Agricultura Familiar

A relação direta entre crédito & SUCESSÃO FAMILIAR

Ministério do Desenvolvimento Agrário

Filho de agricultores, Edimar Koaski, 27 anos, cresceu ajudando o pai na propriedade. Há um ano, ele conseguiu comprar sua propriedade e equipá-la, acessando uma linha de crédito de programa do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), mais especificamente o Programa Nacional de Crédito Marcos La Face/Embrapa Fundiário - Nossa Primeira Terra. O objetivo da linha é facilitar a permanência dos jovens no campo, e Koaski adquiriu 4,8 hectares de terra, em Moreira Sales/PR. E para começar a produzir, procurou a Emater para elaborar o projeto exigido, e assim ele conseguiu o empréstimo de R$ 80 mil para iniciar a criação de bovinos.

A linha de financiamento Nossa Primeira Terra destina-se a jovens rurais, filhos de agricultores, estudantes de escolas agrotécnicas ou familiares que querem começar na atividade agrícola, ou seja, manter-se no meio rural

Em novembro, o jovem solicitou mais R$ 25 mil, via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf - linha A), para investir na compra de vacas, de uma ordenha mecânica e de um triturador forrageiro. “Se não tivesse a ajuda dos programas do Governo Federal, não teria condições financeiras de ter a minha propriedade”, justifica o jovem agricultor. Foram dois anos de espera pela aprovação do crédito fundiário.

Nesse período, o dono da terra permitiu que ele fosse construindo a infraestrutura na área. A renda vem da ordenha de oito vacas, que produzem 100 litros de leite diariamente, e ele ainda cultiva mandioca, milho e cana para alimentar os animais da propriedade.

O agricultor conta que trabalhou um tempo na cidade como montador de móveis, mas não se adaptou à rotina urbana, e que prefere a vida tranquila e sossegada do meio rural. “Fui para a cidade na ilusão de que tudo era diferente e melhor. Mas gosto mesmo é de cuidar dos animais e de trabalhar na terra. A gente é feliz no que gosta de fazer”, comenta. Além de voltar para suas raízes, ele mora com a mulher e o filho de seis anos perto do sítio do pai. “Sei que terei que pagar, em breve, os financiamentos, mas estou investindo no que é meu. Já estou guardando dinheiro para isso”, revela.

A realidade de Koaski é a de muitos jovens que pensam em continuar no campo, mas que, sem o apoio de uma acessível e facilitada linha de crédito, não conseguiriam colocar em prática o objetivo.

O Nossa Primeira Terra destina-se a jovens rurais, filhos e filhas de agricultores, estudantes de escolas agrotécnicas e centros familiares de formação por alternância, com idade entre 18 e 29 anos, que queiram viabilizar o próprio projeto de vida no campao. Para ter acesso à linha, eles precisam atender os requisitos a seguir, assim como obter os mencionados benefícios:

1. Ser filho ou filha de agricultores, estudantes de escolas agrotécnicas e centro familiares de formação por alternância (Casa Rural Familiar).

2. Ter renda familiar anual de até R$ 30 mil e patrimônio anual inferior a R$ 60 mil.

3. Comprovar experiência de cinco anos em atividades agrícolas e rurais rurais, podendo contar o tempo de escola (os sindicatos de trabalhadores rurais e da agricultura familiar são responsáveis pela verificação e declaração de elegibilidade dos candidatos ao crédito).

4. O crédito pode atender até R$ 80 mil para a compra do imóvel.

5. Todo o recurso é reembolsável, tanto de Subprojeto de Aquisição de Terra (SAT), quanto de Subprojetos de Investimentos Básicos (SIB).

6. Recurso de R$ 7,5 mil para Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), por cinco anos, com parcelas anuais de R$ 1,5 mil por beneficiário.

7. O acesso é individual.

8. O beneficiário tem até 35 anos para quitar o financiamento, incluindo os três anos de carência.

9. As taxas de juros de 1% ao ano.

10. Há bônus de até 30% para quem efetuar os pagamentos em dia, e bônus de 10% para terra negociada abaixo do preço de mercado.

“É rentável e dá para viver muito bem” — A verdade é que hoje, com o acesso às diferentes tecnologias agrícolas, que facilitaram a lida diária no campo, e com diferentes incentivos oferecidos pelo Governo, muitos jovens preferem ficar na propriedade e dar sequência ao trabalho dos pais, e não mais migrarem para os centros urbanos, como ocorreu nas últimas décadas. Um exemplo é Daiana Benin, que aos 25 anos jamais abandonou a propriedade da família, em Marau/RS, onde nasceu, foi criada, trabalha e pretende ir muito mais longe.

Juntamente com a família, Daiane produz leite e cria aves. Para impulsionar a produção, por meio do programa Mais Alimentos do MDA, ela financiou uma sala de ordenha. Hoje, o serviço que era manual, é realizado de forma mecânica com um sistema de leite canalizado que vai direto para o resfriador. Mais higiênico, mais rápido e produtivo, e para tanto investiu R$ 45 mil a serem pagos em dez anos.

Com o investimento, a produção dobrou e hoje são quase 7 mil litros de leite/ano. A família possui 35 animais na propriedade de 40 hectares, onde também são cultivados milho e soja. Todo leite produzido é comercializado por meio de uma cooperativa. E Daiane quer ir além. “Eu quero crescer na produção de leite”, destaca ao relatar que até já foi ao banco para se informar a respeito das linhas de crédito que pode acessar.

A jovem agricultora conta que nunca se arrependeu de permanecer no campo e que gosta de uma vida mais tranquila. Outro fator determinante para ela seguir no meio rural foi que o pai já está com idade avançada e precisava de ajuda. Segundo Daiana, ele foi o primeiro a incentivar os projetos dela. “Ele achou muito bom. Ele já estava desistindo, pois não ia ter ninguém para tocar as coisas”, comenta a jovem ao contar que, quando decidiu permanecer na propriedade, o pai resolveu investir mais na produção.

“Quando resolvi ficar, ele me incentivou muito e também buscou linhas de crédito para que a gente pudesse tocar tudo junto”, diz a jovem produtora que planeja, em breve, retomar os estudos e cursar uma faculdade. E para os jovens que têm dúvidas se permanecem no meio rural, Daiane recomenda o seguinte: “Meu conselho é de que continuem e invistam no campo. É rentável e dá para viver muito bem, e ainda temos acesso a incentivos”.