Primeira Mão

 

COMEMORAÇÃO...

Apenas o PIB do setor agropecuário cresceu em 2015 na economia brasileira: +1,8%. A comemorar, visto que o PIB geral caiu 3,8%, o pior desempenho dos últimos 25 anos, segundo o IBGE. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lembrou, porém, que apesar de ter crescido, foi o menor índice de expansão dos últimos quatro anos – reflexos dos problemas econômicos do País

... e preocupação

O índice positivo de 1,8% representou, na verdade, a metade da média de crescimento do setor da série histórica, iniciada em 1996, que é de 3,6% – consequência dos problemas do Brasil. A CNA alertou que o setor também vai deixar de crescer se não forem promovidas as chamadas "reformas estruturantes" na economia, como as reformas tributária e trabalhista. "Para que a agricultura e a pecuária do Brasil possam seguir crescendo, é absolutamente necessário que o País supere a crise atual", advertiu o presidente da entidade, João Martins.

Paraná próspero

Já no Paraná, a agropecuária cresceu mais que o dobro do setor no País: 4,4%. Resultado da safra recorde + avanço na produção de carnes + câmbio favorável. A agropecuária representa 10,5% do PIB paranaense e o agronegócio (mais industrialização dos produtos agrícolas) tem fatia de 30%. No caso das exportações, o agronegócio respondeu por 78%.


Meta ousada

O Governo brasileiro tem por meta ampliar a participação do agronegó- cio brasileiro no comércio mundial de 7% para 10%. Foi o que anunciou a ministra da Agricultura, Kátia Abreu. "O Ministério da Agricultura continuará investindo em negociações comerciais e sanitárias com os 22 principais mercados internacionais que, juntos, representam 75% da atividade comercial mundial", disse.


Pesou no bolso

O custo de produção do algodão mato-grossense está 14,34% superior ao do ano passado. Foi o que apurou o Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada (Imea). Em fevereiro, o produtor de algodão tinha que desembolsar em média R$ 9.266,23 para produzir um hectare da pluma. Os insumos representam 2/3 desse dispêndio, e 22% acima de um ano atrás – culpa do câmbio, já que boa parte da matéria- -prima de defensivos e fertilizantes é importada


Menos vendas

A venda de defensivos para a agricultura brasileira caiu 21,6% no ano passado (em relação a 2014), segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg). O setor comercializou US$ 9,6 bilhões. Apenas os inseticidas registraram queda de 35,2%. A desvalorização do real e o crédito mais dificultado explicam o recuo, esclarece a entidade. Afinal, as empresas, que precisam importar 80% dos produtos enfrentaram dificuldades em repassar ao produtor o aumento do dólar (que foi de 50% no ano) e, assim, perderam receita. Outra explicação é o contrabando, que significa 1/5 do "mercado".


R$ 2 bilhões...

...essa é a estimativa do tamanho do prejuízo causado pela seca à agricultura do Oeste baiano, segundo as entidades classistas locais. Nove são os municípios atingidos. A falta de água se deu de outubro a dezembro do ano passado e prejudicou as lavouras de milho e soja. Depois, em janeiro, chegou até 700 milímetros, período seguido de mais estiagem em fevereiro, até o início de março. A produtividade média de soja deverá cair em 33%, para 37 sacas/hectare. No caso do milho, 39% de recuo, para 115 sc/ha.


Ideias para o PAP 2016/17

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e o Instituto Pensar promoveram, em março, na Câmara dos Deputados, seminário para debater propostas de sugestões para o Plano Agrícola e Pecuário 2016/2017. Desburocratização do acesso ao crédito rural, redução das taxas de juros, maior volume de recursos, melhoria dos instrumentos de apoio à comercialização e do modelo de seguro rural, diversificação das fontes de financiamento da produção e um plano safra plurianual para o setor agropecuário foram assuntos do debate.


Agro pelo impeachment

Foram muitas as manifestações oficiais de entidades classistas pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff no mês passado. "Como representante legítima dos produtores de soja e milho de Mato Grosso, um segmento da sociedade que produz, gera empregos, cria oportunidades e contribui para os indicadores da economia nacional, tornamos pública a necessidade urgente de imediata substituição do Governo Federal", anunciou a Associação dos Produtores de Soja e Milho do MT (Aprosoja/MT). "... ressaltamos a importância fundamental dos Poderes Judiciário e Legislativo, instâncias capazes de colocar em prática o processo de impeachment e de garantir as condições necessárias para a construção de um novo Governo no País", divulgou em nota a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).


ANDAV: NOVO CONSELHO DIRETOR

A Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veteriná- rios (Andav) apresentou no mês passado o 14° Conselho Diretor, que conduzirá as ações da entidade até 2017. Foram eleitos 30 líderes de empresas do agronegócio que representam a distribuição em 19 estados. "É uma geração com novas ideias, pontuadas pela automotivação, profissionalismo e responsabilidade ambiental e financeira. E, principalmente, inspirada na capacidade de querer realizar os sonhos de seus fundadores, marca fundamental da Andav", explicou Salvino Camarotti, novo presidente do Conselho Diretor. Segundo ele, a nova equipe é marcada pela renovação por meio da chegada de membros que representam a segunda geração de empresas que ajudaram no desenvolvimento da distribuição de insumos.


Bancos encolheram

As instituições bancárias perderam espaço no custeio da atual safra. Mais objetivamente, a fatia dos bancos caiu de 51% para 42% do total de crédito tomado pelos produtores. Já o capital próprio dos agricultores representa 41%, ante 35% na safra passada. Fecham a conta as cooperativas, com 10% (contra 8% no passado), as revendas, com 3% (era 2%), as indústrias, que dobraram a participação, para 2%, além das tradings, com 2%, ante 3%. É o que revelou pesquisa elaborada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Organização de Cooperativas Brasileiras (OCB), baseada no segundo trimestre de 2015.