Agribusiness

 

CAFÉ

BRASIL DEVE COLHER 49,7 MILHÕES DE SACAS, SEGUNDO IBGE

Fábio Rübenich – fabio@safras.com.br

Depois de duas safras consecutivas afetadas por adversidades climáticas, a produção de café do Brasil deve se recuperar e fechar 2016 com crescimento de 12,5%. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em janeiro, o Brasil deve beneficiar 49,7 milhões de sacas de 60 quilos neste ano. Nos últimos dois anos, segundo o IBGE, um clima excessivamente seco e quente em 2014 em São Paulo e Sul de Minas Gerais e estiagens no Espírito Santo e no Cerrado mineiro em 2015 afetaram a produção. A produção de café arábica deve somar 38,3 milhões de sacas, elevação de 15,6% em relação a 2015, com destaque para o rendimento médio, que apresentará crescimento de 12,5%.

Em Minas Gerais, principal produtor, o crescimento da produção alcança 21,4% e deve chegar a 26,82 milhões de sacas. Em São Paulo e no Espírito Santo, o crescimento da produção em 2016 deve alcançar 6,9% e 21,2%, respectivamente. Para o café conillon, a estimativa da produção para 2016 é de 11,4 milhões de sacas, aumento de 3,3% em relação a 2015. A estimativa da área plantada apresenta queda de 15,7%, enquanto o rendimento médio aumenta em 6,7%.

Conforme o IBGE, a recuperação da produção é mais acentuada no Espírito Santo, principal produtor de café conillon, que em 2015 sofreu com estiagens. Apesar da queda de 19% na área plantada, o rendimento médio deve aumentar 12,6%, alcançando 1.747 kg/ha. Para calcular a estimativa de safra de 2016, técnicos do IBGE avaliaram o nível de cargas da floração e dos “chumbinhos” das lavouras nos diversos municípios produtores. Os levantamentos foram realizados municipalmente, principalmente através de reuniões das Comissões de Estatísticas Agropecuárias, com a participação de técnicos, representantes dos produtores, cooperativas e órgãos ligados à agropecuária dos estados.


ARROZ

COM PROXIMIDADE DA SAFRA NOVA, CEREAL TEM NEGÓCIOS PONTUAIS

Gabriel Nascimento - gabriel.antunes@safras.com.br

O mercado de arroz iniciou o ano em ritmo lento de negócios. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, os compradores adquirem da “mão para a boca” sabendo da proximidade da colheita da safra nova. Os vendedores seguem reticentes em negociar, de olho na possibilidade de uma quebra mais acentuada da produção e na manutenção de uma taxa cambial favorável a uma elevação das cotações.

“Além disso, as indústrias encontram dificuldade em repassar o custo de uma saca acima de R$ 40 em casca. Essa dificuldade de repasse de um eventual aumento dos preços para o varejo vem retardando a esperada recuperação das cotações do grão em casca. Porém, com a estimativa de que o Rio Grande do Sul terá uma quebra próxima a 15% e um atraso na colheita, é difícil imaginar um caminho que não seja para essa recuperação”, analisa Pinheiro.

Com essa perspectiva, projeta-se uma necessidade de importação superior às exportações na próxima temporada, fazendo com que o mercado engate uma tendência altista nas próximas semanas. “Corrobora para essa percepção a manutenção do dólar acima de R$ 4. É importante destacar que os parceiros do Mercosul possuem bons saldos exportáveis remanescentes, porém, a taxa cambial encarece o ingresso desse cereal”, disse o analista.

A Conab divulgou o quarto levantamento para a safra 2015/16 com produção de 11,628 milhões de toneladas, um decréscimo de 6,5% sobre as 12,436 milhões de 2014/15. E a área foi estimada em 2,143 milhões de hectares, ante 2,295 milhões em safra 2014/15.


SOJA

CLIMA DEVE COMPROMETER SAFRA BRASILEIRA

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

A produção brasileira de soja em 2015/16 deverá totalizar 99,847 milhões de toneladas, aumento de 4,3% sobre a safra anterior, de 95,711 milhões. A previsão é de Safras & Mercado. Na comparação com o relatório anterior, no entanto, houve um corte de 561 mil toneladas, ou 0,56%. Em dezembro, a estimativa era de 100,408 milhões de toneladas. Com as lavouras em fase inicial de desenvolvimento, Safras indica aumento de 3,9% na área, que ficaria em 32,956 milhões de hectares. Em 2014/ 15, o plantio ocupou 31,636 milhões. O levantamento indica que a produtividade média deverá passar de 3.025 quilos/ hectare para 3.045 quilos.

A presença do El Niño vem trazendo quadros distintos para o desenvolvimento das lavouras dos diferentes estados. “A safra brasileira não vai atingir todo o potencial estimado devido a algumas perdas já irreversíveis nas regiões Norte e Nordeste e em parte do Mato Grosso, que sofreram com a estiagem no último trimestre de 2015”, aponta o analista de Safras & Mercado Luiz Fernando Roque. Em contrapartida, estados como Minas Gerais e Goiás devem ter safras cheias, se recuperando das perdas sofridas em 2014/15 e compensando parte da queda projetada para outros estados.

Na Região Sul, apesar do excesso de chuvas registrado ao longo de novembro e dezembro, a safra se desenvolve bem. A baixa luminosidade que incidiu sobre as lavouras trouxe uma maior atenção dos produtores ao controle de doenças fúngicas, o que acabou elevando os custos devido à maior necessidade de aplicações nas lavouras. “Apesar disso, não foram registrados grandes comprometimentos. As produtividades médias deverão ser elevadas no nos três estados da região”, prevê Roque.

No Centro-Oeste, a estiagem que atingiu parte do MT nos últimos meses trouxe comprometimento de produtividades ao médio-norte e ao nordeste do estado. Nas demais regiões do estado, as lavouras se desenvolvem de forma satisfatória e sem grandes problemas. O retorno das chuvas nas últimas semanas começou a amenizar as condições das lavouras e segurar o avanço das perdas no MT, o que deve continuar devido à previsão de manutenção das precipitações sobre a faixa central do País. “As lavouras que foram replantadas ou que foram semeadas mais tardiamente deverão ter grande benefício com o retorno da umidade”, lembra.


ALGODÃO

USDA CORTA ESTIMATIVA PARA SAFRA MUNDIAL

Dylan Della Pasqua - dylan@safras.com.br

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgou o relatório de janeiro de oferta e demanda mundial de algodão para a safra 2015/ 16. Estimou a produção global em 101,56 milhões de fardos, ante os 103,71 milhões indicados em dezembro. As exportações mundiais foram estimadas em 36,05 milhões de fardos para 2015/16, ante 35,35 milhões no mês passado. A estimativa para o consumo mundial é de 110,94 milhões de fardos, ante 111,39 milhões indicados no relatório anterior. Os estoques finais foram projetados em 102,86 milhões de fardos, ante 104,39 milhões projetados no relatório passado.

A expectativa é que a China colha 23,8 milhões de fardos na temporada 2015/16, contra 24,3 milhões do relatório anterior. A produção do Paquistão para 2015/16 foi prevista em 7,2 milhões, ante 8 milhões de dezembro. O Brasil tem a safra 2015/16 estimada em 6,5 milhões de fardos, mantendo o número anterior. A produção indiana de algodão deve chegar a 28 milhões de fardos em 2015/16, contra 28,5 milhões. Os norte-americanos deverão colher 12,94 milhões em 2015/16, ante 13,03 milhões de outubro. Para a safra 2014/15, eram esperados 16,32 milhões de fardos.

Já as exportações americanas deverão ficar em 10 milhões de fardos em 2015/16, mesmo número do relatório anterior. O consumo interno foi previsto em 3,6 milhões de fardos para 2015/16, contra 3,7 milhões. Baseado nas estimativas de produção, exportação e consumo, os estoques finais norte-americanos foram previstos em 3,1 milhões de fardos para a temporada 2015/16, contra 3 milhões do relatório anterior.


MILHO

ANO COMEÇA COM ESTOQUES LIMITADOS E ALTOS PREÇOS NO BRASIL

Arno Baasch - arno@safras.com.br

O mercado brasileiro de milho chegou à segunda quinzena de janeiro com um quadro de estoques limitados e preços elevados. A perspectiva é que esse cenário seja mantido ao longo do primeiro trimestre, em decorrência de uma safra de verão mais limitada e de uma oferta que estará disponível, efetivamente, somente a partir de março. Para o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, as exportações neste ano comercial foram recordes, mas não se sabe ainda que números foram registrados até o encerramento, no final de janeiro. “Os atrasos nas apurações de dados embarcados pela Secex vêm confundindo o mercado. Pelo número oficial, os embarques devem oscilar entre 31 milhões e 32 milhões de toneladas, mas pelos embarques efetivos esse número pode superar as 35 milhões de toneladas”, disse.

O fato concreto é que essa diferença entre 3 milhões a 4 milhões de toneladas entre o número oficial e o efetivo traz reflexos na oferta interna. “Se levarmos em conta o dado da Secex, ele aponta para sobras de oferta interna e a alta no preço ocorre pela teimosia do produtor em vender. Se observarmos os embarques efetivos, a compreensão para as altas nas cotações internas leva em conta o excesso das exportações”.

Molinari ressalta que a colheita de verão iniciou no RS e em SC, mas o mercado vem rapidamente absorvendo essa oferta. Além disso, parte está sendo destinado à exportação. “Como a maioria dos produtores dará preferência à oleaginosa, em detrimento do milho, somente a partir de março é que uma maior oferta decorrente da safra de verão poderá ser observada regionalmente. Até lá, o cenário de estoques internos limitados e de altos preços não deverá mudar”.


TRIGO

INDÚSTRIA BEM ESTOCADA REALIZA NEGÓCIOS PONTUAIS A PREÇOS MAIS ATRATIVOS

Gabriel Nascimento - gabriel.antunes@safras.com.br

Com época da colheita de trigo finalizada em dezembro no Paraná e Rio Grande do Sul, o mercado passou a operar sem grandes novidades entre o fim de 2015 e o início de 2016. A indústria, como de costume no período, abasteceu seus estoques e grande parte de seus funcionários entrou em férias coletivas. Assim, a necessidade de compra por parte dos moinhos tem sido muito baixa. As aquisições realizadas são pontuais, aproveitando a necessidade de venda dos produtores, a preços mais atrativos. A entrada das safras de verão deve obrigar os produtores a se desfazerem do grão.

Até o final do primeiro trimestre a tendência segue de baixa liquidez no mercado interno. A escassez do trigo de boa qualidade, ao mesmo tempo em que valoriza o produto, impede uma movimentação relevante aos negócios no País. A quebra de safra nos principais produtores aumentou a necessidade de importação. A safra nacional está estimada em 5,2 milhões de toneladas, com necessidade de importação de 6,3 milhões.

Conforme o analista de Safras Jonathan Pinheiro, o bloco sul-americano apresenta um saldo exportável de 5,2 milhões de toneladas, obrigando o Brasil a importar mais de 1 milhão de toneladas do Hemisfério Norte, a custos ainda mais elevados. Com o dólar valorizado, o trigo americano chega aproximadamente 27% superior às cotações nacionais para o trigo soft, e mais de 29% para o trigo hard. Já o argentino chega mais de 14% acima.