Agribusiness

CAFÉ

PREÇOS RECUAM EM FEVEREIRO NAS BOLSAS E NO BRASIL

Lessandro Carvalho – lessandro@safras.com.br

Os preços do café recuaram nas bolsas de futuros e no mercado brasileiro em fevereiro. O cenário macroeconômico global preocupante, o dólar firme ainda contra o real no Brasil e a expectativa de uma boa safra brasileira em 2016 estão entre os principais fatores baixistas do momento. Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, o mercado de café segue refém do cenário macroeconômico global e vulnerável aos ajustes financeiros, especialmente a flutuação do dólar, o que traz grande volatilidade às cotações do grão na Bolsa de Nova York. “A demanda continua na defensiva, ao não perceber risco no abastecimento.

Na cena externa, os embarques do Vietnã andam em bom ritmo. A origem está mais agressiva, buscando não só desovar os estoques remanescentes como se posicionar com a safra a atual, também volumosa. O interesse de Colômbia e Brasil está atrelado ao dólar mais alto”, indica.

Os crop tours no Brasil continuam a trazer indicações positivas para a safra 2016/17, lembra Barabach. A Unicafé sinaliza com produção de 54 milhões de sacas de 60 quilos (41,8 milhões de arábica e 12,2 milhões de conillon) e a Wolthers indicou 54,5 milhões de sacas (40,5 milhões de arábica e 14 milhões de conillon).

“Além disso, as boas chuvas nesse início de ano garantem a granação e ampliam a perspectiva de uma safra futura de boa qualidade”, pondera. No balanço mensal em NY, o contrato maio do arábica fechou dia 25 de fevereiro a 116,15 centavos de dólar por libra- peso, tendo assim uma queda acumulada em fevereiro de 2%, já que terminara janeiro a 118,50 centavos de dólar. Pode não parecer muito, mas vale lembrar que no dia 5 de fevereiro o preço dessa posição chegou a bater em 125,95 centavos de dólar.


ARROZ

PREÇO DO CEREAL GAÚCHO COMEÇA A CAIR

O mês de fevereiro não foi dos melhores para a comercialização da soja no Brasil. Ao contrário, os preços caíram forte nas principais praças e os negócios foram escassos. Com dólar e Chicago acumulando perdas, o produtor saiu do mercado e concentrou suas atenções na colheita e no desenvolvimento das lavouras. A saca de 60 quilos abriu o mês a R$ 83,50 em Passo Fundo/RS e encerrou o dia 25 a R$ 76,50. Em Cascavel/PR, a cotação recuou de R$ 75 para R$ 70,50. Em Rondonópolis/ MT, a cotação baixou de R$ 72,00 para R$ 67,50.

Os preços também recuaram em Dourados (MS), passando de R$ 71 para R$ 64. Em Rio Verde/GO, a saca despencou R$ 10 no período, encerrando a R$ 66, no dia 25. O avanço da colheita no Brasil e o bom desenvolvimento das lavouras na Argentina pressionaram os contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago. A perspectiva de ampla oferta mundial evitou qualquer tentativa de reação mais consistentes. Os contratos com vencimento em maio acumularam desvalorização de 2,15%, encerrando a 8,65 1/2 por bushel.

O câmbio, outro fator importante para a formação dos preços internos, também não favoreceu as negociações. No balanço do mês, a moeda americana caiu 1,79%, sendo cotada a R$ 3,951 no dia 25. Nesse caso, a melhora nas projeções para a economia mundial aliviaram a pressão sobre o câmbio. Mesmo com alguns problemas pontuais, a safra brasileira tende a ser recorde. Safras & Mercado estima uma produção de 99,85 milhões de toneladas.

Na Argentina, o quadro é semelhante. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires indica safra de 58 milhões de toneladas, um pouco abaixo do recorde obtido no ano passado. Os estoques finais norte-americanos em 2016/17 deverão ficar em 440 milhões de bushels, contra 450 milhões de 2015/ 16. A relação estoque/consumo cairia de 12,1% para 11,4%. As informações fazem parte do quadro de oferta e demanda, divulgado pelo Usda, após o fórum anual da instituição. A aposta é de recuo na área a ser plantada, que passaria de 82,7 milhões de acres para 82,5 milhões em 2016/17. A produção está estimada em 3,810 bilhões de bushels, contra 3,930 bilhões.

O esmagamento está projetado em 1,9 bilhão de bushels, avançando na comparação com 2015/16, de 1,88 bilhão. As exportações deverão subir de 1,69 bilhão para 1,825 bilhão de bushels. O Usda indica preços médios na temporada 2016/ 17 de US$ 8,50 por bushel, contra US$ 8,80 da temporada anterior.


ALGODÃO

MERCADO BRASILEIRO ESFRIA EM FEVEREIRO

Rodrigo Ramos - rodrigo@safras.com.br

O mercado brasileiro de algodão encerrou o mês de fevereiro com menor comercialização em relação a janeiro, quando as indústrias repuseram estoques. “No momento, as compras são somente para reposição imediata ou alguma demanda específica”, explica o analista de Safras & Mercado Cezar Marques da Rocha Neto. Pela paridade de exportação, o comércio entre produtor e trading também “esfriou”, visto que o produto interno está mais caro que o praticado no mercado internacional.

“A oferta do algodão de boa qualidade já é escassa, e grande parte dos lotes que restam possui algum defeito de HVI”, ressalta. “Aliás, muitas indústrias, em virtude desse problema, estão fora de mercado, esperando a entrada da nova safra, que deverá ocorrer no final de maio”, frisa. No Cif de São Paulo, a pluma era cotada a R$ 2,55 por libra-peso no dia 25 de fevereiro, com queda de 1,92% em relação ao mesmo período do mês passado. Contudo, apresentava alta de 50% quando comparado ao ano anterior.

No mercado externo, o cenário também não foi favorável. A ICE Futures (NY) obteve desvalorização de 5,88%, sendo cotada a 58,16 centavos de dólar por libra-peso no dia 25. “Essa queda foi devido à desvalorização do petróleo, que faz com que a fibra sintética ganhe espaço no mercado internacional”, explica. “Aliado a isso, a maior área de produção dos Estados Unidos, concomitantemente com uma possível menor demanda da China, deixou o mercado avesso ao risco”, completa.

A primeira sinalização do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) aponta para elevação na área a ser plantada com algodão em 2016 naquele país. Segundo técnicos do Usda, o plantio deverá ocupar 9,4 milhões de acres este ano, com aumento de 9,6% na comparação com o ano anterior. A previsão foi divulgada durante o Fórum Anual Outlook.


MILHO

PREÇO NÃO CEDE, MESMO COM PLENO ANDAMENTO DA COLHEITA

Arno Baasch - arno@safras.com.br

O mercado de milho chegou ao final de fevereiro mantendo um quadro de preços bastante elevado, mesmo em um pleno período de colheita. De acordo com Safras & Mercado, essa situação deve se estender ao longo do primeiro trimestre, diante dos baixos estoques de passagem e do corte registrado na primeira safra, que não oferece ofertas suficientes para o atendimento imediato da demanda. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, o ritmo de embarques de milho deve cair até junho, diante da competição com a soja, o que é bom para o mercado interno, embora outros fatores ainda estejam “em jogo” para fazer com que as cotações venham a recuar um pouco, como a condição da safrinha, que está em pleno plantio, a definição de área da safra norte-americana e a questão dos custos internos de produção.

Para Molinari, somente haverá um mercado de milho mais tranquilo e com preços mais acomodados quando a safrinha e safra norte-americana estiverem fora de risco, o que dependerá também do câmbio.

“Um real desvalorizado poderá ser um ingrediente para acelerar a exportação em 2016, trazendo uma pressão ainda maior ao mercado interno”, disse. Por outro lado, o analista ressalta que o Governo tem tentado oferecer uma oferta adicional de milho com os leilões de estoques público realizados desde o começo de fevereiro, ofertando 150 mil toneladas semanais. Estes, no entanto, têm sido insuficientes para atender aos anseios de todos.

“Os leilões vem abastecendo os estados da Região Nordeste, bastante carentes de oferta, muito embora não estejam sendo suficientes para resolver os problemas de desabastecimento nos estados do Sul e Sudeste, por conta do padrão de qualidade menor e da distância dos centros de consumo”.


TRIGO

RETRAÇÃO DO COMPRADOR TRAVA MERCADO

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

O mercado de trigo encerrou fevereiro com preços levemente superiores aos praticados no encerramento do mês anterior. No Paraná, a média ficou em R$ 765/tonelada, com alta de 0,66%. No Rio Grande do Sul, foi de R$ 660, acumulando ganhos de 3,03%. “O mês foi caracterizado pela lentidão no ritmo dos negócios. Depois de recompor estoques na segunda quinzena de janeiro, os compradores se colocaram em uma posição defensiva, apenas com aquisições pontuais. Na outra ponta, os produtores, olhando para a paridade de importação, estão reticentes em negociar os lotes de melhor qualidade aos atuais patamares de preços”, explica o analista de Safras & Mercado Elcio Bento.

O analista também destaca a heterogeneidade da qualidade dos grãos disponíveis no mercado. O produto “padrão paranaense” possui uma oferta superior à demanda imediata e, por isso, não apresenta força para recuperação nas cotações. Cereal com alto padrão de qualidade, especialmente o de cor clara, tem uma demanda superior à oferta. Com isso, a pedida fica por volta de R$ 900/ tonelada no Paraná, com compradores ofertando R$ 800.

Existem ainda lotes de trigo castigado pelo excesso de chuva. Até o final de janeiro os produtores haviam escoado 495 mil toneladas para o mercado internacional. Com os portos se abrindo para o escoamento da safra de verão e com o milho em alta, nas últimas semanas os reportes de negócios de feed wheat concentraram-se no mercado interno. A tendência para março é de que os negócios sigam lentos.