Na Hora H

 E JÁ SE FALA INCLUSIVE EM TAXAR AS EXPORTAÇÕES AGRÍCOLAS. SERÁ VERDADE?

ALYSSON PAOLINELLI

Estamos todos estarrecidos com as notícias (ou fofocas para confundir a crise política) em taxar as exportações agrícolas como meio de restabelecer os recursos que foram mal versados. Ou em português mais claro, roubados para campanhas eleitorais e outras coisas piores. Agora querem jogar em cima do setor que sustenta indiscutivelmente a economia brasileira para que ele exporte junto com seus produtos o fruto da roubalheira interna na qual o País se meteu.

Será que acham que os consumidores internacionais estão dispostos a pagar junto com os alimentos que tanto necessitam os impostos, ou melhor, as parcelas de quem roubou tanto e agora precisa de dinheiro para recompor os seus orçamentos, que também significam gastanças irresponsáveis de maus administradores que não deviam estar onde estão? Porque o setor agrícola, que é o único que tem trazido a duras penas a estabilidade econômica com os quase US$ 100 bilhões exportados por ano, que deixam na balança comercial um saldo líquido próximo a US$ 80 bilhões, vai ser o escolhido para pagar o pato? Pato não, “pixuleco”.

O setor agrícola tem sido calmo e passivo demais. Em troca desse seu fabuloso resultado, recebe a inexistência de políticas públicas. Veja o caso do crédito rural. Desde 1987 vem deixando de ser e exercer o que sempre fez anteriormente. Era um instrumento de desenvolvimento de nosso setor rural. Financiava as inovações ou tecnologias necessárias para que o País fizesse crescer a sua produção, a sua produtividade, e principalmente, a sua competitividade. Assistido e orientado, fez com que o Brasil conseguisse a sua autosuficiência em alimentos e se tornasse um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. Financiavam-se investimentos, custeios e comercializações. Hoje, estranhamente, está sendo concentrado nas mãos de empresas que pouco se interessam pelo produtor e só querem o seu produto, mesmo que em preço aviltante ou espoliativo.

Veja também o caso do seguro agrícola determinado pela nova Constituição Federal, com todas as leis complementares que regulariam a formação de um programa de seguro rural para o País e até mesmo a legislação já existente para formação de um Fundo de Catástrofe, que ainda não existe. Tem-se lutado para ampliar os recursos do seguro rural, mas que na realidade não atendem ao produtor. Estão sendo jogados pela janela por quem não conhece nem de risco nem de seguro rural. Pergunte ao produtor de mercado se ele conhece ou está satisfeito ou quanto paga e o quanto recebe (ou não recebe) do seguro que quis fazer. Veja também a política dos preços mínimos, eu diria que ela já não existe desde 1989. Temos três leis que regulamentam a política de preços mínimos e nenhuma delas é pelo menos respeitada.

Temos de ver também, os recursos para infraestrutura, principalmente a logística. Programas de crédito para armazenamento, desde o da fazenda (que é o ideal) até os grandes centros de convergência, são anunciados pelo Governo e boicotados pelos bancos. Temos um déficit estimado em 50 milhões de toneladas que continuará aumentando até que a coisa volte a funcionar. Estradas, rodovias, ferrovias, hidrovias e seus portos estão agora à espera de parcerias de iniciativas privadas. Diga-se de passagem, essa iniciativa privada está escaldada com os escândalos das propinas que lhe são exigidas, assim como os riscos que se submetem em trabalhar para o governo.

Pagamos em função disso um dos mais caros fretes do mundo, em média, três vezes mais que os nossos competidores (EUA, China, Europa e Argentina). Já não é por acaso, essa é uma das mais cruentas tributações que sofre o setor agrícola brasileiro. Ainda querem mais? O estado de Goiás já deu sinal que precisa de mais recursos e está escolhendo o setor agrícola para o sacrifício. Não é propriamente uma taxação direta sobre a soja, o milho, o algodão, pois ele só pode fazer isso via ICMS. No entanto, pela bagunça tributária que temos no Brasil, vai acabar penalizando a todos, produtores e consumidores que ele quis defender. Meus queridos amigos produtores, confesso estar estarrecido com esse absurdo que passa pela cabeça de alguns governantes.

Até hoje, sempre estamos preocupados em trabalhar e produzir, cumprindo fiel e honestamente a nossa missão. Se outros não estão fazendo isso, perdoem-nos, não podemos aceitar. Se até hoje estamos voltados com prioridade para dentro da porteira de nossas propriedades, chegou o momento de defendermos o que é nosso e reagir em uma mobilização sem precedentes, se necessário, nos campos, nas cidades, nas capitais, inclusive em Brasília. Vamos mostrar que sabemos produzir produtos que são competitivos em qualquer lugar do mundo, e que os nossos compradores não querem pagar os custos da ladroagem que aqui existe. Esse é um alimento tóxico que eliminaria qualquer nação do mapa. Vamos deixar que a nossa seja banida? O consumidor brasileiro também vai pagar caro por essa brincadeira e certamente já nos conhece e estará ao nosso lado. Essa é a nossa missão! De todos os que querem salvar o País. Contem comigo! Estarei ao seu lado sempre!