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TRIGO: DE VOLTA AO MUNDO

Praticamente banido pelo governo anterior e bastante castigado economicamente pelas limitações que foram impostas na hora de exportar, o trigo recuperou, com a nova administração federal, a liberdade de comércio e indica que vai recompor o espaço que foi perdido nos últimos anos.

O ministro da Agroindústria, Ricardo Buryaile, recebeu as autoridades da Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo) com o objetivo de analisar as perspectivas do setor a partir das novas medidas adotadas pelo governo nacional. Ao final do encontro, o presidente da Abitrigo, Sergio Amaral, apoiou as medidas adotadas pelo setor agroindustrial, já que são “muito importantes para o intercâmbio entre os dois países”, e agregou que “o fim das retenções e as mudanças no sistema de ROE (Registro de Operações de Exportação) podem colaborar para terminar com as incertezas dos moinhos brasileiros”.

O dirigente ainda destacou que a conquista da estabilidade comercial “abre um caminho de cooperação entre os governos dos dois países”, o que, consequentemente, ajudará a criar oportunidades ao campo argentino.

TRIGO

De maneira preliminar se estima um crescimento de 20% ou 30% na área com trigo na próxima safra. Sobra vontade para expandir o cultivo, mas os produtores chegam muito descapitalizados devido a anos de problemas financeiros.

SOJA

A Bolsa de Comércio de Buenos Aires estima a colheita em andamento em 58 milhões de toneladas. Se confirmado, o número representará uma redução de 4,6% em relação ao ano anterior.

LEITE

Estão em andamento as negociações oficiais para ampliar o preço que recebe o produtor, hoje em US$ 0,22 por litro. Lamentavelmente, o valor não é suficiente, já que os custos, na maioria das vezes, ficam em torno de US$ 0,29. A situação do setor segue crítica.

CARNE

O retrocesso do valor do gado em pé e os altos custos de produção da carne bovina vêm gerando polêmica e disputas dentro da cadeia. O preço do novilho jovem, no mês passado, estava em torno de US$ 1,82 o quilo.

DO CAMPO AO CONSUMIDOR

O Ministério da Agroindústria assegurou que o governo incentivará linhas de crédito para que as exportações possam ser feitas diretamente pelos produtores. A iniciativa surge a partir das diferenças de preços que ultimamente receberam os produtores de trigo.

Agora existe a possibilidade de que os produtores possam realizar seus próprios negócios, sem intermediários. A tendência é que diminua a participação das grandes multinacionais e seja retomada a figura dos corretores.

SUPERMERCADOS NA MIRA

A Confederação de Associações Rurais de Buenos Aires e Pampa (Carbap) emitiu um comunicado para reafirmar a gravidade da crise que atravessa o setor leiteiro e solicitar que a indústria também colabore na busca de uma solução. O presidente da Carbap, Horacio Salaverri, ratificou a preocupação, afirmando que a cadeia comercial não está entendendo a grave crise do setor.

“Não estamos falando de parafusos, estamos falando de leite, produto essencial na nutrição humana e insubstituível na primeira infância”, destacou. Ele ainda acrescentou que, “se não houver mudança no atual esquema de preços ao produtor, a crise ficará muito mais profunda e o desaparecimento de propriedades será uma questão diária”. Por sua vez, o presidente da Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da República Argentina (Ciccra), Miguel Schiaritti, denunciou que os supermercados aplicam margem de 50% no preço da carne.

“Parece que estão ávidos por maximizar os lucros e se aproveitar da posição dominante que têm”, diz o dirigente. Segundo ele, existe a preocupação com o consumo de carne, que vem caindo há vários anos na Argentina. “Há 30 anos, o consumo por pessoa era de 90 quilos de carne bovina; hoje, não é mais do que 60 quilos”, lamentou.