Glauber em Campo

 

FLORESTAS PLANTADAS, UMA OPORTUNIDADE OU NÃO?

GLAUBER SILVEIRA

S abemos da oportunidade que se apresenta no Brasil para o setor flo- restal: terras abundantes, luminosidade, temperatura e pluviometria. Para se ter uma ideia, enquanto nos climas temperados como o da Europa, o eucalipto leva de 15 a 20 anos para atingir ponto de corte para madeira serrada; aqui no Brasil se tem a mesma cubagem em oito anos. Porém, infelizmente, esse potencial produtivo não se transforma facilmente em oportunidade. Temos diversos problemas. Como tudo o que envolve produção aqui em nosso País, esse cultivo também esbarra no que chamamos de logística. Sendo assim, as melhores oportunidades de plantio de florestas estão distantes dos portos e do centro de consumo, e o plantio com melhor localização geográfica, como ocorre no Sul e no Sudeste, se obriga a fornecer para poucos clientes, que geralmente são grandes empresas de celulose.

Como em todos os setores no Brasil, não temos uma política de apoio e desenvolvimento do setor de florestas plantadas, em parte devido ao desenvolvimento florestal centenário desde o descobrimento do Brasil, que foi, em sua maioria, exploratório de florestas nativas. E sobre isso vemos diversas ONGs criticando sequencialmente. Mas esse não é um mal brasileiro, é mundial. Importante deixar claro que não estou criticando a exploração legal, mas a ilegal, que ainda é muito forte no Brasil.

A não ser o setor celulósico, os demais setores oriundos da floresta plantada sofrem uma competividade monstruosa e desequilibrada com o setor madeireiro ilegal. E apesar de o Brasil dizer em fóruns mundiais que está combatendo e irá erradicar a exploração ilegal, no Brasil real quem atualmente tem floresta plantada está sofrendo com os baixos pre- ços da madeira, seja serrada ou de lenha, em virtude do comércio clandestino de madeira ilegal.

Apesar de o novo Código Florestal designar que cada estado regule e fiscalize o consumo de madeira, implantando o Plano de Suprimento Sustentável (PSS), que também é um mecanismo de inibir o uso de matéria-prima florestal (oriunda de florestas nativas, retiradas de maneira ilegal ou predatória), pelo qual todo consumidor de madeira deveria apresentar de onde vem a origem de sua madeira, isso não tem ocorrido. Muitos estados são totalmente ineficientes e omissos, e com isso o setor de florestas plantadas sofre as consequências da ineficiência do estado e o progresso da cadeia não se desenvolve.

O etanol de milho tem surgido como uma oportunidade ao setor de florestas plantadas, uma vez que para se produzir etanol se precisa de biomassa nas caldeiras para fazer vapor. Com isso, surge uma oportunidade para madeira serrada e lenha. Afinal, ao se cortar uma floresta plantada, nem toda a árvore se destina a madeira serrada para construção, MDF, compensado, mó- veis. etc. Uma parte vira lenha, cavaco, e o consumo dessa lenha é importante para dar viabilidade ao negócio.

O tema aquisição de terras por estrangeiros é fundamental ao desenvolvimento florestal, pois sem o qual não tem investimento. Atualmente não se pode dar em garantia áreas para empréstimos ou investimentos estrangeiros no Brasil. Isso fez com que o setor de florestas plantadas tivesse um recuo muito prejudicial. Mais uma vez interesses mais que contraditó- rios se sobrepõem ao desenvolvimento.

O suprimento de energia é fundamental ao desenvolvimento de um país. Os consumidores pagam caro hoje devido à oferta de energia que, vira e mexe, chega ao seu limite. Porém, o Governo, em contrapartida, ao invés de incentivar a produção de energias alternativas, faz o contrário. Para se ter uma ideia, hoje, uma termelétrica movida a diesel recebe R$ 1.420 por MWh, enquanto uma de biomassa, eucalipto plantado, por exemplo, recebe R$ 215. Não se pode ter uma termoelétrica alimentada com diesel melhor remunerada que a de biomassa.

que a de biomassa. Por uma falta de políticas públicas, estamos vendo um setor extremamente agregador e distribuidor de renda bastante estagnado. Afinal, estamos vendo no interior e nas grandes cidades a substituição de madeira por ferro, afinal a madeira nativa serrada está muito cara, seja viga, caibro etc., em um custo superior a R$ 1.200 o metro cúbico. O setor de florestas plantadas poderia estar oferecendo madeira a um custo muito competitivo. Por estranho que pareça, apenas no Brasil vemos ferros servindo de base para o telhado. Porém, não dá para competir com madeira ilegal.

No Brasil de Norte a Sul há áreas degradadas onde a floresta tem um grande potencial de se desenvolver, pois não compete com áreas próprias à produção de alimentos. Muito pelo contrário, existe uma grande oportunidade não aproveitada e incentivada, apenas discursos acusadores ao Brasil e um Governo que se desculpa. Sendo assim, ao invés de sermos acusados de desmatadores, poderí- amos sim estar sendo reconhecidos como grandes reflorestadores.

Presidente da Câmara Setorial da Soja, diretor da Aprosoja e produtor rural em Campos de Júlio/MT