categoria Empresa. “Poder reconhecer e premiar essas pessoas, aqui na Expoagro Afubra, é um sonho realizado”, destacou o professor e pesquisador Roberto Lilles Tavares Machado, do Núcleo de Inovação em Máquinas e Equipamentos Agrícolas (Nimeq), da UFPel.

O evento reuniu mais de 400 expositores entre empresas, instituições de pesquisa e entidades, incluindo os agricultores familiares que comercializaram as produções de suas agroindústrias

Campeã na categoria empresa, a “Máquina de Descascar Mandioca” atraiu a atenção de muitos visitantes, contou André Luciano de Oliveira, da Usitec, de Vera Cruz/RS. A participação no prêmio foi um desafio para a empresa, que procurou desenvolver algo que fosse de interesse do produtor. De Protásio Alves/RS, o produtor Francisco José Defaveri conquistou o primeiro lugar na categoria Inventor, com a “Máquina de Recolher Pedras”. Conforme ele, a pesquisa para o desenvolvimento da novidade levou cerca de três anos, e depois mais sete meses para a montagem. “Eu, que já fui produtor de tabaco, me identifiquei bastante com o público daqui. Muitas das minhas dificuldades, naquela época, são as deles. Poder auxiliar, de alguma forma, com meu invento é muito gratificante”, afirmou.

Agroindústria de três gerações — Entre os expositores, muitas agroindústrias familiares. Como a família Castoldi, de São José do Herval/RS. Os avós, pais, tios e o agricultor Patrick Castoldi formam o maior patrimônio da Agroindústria Castoldi. São os proprietários, empresários e a mão de obra da fábrica de doces, geleias, polpa de frutas, conservas e picles que, pelo segundo ano consecutivo, esteve no pavilhão da agroindústria familiar do evento. Boa parte das frutas e hortigranjeiros que dão origem aos doces e conservas são produzidos na propriedade da família. “Como cresceu bastante, temos comprado um pouco de alguns fornecedores também da agricultura familiar”, explica Patrick. Os Castoldi produzem até três toneladas por mês, e a empresa ainda consegue fazer uma boa comercialização porque integra um projeto de fornecimento de merenda escolar diretamente das agroindústrias. A presença na Expoagro teve por objetivo ampliar o mercado, a produção e a renda. “Afinal, esse é o objetivo da agroindústria: começar pequena, trazer melhor qualidade de vida, empregos e renda à família, e seguir crescendo”.

Patrick Castoldi, integrante de uma das três gerações da família Castoldi, de São José do Herval/RS, que fabrica doces, geleias, polpa de frutas, conservas e picles: objetivo é seguir crescendo

Já o agropecuarista Volmir de Vargas, sócio da esposa na Agroindústria Todo Dia, de Barros Cassal/RS, comercializou queijos na feira. Toda a produção de queijos e bebidas lácteas é fabricada por ele e sua esposa, e eventualmente pelos dois filhos, que cursam Agronomia e Zootecnia em outra cidade. A produção é de 500 a 700 litros. “Desde a inseminação da vaca até o queijo é tudo feito por nós, em casa, dentro de uma filosofia de agricultura familiar mesmo, de sabor rural”, relatou Vargas. A queijaria é resultado da diversificação da propriedade. A família Vargas plantava tabaco, mas optou por fortalecer o leite e derivados, além de produzir peixes, soja, milho, mandioca e produtos de subsistência. “Estamos felizes com essa opção e já procurando novos produtos para diversificar. O próximo passo vai ser produzir doce de leite”, avisa. “Dá trabalho, mas a gente faz com alegria”.

Arroz com soja — O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) difundiu na feira técnicas necessárias para o plantio da soja em várzeas de arroz. O engenheiro agrônomo Pedro Hamann, um dos coordenadores do instituto, lembrou que a rotação entre uma gramínea e uma leguminosa é recomendável do ponto vista do aproveitamento dos nutrientes, recuperação das áreas, eliminação de pragas, doenças e invasoras, e até economicamente. A soja, por exemplo, fixa nitrogênio no solo, o que é muito importante para a produtividade do arroz. Mas é preciso adotar alguns cuidados como um bom sistema de drenagem e irrigação, cultivar terrenos compatíveis e ter equipamentos adaptados à cultura, como a máquina que faz microcamalhões. “É o que estamos difundindo”, destacou.

Recomenda-se a semeadura da oleaginosa por dois anos, para limpar o banco de sementes das invasoras. Depois, retoma-se o plantio do arroz. Assim como fazer a rotação de sistemas de cultivo e métodos de controle também é importante para eliminar plantas infestantes como o arroz vermelho. Todas as orientações integram o Programa Soja 6000, que visa difundir técnicas capazes de elevar a produtividade média da soja. “É um desafio que propõe um avanço gradativo, dependente de vários fatores, mas envolvendo a época de semeadura, drenagem, irrigação, plantabilidade, controles de pragas, preparo do solo, entre outros. É possível evoluir tanto na soja quanto no arroz”, listou Rodrigo Schoenfeld, gerente de Pesquisas do Irga.